Por Yaacov Lieder
Em um seminário que ministrei recentemente, uma mãe falou-me sobre o seguinte problema: "Meu filho de nove anos tem determinadas atitudes que desencadeiam muita raiva em mim. Quando ele faz isso, eu grito e perco a cabeça. Dez minutos depois, sinto-me bastante culpada por me descontrolar, e por algumas das coisas que falei. Como posso conseguir que meu filho deixe de ter este comportamento?"
Eu expliquei que talvez, a princípio, ela não deveria procurar a solução em seu filho, mas ao contrário, olhar para si mesma e encontrar maneiras de lidar com isso. "Nossa vida não é determinada somente por aquilo que nos acontece, mas também pela nossa reação àquilo que acontece; não apenas por aquilo que a vida nos traz, mas pela atitude que trazemos à vida."
Contei a ela a história de um Rebe chassídico que ansiava comprar um lindo etrog (a cidra usada como uma das "Quatro Espécies" na observância do Dia Festivo) para Sucot. Quando o etrog mais bonito do país lhe foi trazido, ele descobriu tristemente que de forma alguma poderia dar-se ao luxo de pagar o preço pedido por ele. Nem ao menos podia arcar com os alimentos básicos para a festa. Ele então, enviou um de seus filhos com a missão de vender o tefilin de seu avô, uma preciosa herança de família, e usar o dinheiro para a compra do lindo etrog. Ao receber o etrog, o Rebe e seus filhos começaram a dançar.
A Rebetsin, que estava sentada na cozinha sem ter o que fazer, pois não possuía ingredientes para cozinhar, ficou certa de que haviam encontrado dinheiro para a comida. Ficou chocada ao descobrir que em vez disso, um etrog havia sido comprado. Em sua frustração, mordeu o etrog, tornando-o impróprio para o uso. O rabino estava a ponto de perder o controle, mas em vez disso, começou a cantar e dançar. Então, ele disse: "Perdi o tefilin de meu avô e agora perdi também o etrog. Devo perder a calma, também?" Ao final desse episódio, ele sentiu que controlar a ira era uma conquista maior que a aquisição daquele etrog especial.
Nesta história, o rabino não mudou o comportamento de sua mulher. Ele apenas mudou sua fisiologia, começando a cantar e dançar. Isso, então, tornou mais fácil mudar sua atitude e chegar à conclusão de que nada há a ganhar ficando irado.
Uma maneira de livrar-se de um estado emocional indesejado é realizando uma ação física com o corpo, que seja totalmente oposta a nossos sentimentos. Por exemplo, se você está triste, comece a cantar uma canção alegre e a dançar pela sala. Se lhe faltar autoconfiança numa entrevista de emprego, sente-se com o queixo erguido numa posição ereta - do jeito que você se senta quando está muito confiante em si mesmo. Nossa mente consciente pode ter apenas um sentimento por vez. Quando demonstramos o comportamento desejado, nossa mente logo seguirá fazendo o mesmo.
Eu sugeri à mãe furiosa (e a todos nós, pais) que quando o filho apertar o botão que a deixa irada, e ela sentir que está prestes a começar seu habitual desempenho de fúria, ela deveria chegar até o filho, abraçá-lo e beijá-lo, dizendo: "Você é tão especial para mim. Eu te amo muito.
Não há nada neste mundo que você possa fazer para que eu deixe de te amar. Então, não adianta tentar." Ela deve continuar a abraçá-lo até que a mente siga suas ações, e seu nível de estresse seja reduzido a um nível passível de controle.
Tente - funciona!