No auge da Segunda Guerra Mundial, Hitler decidiu capturar Leningrado, a cidade mais charmosa da Russia, repleta de palácios históricos e monumentos magníficos. Em resposta, a União Soviética reuniu todas as crianças na cidade sitiada e as retirou de lá. Em julho de 1942, todas as crianças de Leningrado já tinham sido evacuadas.

As crianças deixaram a cidade em pânico, separadas de seus pais às pressas, a maior parte delas somente com algumas palavras de adeus. Pania-13, Rochel-9, e Zalman-8, as crianças Kleinman, foram arrancadas de seus pais Yaacov e Rivka. Rochel foi enviada sozinha para Omsk, na Siberia. Pania e Zalman ficaram juntos. No momento de se despedir de sua filha Pania, Yaacov lhe pediu: ‘Fique de olho em seu irmão menor, Zalman, por favor, fique de olho no seu irmãozinho não importa o que aconteça.’

Além disso, Yaacov se encontrou com sua irmã, Ita Sosonkin e, com lágrimas nos olhos, se prometeram que aquele que sobrevivesse cuidaria dos filhos do outro. Dois meses depois, Leningrado foi sitiada durante o inverno mais severo na Russia nas últimas décadas. Não havia eletricidade, aquecimento, e os alimentos eram escassos. A força aérea nazista destruiu armazéns de alimentos e muitas pessoas sitiadas tiveram que comer gatos, cachorros, passarinhos e sopa de carteiras de couro.

Depois de mais ou menos 900 dias de cerco, 40% da população de Leningrado tinha morrido de fome ou de doença. Os pais da família Kleinman não escaparam desse trágico destino e morreram naquele ano. Por um ano, irmão e irmã ficaram na região de Chelyabinsk num instituto de crianças e, depois disso, Pania de 14 anos foi transferida para outro lugar completar um curso de maquinaria. Pouco depois da guerra, ela voltou para trabalhar em Leningrado, onde soube da morte dos pais.

Zalman não teve a mesma ‘sorte’. Ele permaneceu no instituto, onde viveu uma vida de inferno por causa da responsável pelas crianças que era cruel e sádica, e as espancava. Seu nome era Burnikah, e ela pegava os pães de todas as crianças para comer. Às vezes o jovem Zalman se recusava a dar seu pão, embora soubesse que seria maltratado. “Onde está o pão seu judeu nojento?” perguntou uma vez Burnikah. Zalman respondeu bravamente que não lhe daria o pão, pois era dele, então ela lhe bateu até que sua cabeça se chocou contra a parede e sangrou enquanto Zalman chorava de dor.

Um ano depois, Zalman foi transferido para outra instituição onde uma das professoras de outra sala passou a simpatizar com dele. Zalman era um artista de talento desde criança, e passou a desenhar todos os gráficos, placas, ou desenhos quando solicitado. A professora de Zalman ficou com ciúmes de uma professora de outra classe que queria aproveitar o talento de seu aluno.

Assim que terminou a guerra em 1945, Leningrado não estava mais em perigo e o governo começou a retornar as crianças a seus pais. Os que não tinham mais pais, foram transferidos oficialmente para os orfanatos do governo. A professora que simpatizara com Zalman pediu então para adotá-lo e ele foi morar em sua casa.

Enquanto isso, Ita Sosonkin, agora viúva, estava morando com seus sogros, Nachum e Malka Sosonkin em Samarkand, Uzbequistão. Lá os judeus eram menos perseguidos, no entanto, Ita não podia sossegar pois lembrava da promessa cheia de lágrimas que tinha feito ao seu irmão, Yaakov. Ela teve contato com as crianças e tinha seus endereços mas, na prática, como ela poderia cumprir sua promessa? Ela não tinha casa e estava vivendo de favor com seus sogros. Seria justo ela chamar mais três pessoas para morar naquela pequena casa?

Mas as noites insones não lhe deixavam. Ela sentia a presença de seu irmão próximo a ela, llembrando-lhe sobre a guarda de seus filhos. Certa noite acordou sobressaltada transpirando muito, e decidiu que deveria tomar conta de seus sobrinhos. Levantou-se e começou a caminhar de um lado a outro de seu aposento sem conseguir mais dormi, tentando planejar de que forma poderia salvá-los. Seu sogro, Nachum, que estudava o Talmud, escutou seus passos e movimentação constante e resolveu perguntar o que se passava com Ita. Gentilmente, ele bateu no seu quarto e perguntou se havia algo que pudesse ajudar. Com tristeza, ela lhe contou sobre seus sobrinhos e a promessa que havia feito ao seu irmão. “Por que você não me disse antes?” Ele lhe perguntou. “Vá agora mesmo buscá-los!”

Agradecida e feliz, ela planejou pegar Rochel primeiro na Sibéria e depois Zalman. No entanto, enquanto pedia os vistos de viagem, providenciava passagens de trem, etc. recebeu um telegrama da professora de Zalman que queria se vingar de sua colega, e lhe deu o endereço onde Zalman se encontrava. “Se você quer rever seu sobrinho, venha imediatamente, pois ele foi adotado.” Ita percebeu que tinha pouco tempo então mudou os planos para pegar Zalman primeiro. Depois de muita discussão com a professora de Zalman, ela conseguiu levá-lo de volta para sua família, e em seguida recuperou suas outras duas sobrinhas.

Mudaram para Israel onde Zalman tornou-se um famoso artista chassidico.