Em Rosh Hashaná é inscrito, e em Yom Kipur é selado: quantos morrerão, e quantos nascerão; quem vai viver, e quem morrerá… quem descansará, e quem deverá vagar… quem será empobrecido, e quem será enriquecido; quem vai cair e quem se erguerá…
Da Prece Mussaf para Rosh Hashaná
“Está tudo na cabeça” é uma descrição bastante precisa da realidade de toda pessoa. Se você bater o dedão do pé, o evento tem importância somente para você, porque foi detectado pelo seu cérebro; se você chorar de dor, é somente porque seu cérebro escolheu reagir assim à experiência. Tudo que você percebe, sabe e sente se relaciona com o universo entre seus ouvidos; qualquer ação que você tomar é primeiro concebida, considerada e executada dentro da cabeça.
E tudo aquilo que ocorre dentro da cabeça tem um profundo efeito sobre a pessoa externa: um ferimento no cérebro, D'us não o permita, ou a alteração de sua constituição química, afetará a função e comportamento do corpo, mesmo que não haja mudança perceptível no órgão externo ou membro. Os neurologistas aprenderam a evocar algumas determinadas reações externas, ou melhorar a função de uma determinada faculdade, estimulando a área correspondente do cérebro.
Aquilo que é verdadeiro sobre o ser humano também é verdadeiro sobre outra das criações de D'us: o tempo. O tempo, também, tem um corpo e um cérebro, uma personalidade e uma mente.
Estamos acostumados a considerar o tempo como uma corrente de segmentos: segundo após segundo, hora após hora, segunda-feira após domingo. Dias especiais – Shabat, Rosh Hashaná, Pêssach – cada qual tem seu lugar na sequência de dias e meses mostrados em nosso calendário, precedidos e seguidos pelos dias “comuns” que os separam. Isso, no entanto, é uma noção negligente do tempo, assim como uma descrição do corpo humano em termos puramente físicos – cabelo, pele, osso, sangue, carne, tendões e tecido cerebral classificados somente pela sua justaposição especial um com o outro – é uma visão superficial do homem.
O tempo é um organismo complexo cujos vários órgãos e faculdades interagem entre si, cada qual cumprindo sua função individual e exercendo seu efeito sobre o todo. D'us criou o todo do tempo – toda era, milênio, século, ano e segundo dele – como um corpo único, multifacetado. Ocorre apenas que nós, criaturas finitas e temporais que somos, encotnramos seus “membros”, “órgãos” e “células” um de cada vez, considerando o passado como passado porque passamos através dele, e o futuro como ainda por vir porque ainda temos de vivê-lo.
Assim como o tempo, como um todo, constitui um organismo integral, também o mesmo ocorre com os vários corpos de tempo – o dia, a semana, o mês, o ano, etc. – projetados pelo Criador do tempo como componentes distintos do corpo-de-tempo universal. Cada um deses tem sua própria “cabeça”, um centro neurológico que gera, processa e controla os estímulos e experiências de seu “corpo”.
Portanto se aprendemos a ser sensíveis à estrutura do tempo, podemos transcender a linha de tempo “sequencial” de nossas vidas. Se, ao entrar na “cabeça” de um corpo de tempo específico, nós o imbuímos com uma determinada qualidade e estimulamos seu potencial de alguma forma, podemos afetar profundamente os dias e experiências daquele corpo de tempo inteiro, estejam eles em nosso “futuro” ou em nosso “passado”.
Quarenta e oito horas
Os dois dias de Rosh Hashaná, o “Cabeça do Ano”, são quarenta e oito horas que incorporam um ano inteiro.
Em Rosh Hashaná nos recomprometemos com nossa missão na vida, reiteando Adam coroando D'us como Rei do universo – um compromisso que se torna o alicerce para o nosso serviço a D'us no decorrer do ano. Rosh Hashaná também inicia os “Dez Dias de Tshuva” que cuminam em Yom Kipur, dias para um balanço da alma e para tomar novas iniciativas; resoluções tomadas nestes dias “neurológicos” do ano são muito mais eficazes – tendo estimulado o cérebro, o corpo prontamente o segue. Em Rosh Hashaná, também rezamos por vida, saúde e sustento para o ano que se inicia, pois este, o cabeça do ano, é o dia no qual os atos do homem são pesados e seu sustento para o ano é concedido pelo Juiz e Provedor sobrenatural.
Está tudo na cabeça. Em Rosh Hashaná entramos na mente do ano; todos os nossos pensamentos, palavras e ações neste dia ressoam pelo corpo inteiro.
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