Há cerca de dez anos um rico empresário israelense, que chamaremos de Jerry, estava no topo do mundo. Era multimilionário, viajava pelo mundo desfrutando os melhores hotéis, os restaurantes mais caros, automóveis de luxo e tudo aquilo que o dinheiro pode comprar. Um homem que se fizera por si próprio e adorava seu criador (isto é, ele mesmo).

Dizia: “Meus talentos e minha força me deram toda essa fortuna.” (Devarim 8:17), e ele parecia estar certo… até que veio à Hungria.

Um dos mais grandiosos projetos de todos os tempos em Israel, o complexo comercial Azrieli em Tel Aviv, estava quase pronto e foi oferecido a Jerry a chance de adquirir toda a cobertura (49º andar!)

Aquilo lhe custaria dezenas de milhões de dólares, mas ele tinha o dinheiro, ou poderia facilmente pedir emprestado o que faltava e mesmo assim parecia um investimento promissor. Ele examinou todos os ângulos do negócio com seus advogados, aceitou alguns conselhos e estava a ponto de dizer “sim” quando um de seus melhores amigos surgiu com um investimento ainda melhor… Hungria.

“O quê?” exclamou o amigo. “Pelo mesmo dinheiro você pode comprar não apenas um andar, mas dez prédios comerciais inteiros na Hungria! E a economia lá está em ascensão! Em apenas dois anos você recuperará todo o investimento… e depois disso… serão só lucros! Você será um dos maiores empresários no país! Entre nisso antes que seja tarde demais e vendam tudo. É lucro certo!”

Para encurtar uma história longa e dolorosa, Jerry aceitou o conselho do amigo, deixou de lado a ideia do Azrielli, investiu tudo que tinha na Hungria e dentro de alguns meses… perdeu tudo.

Em questão de meses cada centavo economizado, pelo qual tinha se escravizado, se fora. Após liquidar todos seus bens e vender até a própria casa para pagar suas dívidas, ele ainda devia dezesseis mil shecalim ao Imposto de Renda em Israel.

As coisas aconteceram tão depressa que ele quase não teve tempo de digerir aquilo tudo. A princípio tentou até negar, dizendo: “Afinal, são negócios, certo? Altos e baixos! Isso vai passar! O principal é manter a calma, manter o olho aberto para novas oportunidades, pensar positivamente; logo me recuperarei etc.”

Porém a realidade começou a perturbá-lo quando tentou conseguir aqueles dezesseis mil shecalim. Logo descobriu que seus velhos amigos não eram mais tão amigáveis. Portas que ele costumava abrir se trancavam para ele, e as pessoas não respondiam aos seus telefonemas. Sem fiador, os bancos se recusavam a emprestar-lhe dinheiro, fossem quais fossem as condições. Ele estava ficando desesperado, as coisas pareciam ir de mal a pior.

Mas então um velho amigo retornou uma de suas ligações. “Jerry, como vai? Ouvi dizer que está procurando um empréstimo. Venha me visitar, acho que lhe devo alguns favores dos bons tempos. O que quer que você precise, tentarei ajudar.”

Porém por ironia, o escritório do amigo era em nenhum outro local que… o 49º andar do Centro Azrielli!

Jerry, ainda repleto de confiança, tomou o elevador para o escritório do amigo, assinou um empréstimo, selou-o com um aperto de mão, colocou as notas dentro do bolso do casaco e saiu do escritório para um corredor luxuoso. A porta fechou-se atrás dele e ficou sozinho, havia apenas a música suave vinda de alto-falantes ocultos. Jerry começou a notar a ironia daquilo tudo; este local inteiro poderia ter sido seu!

Sem ter nada de melhor a fazer, decidiu caminhar por ali e dar uma olhada. Após alguns minutos, viu um lance de escadas que levava a uma grande porta de metal. Subiu as escadas e abriu a porta. Um vento frio de outono soprou em seu rosto. Era a porta que dava para o telhado. “Por que não,” pensou ele, e saiu.

Ahh! Era lindo! Dali podia ver a uma grande distância as colinas da Judeia em uma direção, em outra, o vasto Mar Mediterrâneo. Ficou ali, pensando e tentando apreciar o clima quando de repente uma forte batida atrás dele interrompeu seus pensamentos; um rápido olhar revelou que o vento tinha batido a porta. Decidiu que estava na hora de voltar. Jerry foi até a porta e tentou abri-la mas… parecia estar trancada. Tentou espiar por todos os ângulos para descobrir a tranca, mas não conseguiu. Começou então a bater na porta e quando aquilo não funcionou, chutou e gritou com toda a força que tinha, mas não houve resposta.

“Ei, como sou tolo!” Bateu na testa e disse consigo mesmo: “Meu celular! Posso ligar para alguém pelo celular!” Porém quando tirou-o do bolso, descobriu que estava sem bateria. Totalmente mudo! Justo numa hora dessas, aquilo tinha de acontecer!

Porém não perdeu a compostura. Tinha que pensar rápido. Foi até a beirada do prédio, olhou por cima da cerca de proteção e começou a balançar os braços e gritar para as pessoas lá embaixo; após cinco minutos, percebeu que era inútil. Não havia como alguém notá-lo, a 49 andares de distância. Porém tinha de permanecer calmo. Era sua única chance. Logo estaria escuro e realmente frio. E ali não havia como se proteger do vento, que ficava mais gelado a cada minuto.

De repente teve uma ideia. O dinheiro! Tinha 16.000 shecalim no bolso. Certamente se atirasse uma nota de 200 shecalim lá para baixo as pessoas olhariam para cima para ver de onde vinha… e o veriam.

Ele tirou um maço de notas, separou uma, olhou por cima da cerca e a atirou. Viu a nota esvoaçar loucamente com o vento e finalmente, após vários minutos, pousar no outro lado da rua; alguém parou, abaixou-se, pegou a nota e continuou andando.

Dessa vez ele tirou cinco notas, num total de 1.000 shecalim, e deixou-as cair… mas foi a mesma coisa. Ninguém as viu até que chegaram ao chão, e então foram apanhadas. As pessoas olharam em volta procurando mais, e foram embora.

Ele sabia o que tinha de fazer! Era sua única chance! Tirou todo o dinheiro do bolso, rasgou a fita protetora e segurou o pacote. Com um grito, jogou-o o mais baixo que pôde. Com o que lhe restava de otimismo, olhava o dinheiro se espalhar abaixo dele. Retirou a camisa e começou a balançá-la freneticamente para que alguém percebesse. Porém não pôde acreditar em seus olhos; não somente ninguém olhou para cima nem ouviu seus gritos, como discutiam lá embaixo sobre quem viu primeiro qual cédula!

Olhou em torno do telhado, o sol estava se pondo, ainda havia luz suficiente para enxergar, mas ele não via nada… somente o céu. Com os olhos cheios de lágrimas, de repente sentiu-se pequeno, precisava de ajuda… estava certo de que D'us o ajudaria. O céu dizia isso. Um segundo atrás ele nem sequer acreditava que isso existia, mas agora era óbvio… ele não estava sozinho.

Então gritou: “Hashem! Hashem!… socorro! Ajude-me!”

De repente seu olho notou um saco de areia de tamanho médio… pedregulhos. Por que não o vira antes? Mas estava ali o tempo todo! Arrastou-o até a cerca, pegou um punhado, recitou uma prece, atirou-o sobre a cerca e começou a abanar os braços e olhando novamente lá para baixo.

E vejam só, dessa vez funcionou! As pessoas começaram a xingar; olhavam para cima apontando e gritando para ele. Provavelmente alguns chamaram a polícia, porque dentro de instantes a porta se abriu, policiais irromperam com armas em punho, algemaram-no e o levaram até a delegacia. Ele estava salvo!

Foi preciso dar muitas explicações. Ele tivera sorte por ninguém ter se ferido com os pedregulhos e, é claro, perdera os 16.000 shecalim e ainda devia os impostos. Porém após alguns dias eles aceitaram sua história e o libertaram. Mas ele disse que tinha valido a pena. Não somente fora salvo, como também tinha se acalmado. Pela primeira vez na vida enxergou como fora tolo; as pessoas na rua lhe ensinaram uma lição. Eram pessoas exatamente como ele; o tempo todo em que o dinheiro estava chovendo, elas não olhavam para cima… somente para baixo, querendo mais. Porém assim que começaram a sentir as pedras machucando-as, olharam para cima para ver de onde estavam vindo.

Jerry jamais olhou para cima quando possuía dinheiro, sentia-se poderoso. Porém quando a dor o atingiu, ele viu que algo precisava ser feito; ele precisava de ajuda para mudar.