Será que os seres humanos realmente podem construir uma Casa para D’us? O próprio Shlomo HaMelech, Rei Salomão, questionou isso quando construiu o primeiro Templo Sagrado em Jerusalém. "Os céus, nem mesmo o mais alto dos céus, podem conter-Te. Quanto menos esta casa que eu construí!"1

E, no entanto, D’us, Ele próprio, nos instrui a fazer exatamente isso: “E eles Me farão um Santuário, e Eu habitarei no meio deles.” 2

Como devemos entender que o Criador Infinito pode ser contido em uma casa física construída por homens e mulheres finitos?

Vamos fazer o que os judeus sempre fizeram e responder a essa pergunta com outra. Por que o Santuário descrito na leitura desta semana é tão pequeno? Imagina-se que a primeira Casa de D’us teria sido espetacular. Sim, era um templo portátil que precisava ser erguido e desmontado regularmente ao longo de 40 anos no deserto, mas ainda assim, era menor que uma casa pequena! Um teto de peles de animais, unido por parafusos e porcas, ganchos, cavilhas e encaixes. E embora fosse, reconhecidamente, coberto de ouro, estava muito longe dos magníficos palácios e cidadelas de outros.

A moral da história? D’us não precisa de torres espetaculares ou museus para abrigar Sua santa presença. Onde Ele é encontrado? Nos detalhes práticos de uma sinagoga simples.

Em 1983, eu era o rabino fundador da Sinagoga Torah Academy em Joanesburgo. A escola havia comprado um grande terreno que antes abrigava uma instituição católica, e nossa nova sinagoga seria construída onde antes ficava a capela. Muitos dos meus congregados perguntaram se precisaríamos realizar alguma cerimônia específica antes de nos mudarmos.

Na época, o Rabino Betzalel Zolty, uma respeitada autoridade haláchica e ex-Rabino Chefe de Jerusalém, estava visitando nossa comunidade, então eu lhe fiz a pergunta: “Precisamos fazer algo especial para converter a capela em uma sinagoga?”

Sua resposta direta e simples? “Formem um minyan!”

Um minyan, um quórum de no mínimo dez homens judeus rezando juntos, era tudo o que precisávamos para inaugurar e consagrar nossa sinagoga.

E é exatamente assim que convidamos D’us para nossas sinagogas e o fazemos sentir-se bem-vindo. Às vezes, pensamos que precisamos conquistar o cosmos para trazer o céu à terra, mas tudo o que precisamos fazer é formar um minyan simples.

Você não precisa resolver a crise do Oriente Médio, mas pode fazer uma oração por Israel. Você não precisa se tornar um rabino, mas pode frequentar uma aula semanal de Torá. Você não precisa doar bilhões como Bill Gates e Warren Buffett, mas pode dar um pouco mais de tsedacá conforme se sente confortável. E não se espera que você resolva todas as brigas familiares, mas você pode sorrir para o seu cunhado, ou sogra, difícil de vez em quando.

O Alter Rebe, fundador do chassidismo Chabad, disse certa vez:

“Avodá — o verdadeiro serviço a D’us — não implica, como alguns pensam, erroneamente, que se deva pulverizar montanhas e quebrar rochas, ou virar o mundo de cabeça para baixo.

Não!

A verdade absoluta é que qualquer ato é perfeitamente satisfatório quando realizado com autenticidade e intenção verdadeira. Uma bênção proferida com concentração, uma oração feita com a consciência de “diante de Quem você está”, uma passagem do Chumash com a consciência de que é a palavra Divina, um versículo de Tehilim (Salmos), um ato de bondade e compaixão expresso na amizade com outra pessoa, com amor e afeto. São precisamente as pequenas coisas que constroem o Santuário Divino e aproximam céu e terra.

D’us não busca grandeza ou opulência, mas os atos comuns de santidade, espiritualidade e benevolência que tornam nosso mundo um lugar melhor, mais Divino, uma casa sagrada onde Ele possa habitar.

Façamos de nossos lares, e de nós mesmos, pequenos santuários. E Ele habitará entre nós.