Em iídiche, essa língua tão sutil, existe uma palavra fabulosa sem equivalente em outro idioma “derher”.
O que isso significa?
Bem, quando você quer dizer que "ouviu" algo, você usaria a palavra "her", como em "eu ouço” ou “escuto o que você está dizendo". Mas quando você quer dizer que realmente entendeu a mensagem, que ela foi transmitida de verdade, que teve um forte impacto sobre você e que realmente te afetou, existe outra palavra: “derher”. Um possível equivalente seria "entender", mas ainda assim não é suficiente.
Então existe “her ” e existe “derher”. E elas não poderiam ser mais diferentes. E neste jogo da vida, em seus assuntos pessoais e religiosos, o objetivo é seguir em frente. Quando você faz isso, está no caminho certo para a vitória. Um Milagre Curioso Os Dez Mandamentos são mencionados uma segunda vez na porção de Vaetchanan, como parte do discurso de despedida de Moshe ao seu povo. Em sua vívida descrição desse evento marcante, ele usa esta frase singular para retratar a voz de D’us:
D’us falou essas palavras a toda a vossa assembleia no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridão, com uma voz poderosa e incessante. 1
O que significa que a voz não cessou?
O Midrash 2 cita diversas explicações, uma delas sugerindo que a voz não teve eco. Um som que reverberou por toda a terra e que deveria ter produzido um eco estrondoso, que milagrosamente não ocorreu.
Mas qual o sentido desse milagre? Posso compreender que a experiência no Sinai foi majestosa e inspiradora, com trovões e relâmpagos contribuindo para uma experiência sensorial avassaladora. Mas como a remoção do eco contribui para o impacto dramático? Será que D’us estava apenas demonstrando sua capacidade de realizar milagres?
Em um ouvido… e para sempre
A questão era esta: demonstrar que, para realmente receber a Torá , para viver uma vida de convicção (ou qualquer vida, aliás), é preciso absorver completamente a palavra de D’us. Nada dessa bobagem de "entra por um ouvido e sai pelo outro"; ela precisa ficar gravada em você e ser absorvida como aquela mancha de óleo que não sai de sua roupa favorita.
Para explicar…
O som ecoa quando não há nada para absorvê-lo. Você se lembra de quando se mudou para sua casa, com as caixas ainda fechadas e os móveis ainda no caminhão? Se você tivesse gritado no quarto, o som teria ricocheteado nas paredes e atingido seu rosto, certo? Bem, isso acontece porque não havia nada no quarto para absorvê-lo.
Mas, assim que o quarto é preenchido com um sofá, uma cama, uma cômoda, lençóis, roupas e caixas de sapatos vazias que você nem lembra por que tem, mas ainda não consegue se desfazer, o eco desaparece. Por quê? Porque há coisas suficientes ao redor para absorver o som, então ele não reverbera mais.
E foi isso que aconteceu no Har Sinai. A voz Divina realmente reverberou pelo mundo, e as pessoas que a ouviram internalizaram essas palavras, absorvendo-as profundamente em suas mentes, corações e almas. Elas não a rejeitaram, nem a deixaram percorrer a estrada de suas mentes e corações, rumo ao esquecimento. Em vez disso, ela foi impregnada nelas, sem produzir qualquer eco.
Eles não apenas “ouviram” a palavra de D’us; eles a obedeceram.
derher para você, derher para mim, derher para todos
Assim como era no Sinai, deveria ser hoje, todos os dias. Atravessar a ponte de “her” para “derher”.
Os chassidim se sentavam em volta de mesas repletas de bebidas alcoólicas, arenque e biscoitos até altas horas da madrugada, debatendo-se sobre uma única ideia difícil de definir: “Devemos derher!”
Eram pessoas piedosas que passavam horas ouvindo discursos sublimes de seu Rebe , horas em oração e ainda mais horas estudando a Torá. Mesmo assim, desejavam ardentemente dominar a arte do derhering, pois é perfeitamente possível ouvir sobre os perigos de nutrir até mesmo a menor faísca de ressentimento por um semelhante e, depois, voltar para casa e ser incapaz de olhar nos olhos do seu vizinho que lhe deve 100 dólares. É tão fácil ficar preso no mundo de “her” e nunca alcançar o derher.
Você ouviu, concordou, resolveu, mas ainda assim não consegue fazer . Existe um abismo entre entender algo, ou mesmo concordar com algo, e realmente "captar" aquilo a esse nível profundo e visceral que é impossível de outra forma. E assim, outro sincero l'chaim, outra rodada de nigunim, outro tapinha encorajador nas costas. “Nós devemos derher!”
As pessoas resolvem começar a se exercitar, parar de fumar, parar de mandar mensagens enquanto dirigem, mas, semanas depois, não calçaram os tênis, voltaram a fumar sem parar e a mandar mensagens para os amigos dizendo "Chego aí em dez minutos", enquanto dirigem a 120 km/h na estrada.
O que aconteceu? Será que mudaram de ideia? Já não estão convencidos de que o exercício físico faz bem ao corpo e ao cérebro, ou de que fumar é prejudicial, e de que enviar mensagens de texto enquanto dirige é praticamente um suicídio?
Não. Esse não é o problema. Eles ainda “her’, ouvem. Mas ainda não “derher” absorvem. Quando penetrar em seu íntimo, tudo ficará mais fácil.
Quem perdeu um ente querido por causa de mensagens de texto ao volante, quem teve um ataque cardíaco por causa do cigarro, geralmente entende. Essas pessoas realmente sabem, no fundo do coração, o quão são perigosas essas atitudes. Então, simplesmente se abstêm. Sabem que não se deve brincar com fogo. Mas até lá, é tudo "eu ouço". Chegar até “eu entendo” é uma tarefa árdua. Mas perfeitamente possível.
Não posso lhe dizer a receita mágica que vai te fazer atravessar a ponte do "her/derher" . Só você sabe o que é preciso. Mas posso falar que definitivamente existem coisas na sua vida que estão na fronteira entre os dois modos e no momento em que você decidir enfaticamente: "Chega! Vou finalmente falar sério, não apenas da boca para fora", bem, então você terá atravessado essa ponte
Bem-vindo ao universo derher.3
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