Todo dia o carregador de água passava pelo salão de estudos com seus baldes. Rabi Israel Baal Shem Tov (“Mestre do Bom Nome”) frequentemente estava na porta da frente conversando com seus discípulos. Toda vez que ele via o carregador, interrompia a conversa e perguntava ao homem: “Perel, meu bom amigo, como vai hoje?” O carregador de água geralmente dava uma resposta educada: “Baruch Hashem, graças a D’us!” e continuava seu caminho.

Porém um dia o carregador tinha uma expressão melancólica na face. “Rebe, é gentil de sua parte perguntar a um homem pobre, mas como eu deveria me sentir? Nada bem! Não! Todos os dias carrego estes baldes pesados. Minhas costas doem, e estou ficando velho, sabe… Minhas botas estão em frangalhos, mas não tenho dinheiro para comprar novas. Minha família é grande. O fardo é pesado demais. Meus filhos precisam de comida, sapatos e roupas e… ah, é demais para sequer começar a lista… E aquelas casas novas fora da cidade querem mais e mais água, e estão construídas sobre a encosta da colina, e a água é tão pesada, estou tão cansado, tão cansado…” E com um suspiro ele apanhou os baldes e se afastou arrastando os pés, com as costas curvadas e os ombros caídos. Não olhou para trás. O Baal Shem Tov nada disse.

Alguns dias depois, o Baal Shem Tov estava novamente na frente da sinagoga com seus alunos quando o carregador passou por ali. “Perel, que bom vê-lo, como está hoje?” O carregador parou. Estava radiante. “Baruch Hashem, Rebe, vou muito bem. Tenho trabalho, portanto ganho para sustentar minha família. Sou abençoado, porque tenho uma família grande, tantos filhos queridos… Sou feliz porque posso dar-lhes comida e pagar seus professores. E aquelas casas novas recentemente construídas na colina precisam de muita água, sendo uma renda extra para mim. Baruch Hashem! Obrigado por perguntar a um homem simples como ele está passando. Baruch Hashem, D’us é bom para mim!”

O Baal Shem Tov sorriu e abençoou-o com algumas palavras de encorajamento. O carregador levantou seus pesados baldes e prosseguiu alegremente seu caminho, e a água que levava refletia alegremente a luz do sol.

Os discípulos do Baal Shem Tov ficaram intrigados. Por que o velho carregador de água de repente estava tão feliz com o mesmo par de botas velhas e os mesmos velhos baldes de água?

O Mestre do Bom Nome olhou para os discípulos e logo percebeu o que estavam pensando. “Vocês ouviram o que Perel acaba de dizer?” perguntou a eles. “Ele disse Baruch Hashem, graças a D’us, porque ele sabe que todas as bênçãos e tudo o mais vem de D’us. Alguns dias atrás ele não parecia se lembrar disto, não agradeceu a D’us por seu quinhão, pois estava deprimido. Mesmo quando as coisas são difíceis, há muito a agradecer a D’us, portanto louve e agradeça a Ele. Você reconhece que tudo que recebe vem de D’us e sente-se melhor. Os baldes de Perel estão tão pesados hoje como estavam alguns dias atrás, e ele ainda é pobre, mas sua perspectiva mudou. Agora ele vê o que é importante e o que não é, e está consciente de Quem fornece tudo que ele tem. Como resultado, está feliz, contente e em paz.”