Desfrute de quatro breves reflexões e um vídeo adaptado dos ensinamentos do Rebe de Lubavitch sobre a Parashá Behaalotecha.

Por que Perdermos Essa Oportunidade?!

Arte de Sefira Lightstone
Arte de Sefira Lightstone

Na porção da Torá desta semana, aparece o episódio de Pessach Sheni. Havia certos indivíduos que se tornaram ritualmente impuros e, portanto, não podiam preparar a oferta Pascal no tempo apropriado. Eles se aproximaram de Moshe e Aharon e disseram: “...Por que deveríamos ser privados e não poder apresentar a oferta a D’us no tempo certo, entre os filhos de Israel?”

A Torá continua descrevendo como D’us respondeu ao seu apelo, estabelecendo Pessach Sheni [um “Segundo” Pessach] no dia 14 de Iyar (exatamente um mês após Pessach), para servir como uma segunda oportunidade para todos os que estavam “ritualmente impuros ou em um caminho distante”.

Aqui reside uma lição para cada um de nós: um grupo de judeus se encontrava em um estado que, por decreto Divino, os absolvia do dever de trazer a oferta de Pessach. No entanto, eles se recusaram a aceitar que essa via de relacionamento com D’us lhes fosse fechada. Argumentaram para suas oferendas também fossem aceitas, mesmo em outra oportunidade. Essa demonstração de sincero e profundo amor na vontade de se conectarem com o Criador indagando "Por que devemos ser privados disso?", influenciaram D’us a estabelecer uma nova instituição, “Pessach Sheni", para permitir que eles, e todos os que se encontrassem em situação semelhante, "apresentassem a oferta de D’us em seu tempo, entre os filhos de Israel".

Assim também nós, por mais de 1900 anos, nossos “Pessach” têm sido incompletos. Um componente central das celebrações da festa — a oferta pascal — está ausente de nossa mesa do Seder. Devemos nos recusar a nos conformar com o decreto do exílio. D’us deseja e espera que invadamos os portões do céu com o apelo e a exigência: "Por que devemos ser privados disso?!”

O Trabalho de Um Judeu

Arte de Sefira Lightstone
Arte de Sefira Lightstone

Behaalotecha começa com a ordem dada a Aharon para acender a Menorá no Santuário. A Menorá simboliza o povo judeu, pois o propósito da existência de cada judeu é espalhar a luz Divina por todo o mundo, como está escrito: “A alma do homem é a lâmpada de D’us”. Com a luz da Torá e a vela das mitsvot, iluminamos o ambiente ao nosso redor.

A Menorá se estende para cima em sete braços, que simbolizam sete caminhos diferentes de serviço Divino. E, no entanto, foi feita de uma única peça de ouro. Isso mostra que as diversas qualidades que caracterizam o povo judeu não diminuem sua unidade fundamental. A diversidade não precisa levar à divisão, e o desenvolvimento da verdadeira unidade vem da síntese de diferentes impulsos, cada pessoa expressando seus talentos e personalidade únicos.

A Menorá não apenas aponta para a importância de cada indivíduo, mas a maneira como foi acesa ressalta a necessidade de esforço individual. Esse conceito se reflete no significado literal da frase que a Torá usa ao transmitir a ordem Divina para acender a Menorá: “Quando levantares as lâmpadas”.

Rashi explica que isso significa que o cohen deve aplicar a chama ao pavio “até que a chama se eleve por si só” e brilhe independentemente.

A Jornada do Exílio

Arte de Sefira Lightstone
Arte de Sefira Lightstone

A leitura da Torá desta semana relata as jornadas do povo judeu pelo deserto. Depois de acamparem no Sinai por mais de um ano, eles desmontaram o acampamento e começaram a caminhada para Eretz Israel. Nossos Sábios explicam que essas jornadas refletem um padrão eterno. Em um sentido mais amplo, elas podem ser entendidas como a descrição de um paradigma que existe ao longo da história de nossa nação. A entrada em Eretz Israel representa o ápice do processo, a vinda de Mashiach.

Nesse sentido, nossos Rabinos observam que o deserto é chamado de "o deserto das nações" e comparam a jornada do nosso povo por ele à sua jornada pelo "deserto das nações" durante nossos 2000 anos de exílio.

Na jornada pelo deserto, a arca era carregada à frente do povo. É como uma criança aprendendo a andar. Ela fica de pé. Seus pais ficam um pouco afastados dela e a criança dá um passo em direção a eles. À medida que ela avança, eles dão um passo para trás, mantendo contato visual com ela e guiando-a para frente.

Este foi o padrão pelo qual a arca conduziu o povo através do deserto e este é o padrão, embora sem a conexão consciente, pelo qual D’us nos está conduzindo em nossa jornada coletiva até que, juntamente com Mashiach, retornemos a Eretz Israel.

Um Deserto Árido

Arte de Sefira Lightstone
Arte de Sefira Lightstone

No Monte Sinai, os judeus receberam a Torá e, logo depois, construíram o Mishcan, Santuário. Contudo, nosso povo não se contentou em ter alcançado essas alturas espirituais. Em vez de se acomodarem e permanecerem no deserto, onde D’us supria todas as suas necessidades, partiram em uma missão: viajar para Eretz Israel.

O deserto é árido e desolado. No entanto, à medida que os judeus o atravessavam, transformavam-no, ainda que temporariamente, em uma terra habitada, um lugar onde cresciam plantações, árvores e até flores. Pois os judeus não viajavam de mãos vazias. Levavam consigo a Torá que lhes fora dada e o Mishcan que haviam construído. A presença Divina que residia no Mishcan e que se manifesta em nossas vidas, trouxe essas mudanças positivas ao ambiente em que viviam.

O Baal Shem Tov explica que as jornadas do povo judeu pelo deserto refletem as jornadas de cada indivíduo ao longo da vida. Algumas das fases pelas quais passamos podem parecer áridas e desoladas. No entanto, devemos reconhecer que este é apenas o cenário externo em que nos encontramos. Ele não deve refletir nosso estado interior — pois a presença Divina nos acompanha em todos os momentos e a Torá está conosco em todos os lugares. Isso preenche nossas vidas com significado e profundidade interior, o que, por sua vez, nos capacita a sermos voltados para o mundo exterior. Podemos transformar os ambientes em que vivemos e cultivar sua expansão e desenvolvimento.

Cada Lar um Templo

D’us ordenou a Aharon, o Cohen Gadol, que acendesse a menorá que ficava no Templo Sagrado todos os dias e que se certificasse de que ela permanecesse sempre acesa. Em um discurso às crianças, o Rebe nos lembra que a Torá chama o povo judeu de “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Cada judeu, especialmente as crianças, deve usar a mensagem da menorá para iluminar o exílio e apressar a redenção.