Se um ser humano estivesse para morrer sem sofrimento, o Atributo da Justiça teria a mão superior contra ele no dia do julgamento. Seus sofrimentos no mundo atual expiariam seus pecados.

A maior de todas as expiações é a morte.

Portanto, no versículo "E D’us viu tudo que tinha feito, e viu que era muito bom" (Bereshit 1:31), nossos Sábios comentaram: Mesmo a morte é muito boa (ou seja, até os maiores tsadikim cometem algum pecado, e a morte os expia).

E. Abba perguntou a R. Shimon: "Por que sempre que o Atributo da Justiça tem a mão superior somente os tsadikim são punidos, embora haja pessoas perversas no mundo? É por que os tsadikim falharam em advertir sua geração? Ou por que seus méritos não protegeram a geração?"

R. Shimon respondeu: "O sofrimento dos tsadikim causam a expiação para o mundo, pois expia os pecados da geração. Veja o exemplo de um corpo doente. Para aliviar a dor, o sangue de um membro deve ser posto para escorrer. Se o sangue é tirado do braço, o corpo inteiro se recupera.

"Assim, o povo judeu metaforicamente abrange os membros de um corpo humano. Se D’us deseja curar o ‘corpo’ inteiro, o ‘sangue’ deve ser ‘extraído’ dos tsadikim.

"Embora as provações do tsadic sejam uma expiação para a geração, elas elevam o próprio tsadic neste mundo e no vindouro.

R. Abba prosseguiu: "Mas por que alguns tsadikim sofrem, ao passo que outros vivem pacificamente?"

"Às vezes o corpo está apenas levemente enfermo, portanto a maior parte dos membros pode ser poupada. Porém se o corpo está muito doente, o sangue deve ser extraído de ambos os braços. Da mesma forma, se há relativamente poucos pecados no mundo, D’us poupa do sofrimento a maioria dos tsadikim, mas se a geração é imensamente perversa, D’us aflige todos os tsadikim para curar a doença largamente difundida."

Para aceitar o sofrimento, devemos entender que segundo a Torá, até o maior deleite deste mundo nada é quando comparado às bênçãos do Mundo Vindouro. Além disso, aquilo que é considerado infortúnio aqui pode na verdade não o ser, quando visto sob a absoluta perspectiva do Mundo Vindouro. E ao contrário, aquilo que parece afortunado neste mundo pode na verdade ser um impedimento ao crescimento espiritual da pessoa.

Portanto, um judeu não deve considerar seu bem-estar físico como um benefício absoluto. Se for golpeado pelo infortúnio, ele deve aceitá-lo com a fé que "tudo aquilo que D’us faz, é para o melhor." Assim como o bem-estar físico não é absoluto, o infortúnio também é relativo. D’us com certeza planejou-o para terminar sendo um benefício, "pois todos os Seus caminhos são justos".

Justiça

No versículo "A Rocha, Seu fazer é perfeito", Moshê também aludiu aos eventos que diziam respeito à sua pessoa. No dia de seu falecimento, Moshê reconheceu publicamente a justiça do veredicto de D’us.

Ele não queria que os judeus pensassem que D’us agia injustamente com ele ao não permitir que entrasse em Erets Yisrael. Portanto, ele explicou que D’us é leal ao recompensar os tsadikim no Mundo Vindouro.

Moshê portanto descreveu D’us como "a Rocha", numa alusão ao seu pecado de golpear a pedra nas Águas de Meriva, pelo qual ele estava então sendo punido.
Assim como o maior dos profetas (Moshê) reconheceu a justiça de D’us no dia de sua morte, fazemos da mesma forma quando sabemos da morte de alguém.
Pronunciamos a bênção: "Bendito sejas Tu, D’us , nosso D’us, Rei do mundo, o verdadeiro Juiz."

Moshê explica aos judeus que todo pecado é auto-infligido; D’us não deve ser culpado por isso: "Se vocês se atolarem no pecado, é por sua própria culpa. Vocês, os amados filhos de D’us , desse modo se tornam uma geração corrupta e perversa.
"Além disso, quando vocês pecam, estão se corrompendo. Prejudicam a si mesmos, não a D’us ."