1 – Mito: Rosh Hashaná é o “Ano Novo Judaico”

Cartões, cumprimentos e até artigos de Chabad.org se referem a Rosh Hashaná como o “Ano Novo Judaico”, o que pode implicar que é o equivalente judaico ao dia 1º de janeiro.

Fato: Rosh Hashaná é a “Cabeça do Ano”.

Está certo, rosh “cabeça” em hebraico e shaná significa “ano”. Mais do que justo o primeiro dia do ano, Rosh Hashaná funciona como a cabeça do corpo humano. Se a sua mente é saudável, envia sinais saudáveis, direcionando adequadamente suas partes do corpo. Da mesma forma, um Rosh Hashaná saudável cria uma base saudável para o restante do ano.

Como você tem um Rosh Hashaná saudável? Todos conhecemos as “ordens do Doutor”: “esqueça de trabalhar nesse dia, vá à sinagoga rezar, ouça o shofar, e celebre com refeições festivas.

Outra nuance: Num sentido, não há nada inerentemente “judaico” sobre este feriado. Todo ser humano, na verdade todo elemento da criação, fica perante D'us em julgamento em Rosh Hashaná.

2 – Mito: Somente Judeus da Diáspora Mantêm Dois Dias

Shavuot, Pêssach e Sucot são todos estendidos para um dia extra na Diáspora. Antes quando cada mês era declarado pela corte após testemunhas atestarem ver a lua nova, a notícia do novo mês levava tempo para viajar de Jerusalém, e as pessoas em terras distantes não sabiam qual dia celebrar portanto elas observavam dois dias. Há um engano comum de que Rosh Hashaná, como as festas dos peregrinos, é celebrado somente por um dia em Israel.

Fato: Todos Mantêm Dois Dias

A razão é simples. Rosh Hashaná é celebrado no primeiro dia do mês, quando a lua nova é declarada. Isso significa que até em Israel, eles não poderiam saber com certeza se Rosh Hashaná seria declarado naquele dia ou no dia seguinte.

A prática aceita universalmente se tornou que Rosh Hashaná deveria ser observado por dois dias. Isso garante que a celebração irá definitivamente ocorrer no dia quando testemunhas atestam ver a lua nova, e o novo mês é declarado.

Além de ser celebrado em toda parte, essa festa de dois dias é inerentemente diferente das celebrações duplas observadas por judeus da Diáspora em todos os outros feriados, nos quais cada dia é tratado como possivelmente sendo sagrado e possivelmente sendo um dia comum. Em contraste, os sábios descrevem este feriado como um yoma arichta, um “longo dia”, observado como sendo Rosh Hashaná.

3 – Mito: O Novo Fruto Expressa Nossos Desejos Para o Novo Ano

Na primeira noite de Rosh Hashaná comemos uma série de comidas simbólicas (na maioria doces) para expressar nosso desejo para um ano bom e doce. Isso inclui chalá e maçã mergulhadas em mel, a cabeça de um peixe ou carneiro, cenouras, etc.

Na segunda noite, após o kidush, apreciamos um “novo fruto”, que não comemos durante toda a estação. Algumas pessoas estão sob a impressão de que o novo fruto é um reflexo do novo ano que estamos celebrando.

Fato: O Novo Fruto Nos Permite Recitar a Bênção de Shehecheyanu

O motivo para o novo fruto é de certa forma técnico.

Na primeira noite, dizemos a bênção Shehecheyanu, na qual agradecemos a D'us por nos permitir celebrar estes dias. Falamos essa mesma bênção sobre outras coisas como roupas novas ou um fruto que acabou de chegar à estação. Agora, como foi discutido, os dois dias de Rosh Hashaná são considerados como sendo um dia longo. Assim, alguns sugerem que no segundo dia de Rosh Hashaná a festa não é mais nova, e não traz uma bênção. Outros dizem que o segundo dia é realmente um feriado válido por si mesmo, e a bênção é válida. A halachá segue a segunda abordagem. Mesmo assim, a fim de satisfazer a primeira opinião, temos um novo fruto sobre a mesa e mantemos em mente que a bênção Shehecheyanu (recitada após o acendimento da vela ou kidush) é também para o fruto – apenas para cobrir todas as opiniões.

4 – Mito: Rosh Hashaná é um Dia Triste

Considerando que Rosh Hashaná é o dia no qual D'us decide nosso destino para o ano vindouro, alguns o veem como um dia de tristeza, temor e ansiedade.

Fato: Rosh Hashaná é Marcado por Confiança e Alegria

Não há dúvida de que Rosh Hashaná é um dia solene, quando coroamos D'us Rei do Universo e rezamos por um ano bom e doce. Ao mesmo tempo, é uma mitsvá preparar alimentos deliciosos e tomar bom vinho nas quatro refeições de Rosh Hashaná.

O Livro de Nechemia registra um Rosh Hashaná particularmente significativo na época do Segundo Templo, quando o povo estava tão arrependido pelos seus atos passados que começava a chorar. “Este dia é sagrado para o Senhor teu D'us,” Nechemia disse a eles. “Não pranteiem ou chorem. Vão, comemorem com refeições saborosas e tomem bebidas doces e enviem porções ou possibilitem por meio de tsedacá e envio de alimentos para àqueles que não possuem condições, pois o dia é sagrado para o Senhor, e não fiquem tristes, pois a alegria é a marca dessa época.”

Incidentalmente, o Rebe afirmava que este versículo também nos diz como é importante assegurar que todos, até aqueles com finanças limitadas, são providos com os meios para celebrar o feriado com estilo.

Mesmo quando nosso destino está na balança, somos confiantes de que nosso amoroso Pai vai conceder nossos desejos para um ano doce.

5 – Mito: Você Somente Precisa Ouvir o Shofar Uma Vez

Considerando que tocamos o shofar nos dois dias de Rosh Hashaná (e novamente no final de Yom Kipur), há a inclinação de acreditar que não é tão importante fazer isso aos serviços no segundo dia de Rosh Hashaná (ou em geral, se alguém irá ouvir o shofar em Yom Kipur). Para esclarecer: o Shofar em Yom Kipur não é uma substituição para o shofar de Rosh Hashaná. Ouvir o shofar em Rosh Hashaná é ordenado pela lei da Torá. Tocar na conclusão de Yom Kipur, por outro lado, é um costume não obrigatório.

Fato: Você Precisa Ouvi-lo nos Dois Dias

Ambos dias de Rosh Hashaná são igualmente importantes (em todo lugar do mundo), e portanto é relevante ouvir o shofar nos dois dias. Se você é incapaz de comparecer aos serviços, combine com alguém para tocar o shofar para você (ou toque você mesmo, caso tenha estudado as leis pertinentes) em casa.

6 – Mito: Rosh Hashaná é o dia em que o mundo foi criado.

“Hoje é o nascimento do mundo,” dizemos na liturgia de Rosh Hashaná. Isso poderia parecer implicar que a criação do céu e da terra, o primeiro dos seis dias da criação, ocorreu neste dia.

Fato: É o Aniversário da Criação da Humanidade

D'us começou criando o mundo em 25 de Elul. O primeiro dia de Rosh Hashaná, Tishrei 1, foi o sexto dia, no qual Adam e Chava foram criados. Então por que é celebrado como o aniversário da criação? Porque um mundo sem seres humanos para santificá-lo não vale a pena celebrar. Quando Adam e Chava foram colocados dentro do Jardim do Eden e encarregados de criar algo bonito dentro do caos, o mundo estava pronto para realizar seu potencial.

7 – Mito: Maçã e Mel São Importantes na Celebração

Há pessoas que estão no estágio em seu relacionamento com o Judaísmo que estão dispostos a fazer apenas uma coisa para celebrar Rosh Hashaná. Para alguns, isso pode ser ir a um jantar de Rosh Hashaná e comer todos os alimentos simbólicos.

Fato: Alimentos Simbólicos São Um Costume Talmúdico

Não me entenda errado aqui. Apreciar uma refeição festiva é muito importante, e ter alimentos simbólicos é um lindo costume antigo. Mas se você está disposto a celebrar Rosh Hashaná, o mais importante é ouvir o toque do shofar.

8 – Mito: Em Tashlich Atiramos Nossos Pecados na Água

No primeiro dia de Rosh Hashaná após Minchá, a prece da tarde, vamos a um lago, rio, ou mar (de preferência um corpo de água que tenha peixes), e recitamos a prece Tashlich. A sabedoria comum é que ao fazer isso atiramos nossos pecados na água, Parece bem fácil é conveniente...

Fato: Tashlich é uma Cerimônia Profundamente Simbólica

Seria tolice acreditar que um simples passeio até um lago poderia resultar em perdão por um ano inteiro de erros. De fato, Tashlich é evocativo das cerimônias de coroação de antigamente, onde as águas correntes simbolizavam bons desejos para um longo reinado – apropriado em Rosh Hashaná quando D'us é coroado Rei do Universo.

Durante essa cerimônia esvaziamos nossos bolsos e pedimos que D'us “atire nossos pecados na água”, mas os movimentos físicos não são o que nos garante perdão. Mas sim, se prestamos atenção ao simbolismo e aplicarmos o sincero desejo de curar nosso relacionamento com D'us como retratado nas demonstrações físicas de Tashlich, que é parte do processo de arrependimento e retorno a D'us em pureza.

9 – Mito: Os Assentos em Rosh Hashaná São Caros

Uma sinagoga convencional é estruturada numa maneira que é esperado que seus membros contribuam anualmente com uma taxa adicional esperada para cada assento ocupado em Rosh Hashaná e Yom Kipur. Embora isso geralmente possa ajudar nas despesas da congregação, pode acabar prejudicando àqiueles com menos recursos ou menor freqüência à sinagoga.

Fato: Há Muitos Serviços Gratuítos

Os centros Chabad têm surgido em milhares de cidades, quase sempre oferecendo gratuitamente os serviços da sinagoga. Muitas outras congregações têm adotado essa abordagem também, mantendo as portas abertas da sinagoga para qualquer judeu que deseje participar.