Assim me escreveu, há alguns anos, o rabino Dael Cohen, da comunidade Rosh Yehudi, de Tel Aviv:

“Muitas vezes, tudo na vida parece travado. Também na parashá desta semana, Vayigash, a situação parece sem saída. Os filhos de Yaacov Avinu descem ao Egito por causa da fome e se veem diante do governante egípcio, que insiste em manter com ele o irmão mais novo, Binyamin. Eles não sabem que o governante é, na verdade, Yossef, seu irmão. E não sabem como é possível sair dessa situação.

Muitas vezes vivenciamos situações que nos confrontam com desafios. Pode ser um aluno ou um professor que se sente incompreendido, um casal que entrou em crise, pais que têm dificuldade de conversar com os filhos. Você se sente bloqueado, encontra muros pela frente, e tudo parece ir se complicando.

Como agimos então? Quando dói, conversamos. Abrimos nosso coração.

Assim começa a parashá: ‘Vayigash elav Yehudá’ — ‘E Yehudá aproximou-se dele’. Ele simplesmente se aproxima do governante egípcio e clama do fundo do coração. Yehudá expõe, ao longo da parashá, toda a história, incluindo todas as suas sensibilidades e complexidades. Ele fala com fluidez e sinceridade, compartilha seus sentimentos e seus medos, não tem vergonha de expressar sua angústia e também de corrigir seus erros e fazer teshuvá por ações do passado.

Então, o inimaginável acontece: Yossef não consegue mais se conter e revela-se a eles falando que não é um governante egípcio duro, mas sim seu irmão separado deles, “Eu sou Yossef!”. Os irmãos choram, se emocionam e se reencontram; e, depois de anos de ruptura, tudo começa a se encaixar e promover uma reconciliação. Dois minutos antes, Yehudá não teria sequer imaginado que algo assim pudesse acontecer.

Quando começamos a falar abrindo nosso coração, compartilhando nossos sentimentos com sinceridade, de repente, os muros caem. E isso ocorre em qualquer situação na vida. Pode começar em casa, no trabalho, rompendo barreiras que antes pareciam intransponíveis.