Por Yaacov Lieder
Certa vez, durante uma reunião do corpo docente, os professores estavam reclamando sobre a pesada carga das aulas, e perguntaram se eu, como diretor, poderia reduzir o horário eliminando as brincadeiras no playground. Minha resposta foi que aquela hora passada no playgroun d é talvez a última oportunidade que eles têm, como educadores, de conhecer realmente os seus alunos. Na sala de aula, as crianças são direcionadas por um adulto quanto ao que fazer ou não, o que aprender e como aprender. Somente no playground pode-se ver a criança dando vida ao sonho de ser piloto, um outro grupo brincando de juiz e júri. Ou seja, somente no playground pode-se ter um vislumbre das crianças usando a imaginação.
As crianças são abençoadas com uma habilidade natural de acreditar nelas mesmas e imaginar grandes realizações para sua vida futura. Elas não têm suficientes experiências negativas do passado para limitar sua crença naquilo que são capazes de conseguir. Seu futuro não é limitado pelo passado – somente pela distância a que sua imaginação as leva.
Muitas vezes, quando uma criança nos relata seus sonhos e aspirações, nós as "esfriamos" com o nosso cepticismo. É interessante notar que não fazemos isso quando, por exemplo, nosso filho está aprendendo a andar ou falar. Mesmo que ele não pronuncie a palavra corretamente, ou se dá alguns passos e cai, nós não o criticamos dizendo: "Ora, não é assim que se pronuncia esta palavra!" ou "Que jeito de caminhar!" ou ainda "Você nunca falará ou conseguirá andar de forma correta!" Ao contrário, nós o encorajamos a tentar, fazendo a maior festa com cada palavra nova que fala ou cada passo que dá. Entendemos que quanto mais o encorajarmos, mais ele tentará e maiores serão suas realizações.
Devemos tomar a mesma atitude com a vida interior da criança. Devemos alimentar seus sonhos e encorajar sua imaginação, independentemente do fato de que ela ainda não está pronta mas preparando-se e crescendo. Este tipo de encorajamento a ajudará a chegar muito mais longe do que conseguiria de outra forma.
E isso não é apenas em benefício da criança; o lucro também seria nosso. Permanecer no playground observando nossos filhos brincando pode ser um recurso valioso de encorajamento também para nós, adultos. Grande parte dos adultos não perseguem seus próprios sonhos – talvez porque tenham medo de fracassar, talvez por não acreditarem o bastante em sua própria capacidade. Se olharmos nossos filhos mais atentamente e aprendermos com eles como imaginar e crer, nós também poderíamos atingir alturas maiores, muito mais do que jamais imaginamos.
Tente – isso dá certo!