Como Moshê foi escolhido para liderar os israelitas para fora do Egito e se tornar o líder conhecido na história?

Antes de seu retorno ao Egito, D'us encontrou Moshê em uma sarça ardente e pediu que ele se tornasse Seu mensageiro. Inicialmente, Moshê hesitou devido às suas fracas habilidades de comunicação, mas D'us não aceitaria um não como resposta. Em uma série de conversas expressas em Shemot 3-4, D'us convence Moshê a ser Seu emissário, exige que o Faraó liberte os Filhos de Israel da escravidão e os conduza ao Monte Sinai. A literatura midráshica lança luz sobre esse episódio fascinante.

O Teste Final

Moshê estava pastoreando os rebanhos de Yitro, seu sogro, o chefe de Midian. Ele conduziu os rebanhos atrás da pastagem livre e veio para a montanha de D'us, para Horeb.1

Era o ano de 2447 desde a Criação, e pode-se dizer que Moshê havia alcançado o lento movimento na sinfonia de sua vida. Ele havia fugido do Egito para escapar da sentença de morte do Faraó, 2 encontrando refúgio em Midian, onde conheceu sua esposa, Tsipora. 3 Depois de cuidar das ovelhas de seu sogro por 40 anos, parecia que ele havia se esquecido em grande parte a situação de seus irmãos.4

Naquela época, os judeus já eram escravos por 115 anos5 e os decretos do Faraó haviam chegado a um ponto de ruptura. Em consonância com a prática egípcia antiga documentada, ele ordenou que bebês israelitas fossem mortos para que ele pudesse se banhar nesse sangue para aliviar sua lepra.6

“D'us não dá a ninguém uma grande tarefa antes de testar sua habilidade com uma pequena.” 7 E então, finalmente pronto para libertar Seu povo, D'us testou Moshê uma última vez.

O rei Davi e Moshê foram pastores antes de se tornarem grandes líderes. D'us observou a maneira como tratavam seus rebanhos para determinar se eram dignos de guiar Seu povo.8

Quando Moshê pastoreava seu rebanho, ele deliberadamente os conduzia além das pastagens. No deserto, onde moravam apenas os nômades, ele sabia que suas ovelhas e cabras não comeriam safras que pudessem pertencer a outras pessoas. 9 Certa vez, ele percebeu uma ovelhinha se afastando do rebanho. Ele a seguiu até chegarem a uma lago, onde ela saciou sua sede. Moshê se abaixou, gentilmente pegou a ovelhinha nos braços e a colocou em seus ombros. "Eu não sabia que você se desviou porque estava com sede. Você deve estar cansada ”, disse ele, e a carregou de volta para o rebanho.

D'us soube então que Moshê era o homem para o trabalho. “Porque você, Moshê, é misericordioso o suficiente para guiar um rebanhi de ovelhas, prometo que um dia pastoreará Meu rebanho, os israelitas.”10

A Sarça Ardente

D'us desejava revelar-se a Moshê no Monte Sinai para informá-lo do lugar que planejou dar a Torá, mas a distância entre Midian e o Deserto do Sinai é vasta. De acordo com uma tradição, Moshê caminhou por dias em busca degrama para o pasto do rebanho e finalmente chegou ao Monte Sinai. 11 Outra tradição diz que Moshê repentina e milagrosamente se encontrou ao pé da montanha.12

D'us chamou Moshê do topo da montanha, mas o pastor dedicado estava muito ocupado para notar.13 Para chamar sua atenção, D'us orquestrou uma visão estranha: uma sarça no topo do Monte Sinai pegou fogo, mas os galhos não queimaram. Funcionou; Moshê ficou intrigado. “Vou parar o que estou fazendo agora e ver este espetáculo mais de perto! Por que o arbusto não está pegando fogo? ” 14

Muitas explicações são dadas para explicar por que D'us escolheu uma sarça ardente para chamar a atenção de Moshê. Por um lado, Moshê estava preocupado que os egípcios destruíssem inteiramente a nação judaica. D'us mostrou a ele a sarça para demonstrar que embora os judeus sofressem nas mãos do Egito, eles não seriam aniquilados. 15 Outra tradição explica que D'us escolheu um humilde arbusto para simbolizar que Ele estava junto com Israel em sua dor. 16

Quando D'us viu que Moshê havia notado a sarça, Ele o chamou do topo da montanha. Moshê subiu e anunciou: “Estou ao seu serviço”.

D'us instruiu Moshê a tirar os sapatos, que não podiam ser usados onde a Presença Divina descansava (assim como os sacerdotes no Templo, que tinham que servir descalços). 17

Primeiro, D'us se apresentou: “Eu sou o D'us de seu pai e o D'us de Avraham, Yitschac e Yaacov.”

Moisés escondeu o rosto, com medo de olhar para D'us. Alguns sábios talmúdicos18 veem isso sob uma luz negativa: ao rejeitar a oportunidade de ver a glória de D'us, ele perdeu a chance de vê-la novamente. Quando mais tarde ele quis olhar para o rosto de D'us19 após receber a Torá, D'us recusou. “Você não pode ver Minha face, porque ninguém viu Minha face e viveu.” 20 D'us disse a Moshê: Quando Eu quis mostrar-lhe Minha glória, você não quis ver; agora que você quer, não quero mostrar para você.

Outros sábios21 vêem a hesitação de Moshê como algo louvável. Porque ele escondeu o rosto, ele teve o privilégio de ter seu semblante brilhar quando desceu do Monte Sinai. 22

O Comando

Durante o "Pacto entre as Partes", D'us disse a Avraham que seus filhos seriam estranhos em uma terra estrangeira por 400 anos.23 Essa contagem começou com o nascimento do filho de Avraham, Yitschac. Yitschac tinha 60 anos quando Yaacov nasceu, e Yaacov veio para o Egito quando ele tinha 130 anos. 24 D'us esperou até que os 210 anos restantes terminassem antes de resgatar o povo de Israel.25

Até então, os israelitas reclamaram das difíceis condições dos escravos, mas não pediram diretamente a D'us que interviesse. Ao perceber que somente D'us poderia ajudar, eles finalmente clamaram por Ele em preces.

“Eu vi sua dor”, D'us disse a Moshê, “e continuo a vê-la. No entanto, Meu povo havia esquecido que Eu prometi a Yaacov que os salvaria. 26 Só agora o clamor dos filhos de Israel veio diante de mim. 27 Portanto, é chegado o momento de Eu libertar os israelitas da escravidão. Vá ao Faraó e liberte Minha nação!”

Moshê hesita. Ele ainda é um fugitivo, tendo escapado por pouco da pena de morte. 28 Além disso, quem era ele para falar com o maior governante da civilização? E a nação de Israel, eles eram mesmo dignos de redenção? 29

Moshê lembra a D'us que Ele prometeu a Yaacov: "E eu mesmo também o trarei de volta."

“Você, D'us, deve redimir os israelitas! Quem sou eu para ser seu salvador?”30

D'us promete a Moshê que estará com ele quando ele fizer a perigosa jornada ao palácio do Faraó. “E os filhos de Israel são dignos”, garante D'us. “Quando eles deixarem o Egito, eles receberão a Torá aqui, no Monte Sinai, e se tornarão Minha nação.”

Moshê Continua a se Recusar

Apesar dessas garantias, Moshê continua a hesitar. Primeiro ele pergunta a D'us o que deve dizer aos judeus quando os encontrar. Então, ele afirma: "Os judeus não vão acreditar que o Senhor me enviou!" Mesmo depois que D'us forneceu a Moshê como mostrar alguns milagres para convencer os israelitas de sua autenticidade, Moshê chamou a atenção de D'us para seu impedimento de fala. “Não sou um homem de palavras, nem de ontem, nem de antes de ontem!”

D'us castiga Moshê, lembrando-o de que foi Ele, D'us, quem deu o poder da palavra às pessoas, mas Moshê continua a contestar: "Rogo-te, ó Senhor, envia agora a tua mensagem a quem normalmente enviaste!"31

O Midrash32 relata que Moshê recusou continuamente a missão de D'us por sete dias. Durante esse tempo, ele forneceu cinco desculpas para sua recusa:

  1. Quem sou eu?”33
  2. Quando eles me perguntarem, ‘Qual é o nome Dele?’ o que deverei dizer a eles?”34
  3. “Eles dirão, ‘O Senhor não pareceu para você.”35
  4. Mas não sou um homem de palavras.”36
  5. “Envie agora Sua mensagem para quem Você normalmente enviaria!”37

Finalmente D'us ficou com raiva de Moshê. Enquanto as primeiras quatro reclamações podem ser vistas como inquéritos legítimos da parte de Moshê, o final "basta enviar outra pessoa!" só poderia ser interpretado como Moshê fugindo de seu destino. Rashi explica que sua hesitação inicial foi por respeito a seu irmão mais velho, Aharon. Quando D'us prometeu que Aharon não ficaria chateado, Moshê concordou em se tornar Seu mensageiro e o líder conhecido na história.

A Sarça Ardente como Modelo de Vida

O Lubavitcher Rebe Anterior, 38 Rabi Yossef Yitzchak Schneerson, abençoada memória, compara a sarça a um indivíduo que deseja servir a D'us, mas não tem a capacidade de expressar sua devoção. Ao contrário de um grande erudito que pode saciar seu amor por meio do estudo da Torá e prece, o simplório não tem esse luxo. Ele ou ela é, portanto, caracterizado como tendo um fogo, um amor, que não se apaga - ou seja, não pode ser satisfeito por meio da oração. Ele ou ela permanece constantemente com sede.

Isso, diz o Rebe Anterior, é uma grande virtude. Moshê, um homem justo, certamente tinha a habilidade de satisfazer seu amor por D'us. No entanto, ele diz: “Eu irei daqui e chegarei mais perto do arbusto, daquela forma de desejo constante”, indicando seu desejo de ser elevado à condição de simplório.

A sarça ardente nos ensina a não nos decepcionar com nosso estado atual de não saber. Há mais beleza na jornada do recém-iniciado do que na perfeição dos justos.

O Degel Machaneh Ephraim39 (Rabino Ephraim de Sudlikov, falecido em 1800), por outro lado, vê a sarça ardente como um exemplo do fenômeno da prece ineficaz.

Todos nós temos “espinhos” - características de nosso caráter das quais preferiríamos nos livrar. Por meio da oração apaixonada e do serviço Divino, esperamos que esses “espinhos” queimem. Às vezes, assim como "a sarça estava queimando, mas não estava sendo consumida", não importa o quanto tentemos (através de livros de autoajuda, visitas a psicólogos e preces sinceras), parece que simplesmente não conseguimos remover essas falhas de caráter.

Não tenha medo, diz o Rabino Ephraim. Moshê foi instruído a tirar os sapatos na presença da sarça, “pois vocês estão em solo sagrado”. Até mesmo nossas falhas são parte do grande esquema da criação, e D'us nos ama apesar delas.