Mais de um século se passou desde que o Titanic afundou no Oceano Atlântico, mas o público continua tão fascinado pela história do navio fatídico como sempre. Por quê? Porque não é o único caso assim!
Existem diversas teorias, mas uma popular explica a grande quantidade de narrativa, metáfora e ironia no trágico fim desse navio em particular. Ele era considerado "inafundável", mas, apesar de todos os seus recursos, não foi páreo para um iceberg, e 1.500 passageiros e tripulantes perderam a vida.
A arrogância da humanidade encontrou seu trágico fim diante da natureza. Afinal, os humanos não controlam tudo.
Sabe quem controla tudo incluindo a natureza também? D’us.
O Milagre da Serpente
Quando Aharon e Moshe invadiram o palácio do Faraó, exigindo a libertação dos israelitas em nome de D’us, o Faraó, descaradamente, exigiu um sinal do poder Divino. Aharon respondeu jogando seu cajado no chão. Ele se transforma instantaneamente em uma serpente. Os feiticeiros egípcios conseguem fazer o mesmo, e uma batalha de serpentes se inicia: a serpente de Aharon se transforma novamente em um cajado e engole todas as outras:
Cada um deles lançou ao chão o seu cajado, e eles se transformaram em serpentes; mas o cajado de Aharon engoliu os cajados deles.1
Qual o significado deste milagre? Qual a importância do cajado se transformar em serpente, depois voltar a ser um cajado e engolir todos os outros no processo? E por que esse ato singular foi escolhido para ser o primeiro milagre a abrir as comportas dos milagres que estavam prestes a acontecer no Egito?
Um Projeto Cósmico
Para chegar ao fundo disso, vamos voltar ao próprio início da Criação. A Cabala explica que D’us implantou energia Divina em cada canto deste mundo recém-criado. Os cabalistas chamavam essas explosões de energia Divina de “faíscas”.
É claro que essas faíscas eram, e continuam sendo, invisíveis a olho nu. Isso porque a camada grosseira e excessivamente materialista de um mundo vil e depravado as cobre e não as deixa “sair”.
Os cabalistas comparavam essa camada material a uma “casca”, semelhante à casca que cobre uma fruta deliciosa e desejável. É um conceito amplo e abrangente, mas, em resumo essa realidade cria o nosso próprio propósito na Terra: acessar essas faíscas e “redimi-las”. Ou, em outras palavras, expor a energia Divina que existe em cada interação e em cada canto do mundo.
O Projeto Egípcio
Curiosamente, os cabalistas nos dizem que o Egito recebeu uma abundância dessas faíscas, tornando a tarefa de “redenção das faíscas” ainda mais importante. Ao mesmo tempo, sua “casca” era de extrema depravação e degeneração moral.
De fato, o Egito é visto como o protótipo do mal que nega seu criador. O profeta Yechezekel disse: “Ó Faraó, rei do Egito, o grande crocodilo 2 que se deita no meio dos seus rios, que disse: ‘Meu rio é meu, e eu me criei.’”3
Este é o segredo das grandes pragas que assolaram os egípcios: esmagar a espessa casca de resistência egípcia e, finalmente, liberar as faíscas que os aproximariam de D’us. Quando tudo estivesse concluído, os “egípcios saberão que Eu Sou D’us.”
Voltando à Serpente
Como prelúdio à mudança cósmica que estava prestes a acontecer, Aharon lançou um cajado no palácio egípcio e deu início aos acontecimentos.
Veja bem, a imagem de um cajado representa a energia Divina que desceu do Alto para ser implantada neste mundo. O bastão longo e fino denota um fluxo descendente de energia, simbolizando a jornada da faísca através do cosmos até a paisagem egípcia. Embora tenham sido lançados para longe, estão diretamente ligados a D’us; uma linha reta pode ser traçada de volta a Ele. A serpente, é claro, é exatamente o oposto: remontando aos dias do Éden, ela é o protótipo do mal e da negatividade neste mundo.
Então, primeiro Aharon transforma o cajado em uma serpente, representando a triste jornada das faíscas, de estarem diante de D’us a ficarem presas em uma gaiola egípcia depravada. Do cajado à serpente.
Mas então, a serpente se transforma novamente em um cajado, simbolizando o que, felizmente, acontece em seguida: eventualmente, até mesmo o Egito será destruído e a energia Divina retornará à sua fonte.
“Dez pragas maravilhosas virão, meus amigos egípcios”, proclamou Aharon. “E quando D’us terminar com vocês, não haverá um canto deste país que não O conheça. Todo e qualquer vestígio de energia Divina nesta terra será exposto.”
Da serpente de volta ao cajado — engolindo todas as serpentes negativas ao longo do caminho.
Pare de ser uma serpente
Às vezes, nos deixamos levar pela mentalidade egípcia. Nos iludimos pensando que nos criamos sozinhos. Não literalmente, é claro, mas como no Titanic.
Como isso se manifesta?
Você observa o Shabat, claro. Mas se preocupa muito antes de se desconectar por muito tempo, então trabalha até o último minuto, entrando de forma inadequada no Shabat como um louco.
Sim, você é honesto em suas negociações comerciais, mas quando a Amazon entrega um pacote extra por engano, você não se dá ao trabalho de avisá-los.
Sua amiga não foi legal com você, ou por algum motivo nunca tem dinheiro quando você pede de volta que emprestou para ela semana passada, então você fica chateada com ela, jurando nunca mais ser legal e começa a tramar a sua ruína.
Entendeu a ideia? Se você realmente acreditasse que D’us controla tudo, que existe uma energia Divina por trás de tudo, você não faria nada disso. O Shabat é mais importante do que aquele último e-mail, a Amazon pode não precisar do seu dinheiro, mas D’us ainda está observando, e sua amiga? Ah, ela é só uma ferramenta.
Em vez disso, você caiu na armadilha egípcia do "Eu me criei sozinho", se deixando levar pela ideia de quanto você pode manipular seu próprio destino. Você está, na prática, fazendo a declaração faraônica: "Eu estou no controle, tudo depende de mim, e agora que X está ou não acontecendo, estou chateada e com medo".
Mas você não está. D’us está. Relaxe e deixe a santidade e a Divindade ao seu redor se manifestarem enquanto você assiste ao espetáculo. Você é um instrumento conectado a D’us, não uma serpente egípcia com problemas de arrogância. E quando você internalizar isso, terá vivenciado seu próprio Êxodo pessoal.4
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