Se você já teve de se mudar, sabe que é uma mistura de emoções. Não importa se você está se mudando na mesma cidade (finalmente comprou uma casa), para outro estado (arrumou um novo emprego), se está querendo morar mais perto dos netos, a amolação, os detalhes irritantes permanecem os mesmos.

A Internet de certa forma simplificou as coisas. Você pode mudar seu endereço online, transferir sua linha telefônica, etc. Mesmo assim, é melhor ter uma relação de utilidades e serviços que precisam ser desligados, transferidos ou ligados. E você ainda tem de se preocupar com contas bancárias – quando encerrar e onde abrir.

E esta é a parte fácil. A pior é empacotar tudo. Se você contratou uma empresa de mudanças, precisa vigiá-los o tempo todo. E ainda tem que empacotar sozinho algumas coisas. Oh, empacotar! Jogar fora ou levar? Você tem caixas suficientes? Como a fita adesiva pôde acabar assim?

Finalmente, está na hora de se despedir. Você está deixando para trás uma porção de memórias e, embora esteja contente por partir, sempre há uma pontinha de arrependimento.

Porém, está na hora de ir. É um desafio e assusta um pouco, tudo bem que é empolgante de certa forma, mas mesmo assim ainda assustador porque você não sabe como e onde ficará. E o desconhecido sempre é um pouquinho assustador.

Mas isso você sabe e tem certeza: não pode seguir em frente até que se mude.

Este processo – empacotar, abrir mão, mudar, seguir em frente – descreve como crescemos como judeus. À medida que estudamos mais Torá, começamos a cumprir mais mitsvot (mandamentos), e "mudamos" nosso antigo estilo de vida. Temos de decidir o que "empacotar" e levar conosco – quais objetos materiais, quais apegos, quais idéias, emoções – e o que temos de deixar para trás, do quê precisamos abrir mão porque será um fardo ou apenas porque não será mais necessário.

À medida que nos mudamos rumo à Redenção, devemos seguir o mesmo procedimento. Trazer Mashiach exige que nós "mudemos e sigamos em frente". Obviamentte, grande parte daquilo que acumulamos em nosso estado "pré-Mashiach" não apenas queremos levar conosco, como devemos levar conosco. Amizades, estudo de Torá, mitsvot que cumprimos, atos de bondade, até os objetos materiais que nos ajudaram a civilizar o mundo, fazer dele uma morada para a Divindade – estes levaremos junto.

Mas antes de mudarmos – do módulo "pré-Mashiach" para um "estilo de vida Mashiach" – temos de nos livrar do entulho que acumulamos – a bagagem emocional (invejas infantis, por exemplo), as idéias fora de moda (sim, podemos viver sem checar nosso e-mail no Shabat).

Sim, mudar para um estilo Mashiach pode ser um desafio, e um pouco assustador porque não estivemos ali antes e ainda não está bem claro onde "ali" será. Apesar disso, quando está na hora de sair de um lugar, temos uma sensação de inquietude, de que já fomos tão longe quanto podemos ir.

Às vezes, é claro, ignoramos a nossa intuição até que os eventos nos forçam a reconhecer que, de fato, é tempo de mudar. Tempo de mudar do exílio e ir para a Redenção.