Um chassid queixou-se ao Rebe de Rudzin que a fonte de seu sustento havia secado e que ele havia empobrecido. O Rebe deu-lhe uma bênção para ter sucesso em seu ganha-pão.

“Mas isto não é suficiente, Rabi” - o homem persistiu, desejando obter uma solução imediata. “Não tenho dinheiro para sequer comprar comida!”

“Então está passando fome?” - o Rebe perguntou.

“É claro!” - o homem respondeu.

“Você é um sujeito de sorte!” - exclamou o Rebe, ignorando sua expressão de espanto. “Ontem fui consultado por um homem cuja esposa estava com uma séria doença que ocasionou sua perda total de apetite; ela não conseguia nem olhar para a comida. Ele dispendeu uma grande soma de dinheiro, levando-a a inúmeros especialistas a fim de tentar restaurar seu apetite, mas sem obter resultado. Ela está definhando lentamente.

“Pense só como você é afortunado!” - enfatizou novamente o Rebe, em tom levemente crítico - “poder sentir-se faminto e desejar comida.”

É verdade que muitas vezes passamos por inúmeras privações e sentimo-nos infelizes pelas coisas que nos faltam. Devemos lembrar, entretanto, que às vezes a simples percepção da falta de algo pode indicar uma bênção de natureza mais profunda.