O Rabino Yisroel (Maguid) de Koznitz viveu há mais ou menos 150 anos na Polônia, e tinha milhares de seguidores. Judeus vinham de longe para somente estar no mesmo salão que ele ou vê-lo de longe.

Fisicamente ele não não impressionava ninguém: magro, velho, o retrato da simplicidade e humildade. Mas espiritualmente ele era uma usina de energia, conectado com a Fonte de todas as energias. Uma história ilustra isso em particular.

Os judeus têm o costume pronunciar a noite, no começo de cada mês, a prece Kidush Levaná, “Santificação da Lua.”

Num sábado , após o término do Shabat, o Maguid de Koznitz estava no exterior da sinagoga recitando sua prece com dezenas de seus seguidores. Todos estavam vestidos com suas melhores roupas de Shabat e davam uma impressão de afluência.

Aconteceu que um grupo de assaltantes passava por ali e quando viram o grupo logo pensaram que seria um assalto produtivo. O chefe do bando deu a ordem para o ataque. Mas os judeus tinham duas grandes vantagens: primeiro, estavam acostumados a correr e, segundo, sendo logo depois do Shabat, não tinham nada nos bolsos para lhe dificultar a corrida. Então, quando os bandidos chegaram perto, encontraram apenas um velho judeu; o Maguid de Koznitz.

Ele não só não correu, como nem percebeu que sua fiel congregação tinha sido substituída por um bando de marginais.

O líder da gangue, um perigoso assassino cruel, aborrecido com a situação, acenou para os outros abandonarem a cena enquanto ele se aproximava do velho e solitário judeu. Ele fechou o punho para acertar seu rosto em cheio... mas não conseguiu. A face do Rebe o encheu de terror! Ele nunca havia sentido tanto temor assim em sua vida. Ele gritou e xingou tentando reagir a essa situação mas nada ajudou. Ele ainda cuspiu no rosto do Rebe! Mas o Rebe nem percebeu, apenas terminou sua prece, fechou o livro de rezas e foi embora.

Antes que a gangue percebesse, de repente estavam sozinhos e então olharam para seu líder na espera de uma ordem... que não veio! Ele estava paralisado como um animal acuado. Seus braços enormes pareciam duas salsichas e seu corpo tremia tanto que parecia que iria desmoronar. Eles correram para ajudá-lo, o colocaram no chão e foram correndo para a única pessoa que poderia ajudá-lo – o Rebe.

Somente após algumas horas conseguiram localizar a casa do Rebe e então este lhes concedeu uma audiência.

Quando eles ficaram face a face com o Rebe permaneceram mudos, até que o Rebe fez um sinal para que um deles se manifestasse. Um dos ladrões limpou a garganta e implorou: “Rabino! Santo Rabino! Escute, pedimos desculpas pelo que fizemos. Sentimos muito! E estamos dispostos a pagar o que o senhor quiser se nos perdoar e trouxer nosso líder de volta. Por favor!”

“Desculpar-se? Pagar dinheiro? Seu líder? Do que vocês estão falando? Nunca vi vocês em toda a minha vida! Quem são vocês? O que vocês querem?” Ele respondeu honestamente.

Eles perceberam que não era uma brincadeira. Esse judeu esteve numa conversa com D’us tão profunda que não percebeu nada! Então o ladrão não teve alternativa a não ser explicar o que havia acontecido: como eles atacaram, como os Chassidim fugiram, como seu líder tinha ficado paralisado e como esperavam que o Rebe tivesse misericórdia deles e trouxesse de volta seu líder.

“Se é assim,” respondeu o Maguid. “Então isso é muito sério. Muito sério. Seu líder tem que prometer nunca mais fazer mal a qualquer judeu novamente. Somente desse jeito poderá reverter a maldição que colocou sobre si mesmo.”

“Oh! Ele fará isso! Ele prometerá!” O porta voz deles falou, enquanto os outros, com os olhos grudados no Rebe, concordavam com a cabeça.

“Não! Não! Vocês não podem prometer por outra pessoa!” O Maguid falou. “Como saberei se ele concorda? Quero ouví-lo prometer, ELE MESMO!”

“Mas santo rabino! Nosso líder está inerte, congelado como uma pedra! Ele não consegue falar nada!”

“Desculpe-me, isso não é uma desculpa, podem trazê-lo aqui e ele terá que falar por si próprio.”

Eles foram correndo até seu chefe e o encontraram no chão, chorando como uma criança. Com muita dificuldade o levaram até o Rebe e o colocaram no chão de seu quarto.

“Você promete nunca mais fazer mal a nenhum judeu novamente?”

“Sim rabino!” O gigante mal conseguia falar e só conseguiu balbuciar essas palavras. “Sim! Sim! Eu juro! Eu prometo! Por favor me perdoe! Nunca mais farei nenhum mal! Ajudarei os judeus! Por favor! Misericórdia!”

Assim que ele falou essas palavras, seu corpo começou a tremer e, chorando sem parar, conseguiu ficar de pé e retirar-se dos aposentos do Rebe levando sua gangue.

Conta-se que durante os anos seguintes seu bando não deixou de fazer maldade... mas se descobrissem que as vítimas eram judias, as deixavam em paz. De fato, muitas vezes roubaram outros para devolver propriedades roubadas de judeus, mesmo se colocando em perigo para fazer isso.

Com o passar do tempo eles viajaram para outras bandas até que os anos trouxeram de volta o chefe do bando, agora solitário e humilde, à cidade de Koznitz. Ele solicitou uma audiência com o Maguid, e decidiu deixar seu passado para trás e dedicar-se apenas a praticar o bem. A cena do rabino causou-lhe uma impressão profunda – a fé e irreverência de que nada há no mundo a temer além de D’us, o Criador de todas as criaturas, havia paralisado em sua mente durante todos aqueles anos que se passaram – e acabou transformando o um impetuoso assassino em um vulnerável ser humano disposto a partir para sua metamorfose construtiva.

Nas três semanas de luto que tem início agora não devemos sentir tristeza e sofrimento pela destruição, apesar da calamidade, entre crimes, destruição e catástrofes em que se encontra nosso mundo. Quando achamos que não existe mais nada para o conserto, a esperança surge no final das chamas. É possível contrabalançar a escuridão trazendo luz ao mundo em atos de transformação. Tudo o que temos a fazer é acreditar em nosso potencial e… usá-lo! Desta forma aproximaremos a reconstrução e o início de uma nova era, de paz e luz.