Pinchás era neto de Aharon e sobrinho-netode Moshe. Ele é famoso por seu zelo em matar Zimri, o líder licencioso da tribo de Shimon, interrompendo assim uma praga mortal enviada por D’us que afligiu a nação judaica. Como recompensa, ele recebeu o sacerdócio. Segundo fontes midrashicas, Pinchás possuia a mesma neshamá de Eliahu, o Profeta.

No final da porção de Balac, Pinchás toma uma atitude para zelar pela Torá. A porção seguinte do livro de Bamidbar, conhecida como Pinchás, recebeu o nome dele.

Linhagem de Pinchás

Pinchás era filho de Elazar e neto de Aharon, o Sumo Sacerdote.1 O versículo descreve a mãe de Pinchás como sendo uma “dentre as filhas de Putiel”.2 O Talmude explica que isso significa que ela era descendente de Yossef, filho de Yaacov; e Yitro, sogro de Moshe.3

A História de Pinchás

Pinchás estava entre os israelitas que deixaram o Egito e sobreviveram à longa jornada no deserto para a Terra de Israel. No entanto, foi apenas no final deste período de 40 anos, quando os judeus estavam apenas a meses de distância de seu destino, que ele ganhou sua fama.4

Os judeus estavam acampados em Shitim, uma área nas planícies de Moab, nas margens do rio Jordão. Seguindo o conselho do perverso profeta Balam, as filhas de Moab e Midian convenceram os judeus a pecar com elas, levando-os a adorar seu deus, conhecido como Peor.

O comportamento dos judeus despertou a ira divina, e eles foram assolados por uma praga que acabaria matando 24.000 judeus (da tribo de Shimon5). Por instrução de D'us, Moshe convocou os líderes das nações e disse-lhes para julgar os ofensores e puni-los com a morte, fazendo com que a raiva de D'us diminuísse. A nação se reuniu na entrada do Tabernáculo, com a intenção de seguir a ordem de Moshe.

Contudo, antes que pudessem fazê-lo, Zimri, filho de Salu, um dos líderes da tribo de Shimon6, aproximou-se da multidão junto com Cozbi, filha de Zur, um dos cinco reis midianitas. Enquanto todos olhavam, ele entrou em uma tenda e se envolveu descaradamente em relações sexuais com ela.

Vendo esse comportamento rebelde, Pinchás agarrou uma lança, entrou na tenda e matou ambos com a lança, perfurando os dois juntos, enquanto estavam no meio do ato. Essa ação trouxe um fim imediato à praga.

O ato de Pinchás o colocou em grande perigo. O Talmud relata que D'us realizou nada menos que seis milagres em seu nome para protegê-lo de injúrias.7 Devido à associação de Pinchás com milagres, visualizar Pinchás em um sonho prediz que um evento maravilhoso ocorrerá ao espectador.8

Uma Exceção

O ato de Pinchás não foi meramente uma reação espontânea, mas teve base legal na Lei Judaica. Embora uma penalidade normalmente só pudesse ser administrada pelo tribunal, em alguns casos excepcionais, era concedido permissão para que os espectadores passassem a punição independentemente. Um desses cenários era se alguém testemunhasse um judeu pecar com uma mulher não judia em público.9

Essa autorização para punir limitava-se ao tempo real do coito e nem um momento depois. Além disso, se alguém se aproximasse do tribunal e pedisse permissão para administrar a punição, seria instruído a se abster. Somente se o fizesse por sua própria vontade, seria considerado louvável..10

Definindo Zelo

A natureza do crime de Zimri fez dele uma questão moral extremamente sensível. Por um lado, a Torá considera o que ele fez merecedor de morte. Por outro lado, não confia a execução da sentença ao processo judiciário normal, decidindo que "os zelosos deveriam feri-lo". Quem, então, se qualifica como zeloso?

Os motivos do zeloso que toma ações unilaterais são extremamente importantes, pois suas próprias qualificações como zeloso dependem da pergunta sobre o que exatamente o levou a fazer o que fez. O ato dele é verdadeiramente um ato de paz, motivado para "acalmar a ira de D'us", ou ele encontrou uma saída sagrada para sua agressão individual, tornada “casher” pela suposição do rótulo "fanático"?

O verdadeiro fanático é um indivíduo totalmente altruísta - alguém que se preocupa apenas com o relacionamento entre D'us e Seu povo, sem pensar em seus próprios sentimentos sobre o assunto. No momento em que seus preconceitos e inclinações pessoais estão envolvidos, ele deixa de ser zeloso.

As tribos de Israel sabiam que o caso de Zimri justificava a lei de que "os zelosos o ferem". Mas eles eram céticos em relação às motivações de Pinchás. Pinchás foi verdadeiramente cuidadoso e altruísta? Muito mais provável, disseram eles, que o que temos aqui é um jovem revoltado que pensa ter encontrado uma saída sancionada pela Torá para descarregar sua agressão.

Então D'us conectou explicitamente o nome de Pinchás à Aharon ("Pinchás, filho de Eleazar, filho de Aharon, o sacerdote"), o homem mais gentil e pacífico que Israel conhecia. Em caráter e temperamento, D'us estava atestando que Pinchás assemelha-se a seu avô Aharon. Ele não apenas não está inclinado à violência - é a própria antítese de seu temperamento natural. Pinchás é um homem de paz, que fez o que fez com o único objetivo de “afastar a minha ira dos filhos de Israel.”11

Pincheas Recebe o Sacerdócio

D'us recompensou Pinchás por sua bravura com o sacerdócio eterno:

“Pinchás, filho de Eleazar, o filho de Aharon, o sacerdote, desviou minha ira de sobre os filhos de Israel, ao levar minha vingança entre eles, e assim não consumi os filhos de Israel com minha ira. Portanto, disse: Eis que lhe dou a minha aliança e será para ele, e para sua descendência depois dele, uma aliança de sacerdócio perpétua, porque zelou por seu D'us e fez expiação pelos filhos de Israel.”12

O sacerdócio é geralmente um status herdado, recebido em virtude de nascer em uma família sacerdotal. Por que era necessário que Pinchás fosse abençoado com o sacerdócio, se seu pai e seu avô eram sacerdotes?

Os comentaristas explicam que quando Aharon recebeu o dom do sacerdócio foi informado que ele e seus filhos seriam sacerdotes, bem como todos os futuros descendentes do sexo masculino. Pinchás foi o único neto nascido antes deste decreto e, portanto, não era sacerdote antes dessa declaração divina.13

Pincheas na Terra de Israel

Pinchás também desempenhou um papel em vários eventos posteriores na história judaica. Pouco depois do episódio de Zimri, Pincheas uniu-se aos 12.000 soldados enviados para a guerra contra Midian.14

Pinchás foi um dos dois espiões enviados por Yehoshua para explorar Yericó. Quando o rei de Yericó soube da intenção e Raabe, sua anfitriã, se ofereceu para escondê-los, Pinchás declinou, dizendo que ele tinha a capacidade angelical de se tornar invisível.15

Após conquistar a terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad e metade de Menashe se estabeleceram a leste do rio Jordão. Eles então começaram a construir um grande altar na margem ocidental do rio. Pensando que eles a haviam construído para fins de sacrifício, as outras tribos prepararam-se para guerrear contra eles, pois era proibido fazer sacrifícios fora dos limites do Tabernáculo em Shiló. Pinchás liderou uma delegação às três tribos e apontou seus supostos erros. As tribos explicaram que haviam simplesmente construído o altar como uma estrutura de testemunho, e uma possível calamidade foi evitada.16

Pinchás foi um profeta,17 e duas de suas profecias são mencionadas nas escrituras.18 Alguns identificam Pinchás como o "Anjo Divino" que apareceu ao juiz Guideon, transmitindo a mensagem de D'us de que ele salvaria os judeus das mãos dos midianitas.19

Durante o incidente das “Concubinas Guivá”20, Pinchás pediu instruções divinas se os israelitas deveriam travar guerra contra a tribo de Beniamin , como punição pelas más ações dos habitantes de Guivá.21

A última vez que Pinchás é mencionado explicitamente nas Escrituras é como um líder levita durante o reinado do rei David.22 No entanto, de acordo com uma passagem famosa do Midrash, mas enigmática, Pinchás estava ativo muito mais tarde na história.

Família e Discípulos

Pinchás serviu como Sumo Sacerdote após a morte de seu pai Eleazar, e foi sucedido por muitas gerações de Sumos Sacerdotes. Uma lista de seus descendentes que serviram nesta posição é citada no Livro de Crônicas.23 O mais famoso deles é Ezra, o escriba, líder judeu no início do período do Segundo Templo.24

Pincheas é mencionado como herdando uma porção de terra em Israel, que serviu como local de sepultamento para seu pai Eleazar.25

Pincheas recebeu a Tradição de Moshe e a transmitiu a Eli, o Sumo sacerdote.26

Pinchás e Eliahu

Várias fontes midrashicas identificam Pinchás com o famoso profeta milagroso Eliahu27. Isso se baseia em vários paralelos compartilhados por ambas as personalidades, incluindo suas vidas longas e o fato de as Escrituras as compararem a um anjo..28

(Mesmo sem estar ligado a Eliahu, que viveu mais de 500 anos após o nascimento de Pinchás, Pinchás gozava de extrema longevidade. Ele é mencionado pela primeira vez nas Escrituras durante o Êxodo do Egito, em 2448, da Criação [1313 AEC], e ainda estava vivo durante o reinado do rei David, que governou de 2884 a 2924 [877-837 AEC], totalizando mais de 400 anos.29)

No entanto, outros textos do Midrash afirmam que Eliahu era da tribo de Gad ou Beniamin. De acordo com isso, ele não era Pinchás, que era levita.30 Uma abordagem alternativa adotada nos trabalhos cabalísticos é que Pinchás e Eliahu compartilhavam almas.31

A semelhança entre Pinchás e Eliahu também é expressa no comportamento de ambos. Por um lado, os dois foram capazes de agir com firmeza quando necessário, de tornar correto o que estava errado, de proteger do perigo. Por outro lado, ambos enxergavam bondade nos outros, o potencial dele ou dela e suas conquistas positivas.