A pergunta me persegue desde Nova York até Londres, depois Tóquio e agora até Haifa: Onde está a mesa judaica que sempre parece ter um lugar para mim?

Em Israel, muitos dos meus amigos mais queridos passam o Shabat e as festas rodeados por seus filhos, netos e até bisnetos. Vejo as famílias que eles criaram reunidas em torno de longas mesas, passando comida e tradições de geração em geração, rindo, cantando e recitando a Bênção após a Refeição em perfeita harmonia. O contraste com a minha própria vida pode ser doloroso.

Este ano, meus dois filhos estarão em Tóquio para Rosh Hashaná , enquanto eu ficarei em Haifa com meu cachorro. Parece patético? "Ai de mim", como minha mãe diria, rindo, sobre essa tentação de me lamentar.

O que me tira do sério não é apenas ficar longe dos meus filhos este ano. É a pergunta que venho tentando responder em boa parte da minha vida adulta: Aonde vou passar as festas?

Durante muitos anos, resolvi o problema tornando-me eu mesma a anfitriã. Mas aqui em Haifa, meus amigos observantes mais próximos vivem uma subida bastante árdua de 500 degraus até o topo do Monte Carmelo. Embora eu tenha outros amigos queridos que amo, acostumei-me às orações, às tradições e à atmosfera acolhedora criada quando a sabedoria da Torá é o foco principal à mesa.

Então, para onde vai um judeu quando a mesa da família está a milhares de quilômetros de distância — ou quando as pessoas que amamos se relacionam com a fé de maneiras muito diferentes das nossas? Para mim, a resposta tem sido Chabad.

Chabad tornou possível que um judeu em praticamente qualquer lugar do mundo encontre uma mesa de Shabat ou de feriado. Ligar para um Beit Chabad não exige muita coragem, basta um telefonema ou uma mensagem de WhatsApp.

Podem nos chamar de corações solitários, se quiserem. Ou podem nos chamar de pessoas que simplesmente vivem a vida de forma diferente. Para Chabad, vamos como somos. Alguns de nós estamos separados de nossas famílias pela geografia. Alguns pela ideologia. Alguns por uma grande diferença em como nos relacionamos com o judaísmo. Outros talvez nunca tenham se casado ou tido filhos, ou seus filhos construíram suas vidas em países distantes. Alguns são turistas. Alguns estão em busca de algo. Geralmente não há questionamentos sobre por que chegamos sozinhos ou sobre as roupas que estamos usando. Durante a refeição, em vez de simplesmente perguntar "Quem é você?", o rabino pode se virar para um convidado e dizer: "Por favor, diga algumas palavras".

Quase invariavelmente, o rosto da pessoa se ilumina. Alguém que entrou como um estranho está sendo convidado a contribuir com algo que só ela pode trazer para a mesa.

Uma lembrança inesquecível da hospitalidade Chabad começou em um Shabat escaldante em Tóquio, quando Adrianne, minha mãe, veio da Flórida para nos visitar. Com seu sotaque londrino impecável, ela transpirava bastante em um elegante cardigã de tricô que havia acrescentado ao seu traje para a ocasião. A Rebetzin Efrat Edery percebeu imediatamente o quão desconfortável ela estava:

“Adrianne, fique à vontade”, disse ela. “Você não precisa passar calor aqui!”

Aquele pequeno gesto capturou para mim a beleza da hospitalidade Chabad. Efrat possui seus próprios padrões de vestimenta, mas acolheu minha mãe exatamente como ela era. A aceitação dos judeus, independentemente de onde estejam em sua jornada de vida, está intrinsecamente ligada à filosofia Chabad. Para mim, levou quase 18 anos para perceber que gradualmente mudei de rumo, de frequentadora Chabad em Tóquio para me tornar uma baal teshuvá em Jerusalém.

Ninguém me pressionou para me tornar mais observante. Em vez disso, comecei a fazer perguntas. Por que esses chabadniks são tão felizes? Por que são tão receptivos? Por que são tão gentis e generosos com sua hospitalidade? Por que o judaísmo deles parece tão genuíno? O que eles estão fazendo que eu não faço?

Essas perguntas me levaram a uma ideia enraizada nas palavras proferidas pelo povo judeu quando receberam aTorá no Monte Sinai: Na'assh veNishma — “Faremos e ouviremos”.

Cheguei a entender isso à minha maneira: primeiro seguimos, depois compreendemos. Eu não precisava compreender cada mandamento antes de me permitir vivenciá-lo. Eu podia acender as velas, sentar-me à mesa de Shabat, ouvir as palavras da Torá e sentir em meu coração o que elas despertavam em mim. A compreensão surgia quando algo na parashá semanal se relacionava com algo que acontecia no meu dia a dia.

O Chabad tornou-se uma parte tão importante da minha vida em Tóquio que sete episódios do meu livro de memórias, A Noiva do Wagamama , narram minhas experiências com o Chabad presente lá. Posteriormente, esses episódios foram publicados no site Chabad.org.

Anos mais tarde, quando decidi comprar um apartamento em Haifa, a primeira coisa que fiz foi verificar se havia Beit Chabad a uma curta distância a pé. D’us me deu uma vantagem. Ele colocou uma yeshivá ao lado da minha nova casa, então eu podia ouvir as orações pelas janelas da cozinha.

Neste Rosh Hashaná, sentirei falta dos meus filhos em Tóquio. Jerusalém pode ser o lugar para onde meu coração quer me levar, mas aí meu cachorrinho me olha com aqueles olhos enormes e me lembra que talvez eu não deva ir tão longe.

Então, enviei uma mensagem pelo WhatsApp para a família Wilschanski, que, além de oferecer essas refeições maravilhosas em seu Beit Chabad perto do Hospital Bnai Zion de Haifa, também mantém um olhar espiritual atento aos pacientes.

O tempo judaico não espera necessariamente até que eu me sinta sociável. Mas as festas me convidam a ir além dos meus próprios caprichos e conveniências; elas me convidam para estar com outros judeus no tempo da Torá.

E por esse motivo, agradeço ao Chabad.