“E estes são os descendentes de Yitschac, filho de Avraham; Avraham gerou Yitschac.” (25:19)

Pergunta:

Por que a Torá repete que Yitschac era filho de Avraham e que Avraham era o pai de Yitschac? Além disso, no final da Parashá Chaye Sara, diz “E estes são os descendentes de Ishmael, filho de Avraham” (25:12) — não repetindo que Avraham era o pai de Ishmael. Além disso, a respeito de Esav, a Torá declara— "E estes são os descendentes de Esav" (36:1), sem mencionar que ele era filho de Yitschac, ou que Yitschac era o pai de Esav.

Resposta:

Quando alguém encontrava Yitschac e o elogiava por ser um tzadik (justo) e um grande talmid chacham (estudioso da Torá), Yitschac respondia modestamente: "Sou realmente insignificante. A única coisa grande em mim é ser filho de um grande pai, Avraham."

Quando alguém elogiava Avraham por sua estatura e grandeza, ele respondia: "Tudo isso é insignificante. A única coisa importante é que tenho um filho como Yitschac." Assim, Yitschac se orgulhava de seu pai Avraham, e Avraham se orgulhava de ter um filho como Yitschac.

Ishmael, o ancestral do mundo árabe, orgulhava-se de que Avraham fosse seu pai. Avraham, porém, não estava feliz por ter um filho como Ishmael. Para Esav, não significava nada ser filho de Yitschac. E, claro, Yitschac não tinha orgulho de seu filho Esav.

“E Yitschac suplicou a D’us em favor de sua mulher, porque ela era estéril; e D’us aceitou suas orações, e Rivka, sua mulher, concebeu.” (25:21)

Pergunta:

Por que o versículo se refere inicialmente a “sua mulher” sem mencionar seu nome, concluindo apenas com “Rivka, sua mulher”?

Resposta:

A mãe de Yitschac, Sara, foi estéril por muitos anos. Foi somente depois que seu nome foi mudado de “Sarai” para “Sara” que ela conseguiu engravidar. Se seu nome tivesse permanecido “Sarai”, ela nunca teria conseguido conceber.

Yitschac pensou: “Talvez minha mulher Rivka tenha o mesmo problema que minha mãe Sara”. Portanto, quando orou a D’us, ele suplicou: “Por favor, ajude minha mulher a ter um filho”, sem mencionar seu nome.

Em resposta às suas orações, D’us realizou um milagre maior do que aquele que realizou para sua mãe. Não só sua esposa estéril engravidou, como também manteve seu nome original, Rivka.

"D’us aceitou suas orações [de Yitzchak], e Rivka, sua esposa, concebeu." (25:21)

Pergunta:

Rashi explica que Hashem permitiu ser suplicado por ele e não por ela porque a oração de um tzadik, filho de um tzadik (Yitzchac), é superior à oração de um tzadic, filho de um rashá (Rivka). Isso não contradiz o Talmud (Berachot 34b), que afirma que um ba'al teshuvá é maior que um tzadik?

Resposta:

Yitzchak e Rivka oraram a Hashem pedindo um filho. A oração de Rivka foi: "Por favor, D’us, meu marido é um tzadik tão grande e filho de um tzadik; ele realmente merece um filho." Yitzchak orou e disse: "Por favor, D’us, minha esposa cresceu na casa de pessoas tão perversas como Betuel e Lavan, e ainda assim ela é tão justa. Ela certamente merece ser abençoada com um filho." Hashem aceitou o pedido e o argumento de Yitzchak e abençoou Rivka porque ela era uma grande ba'alat teshuvá.

“E os filhos lutavam juntos dentro dela.” (25:22)

Pergunta:

Rashi diz que quando Rivka passou pela yeshivá de Shem e Eiver, Yaacov quis pular para fora de seu ventre, e quando ela passou por um local de adoração a ídolos, Esav quis sair para fora. Quando uma criança está no ventre de sua mãe, um anjo lhe ensina toda a Torá (Nidá 30b). Por que Yaacov quis deixar o anjo e ir para a yeshivá de Shem e Eiver?

Resposta:

Rashi diz que quando Rivka passou pela yeshivá de Shem e Eiver, Yaacov quis pular para fora de seu ventre, e quando ela passou por um local de adoração a ídolos, Esav quis sair para fora. Quando uma criança está no ventre de sua mãe, um anjo lhe ensina toda a Torá (Nidá 30b). Por que Yaacov quis deixar o anjo e ir para a yeshivá de Shem e Eiver?

Na “yehivá” no ventre de sua mãe, seu “chaver” seria Esav. Yaacov estava muito preocupado em ter bons amigos. Portanto, ele estava disposto a abrir mão da oportunidade de um anjo lhe ensinar a Torá para ir a uma yeshivá onde teria bons “chaverim” (outros pequenos Yaacovs) e não estaria na companhia de Esav.

“E as crianças lutaram juntas dentro dela... E ela foi perguntar a D'us... E D'us disse a ela: 'Duas nações estão em seu ventre.'” (25:22-23)

Pergunta:

Rashi explica: quando Rivka passou por uma casa de estudo da Torá, Yaakov lutou para emergir. Quando ela ao passar por um local de adoração a ídolos, Esav teve dificuldades para sair. Isso a deixou perplexa, e ela foi investigar. Uma mensagem lhe foi transmitida por meio de Shem, informando que ela estava grávida de dois filhos. Por que essa informação a acalmou?

Resposta:

O profeta Eliyahu debateu com os falsos profetas de Baal, desafiando-os: “Até quando vocês vão ficar indecisos entre duas opiniões? Se o Senhor é D’us, sigam-no!” E se for Baal, sigam-no” (1 Melachim 18:21). Alguém pode se perguntar como Eliyahu pôde proferir tal opção?

Eliyahu percebeu que, antes de confrontar alguém, é importante conhecer suas convicções. Enquanto uma pessoa estiver ambivalente, é impossível lidar com ela e guiá-la para o caminho certo. Depois de esclarecer seus pontos de vista, então se pode debater e tentar convencê-la. A princípio, Rivka pensava que carregava um filho confuso, incapaz de distinguir entre o certo e o errado e, portanto, capaz de correr em uma direção diferente a cada dia. Ao ser informada de que daria à luz dois filhos, ela ficou aliviada, pois agora poderia ter esperança de convencer o outro filho a imitar seu irmão justo.

É costume uma moça acender uma vela em honra do Shabat. Quando se casa, ela acende duas. A razão para isso pode ser que um casal tem um total de 500 membros (o homem tem 248 e a mulher 252, veja Bechorot 45a) e a mitsvá de pru uruvu (500) torna-se aplicável. A palavra “neir” (נר) “vela” tem o valor numérico de 250. Assim, as duas velas somam 500.
Por essa razão, é costume que o noivo e a noiva sejam conduzidos à chupá com uma vela de cada lado.

“E o primeiro a nascer foi ruivo... e chamaram-lhe Esav.” (25:25)

Pergunta:

Por que Esav nasceu ruivo?

Resposta:

Enquanto Esav e Yaacov estavam no ventre de sua mãe, tiveram uma conversa muito interessante. Yaacov disse a Esav: “Escute, irmão, diante de nós existem dois mundos: Olam Hazé (este mundo terrestre) e Olam Habá (o Mundo Vindouro). No Olam Hazé há muita comida, bebida e prazeres físicos. No Olam Habá não há nada disso. Tudo é espiritual e desfruta-se da Divindade. Diga-me, irmão, qual você prefere e eu ficarei com o outro.”

Esav, sendo de natureza mundana e grosseira, decidiu imediatamente que o Mundo Exterior (Olam Hazé) era para ele e que Yaacov poderia ficar com o Mundo Vindouro (Olam Habá).

Quando uma pessoa corre ou se esforça intensamente, fica vermelha. Consequentemente, quando chegou a hora de Rivka dar à luz, Esav queria seu Mundo Exterior o mais rápido possível, então saiu apressadamente, com o rosto vermelho, do ventre de sua mãe.

* * *

De acordo com a Guemará (Chulin 47b), quando uma criança nasce vermelha, a circuncisão (brit) não pode ser realizada até que o sangue em suas veias se estabilize. Consequentemente, quando Esav nasceu, estava vermelho demais para ser circuncidado. Quando cresceu e sua tez voltou ao normal, seu pai quis circuncidá-lo, mas Esav recusou.

“Depois seu irmão saiu e sua mão segurava a cura de Esav.” (25:25)

Pergunta:

Há uma história no Midrash Rabá (63:9) sobre um general que certa vez perguntou a um rabino: “Quem será o último a manter o reino?” O Rabino pegou um pedaço de papel e escreveu nele o pasuk, “e depois saiu seu irmão segurando seu calcanhar”. Por que ele omitiu a palavra “Esav”, que é a última palavra do versículo?

Resposta:

Existe uma questão na halachá sobre se é permitido escrever um versículo completo em um pedaço de papel. De acordo com algumas opiniões, não é permitido. Portanto, em vez de escrever o versículo como está escrito na Torá, é aconselhável omitir algumas palavras ou escrever apenas a primeira letra de cada palavra (veja Guitin 60a sobre a Rainha Hillney).

O rabino que respondeu ao general fez o último. Em vez de escrever as palavras completas do versículo, ele escreveu apenas a primeira letra de cada palavra e não incluiu a primeira letra da palavra “Esav”. Ele escreveu "ב-א-ו-א-י-כ-ו” Essas letras têm o valor numérico de 46. As primeiras letras das palavras דוד ןב משיח ou דוד בית מלכות também têm o valor numérico de 46.

Sendo descendente de Esav, o general estava curioso para saber se seu povo continuaria a dominar. O rabino respondeu negativamente, insinuando que o Mashiach Ben David, como continuação de Malchut Beit David, eventualmente governaria o mundo inteiro.

Contudo, temendo o general, ele não quis ser muito claro. Portanto, escreveu este versículo, que o general poderia interpretar como significando que Yaacov estaria seguindo os passos de Esav e que Esav estaria no comando.

“Depois saiu seu irmão e sua mão segurava o calcanhar de Esav; e ele o chamou de ‘Yaakov’.” (25:26)

Pergunta:

Por que ele foi chamado de "יעקב" e não apenas de "עקב" — “calcanhar”?

Resposta:

Quando Esav nasceu, ele era coberto de pelos como um adulto (Rashi). Na verdade, ele deveria ter sido chamado de "עשוי" (asui), que significa "completamente formado". Com esse nome, ele teria duas letras do Nome Sagrado de Hashem, que possui quatro letras. Se seu irmão tivesse sido chamado simplesmente de "עקב", ele não teria nenhuma letra do nome de Hashem. Portanto, Yaacov reteve a parte final do nome de Esav e pegou o "י" para si. Assim, ele também passou a ter uma letra do Nome Sagrado de Hashem em seu nome.

“E Esav era um caçador habilidoso, um homem do campo.” (25:27)

Pergunta:

As palavras “yodei’a tza’yid” – “um caçador habilidoso” – referem-se ao fato de que com sua língua astuta ele enganou e capturou a imaginação de Yitzchak. Ele se aproximava de Yitzchak e lhe fazia perguntas como "Pai, como se dá o dízimo do sal?" (Rashi)

Obviamente, Esav sabia que maasser, dízimo, significa separar 10%. Portanto, o mesmo deveria ser feito com o sal — dez alqueires de cem. A pergunta de Esav era aparentemente sem sentido — então, por que impressionou Yitzchak?

Resposta:

Esav sabia muito bem que dízimo significa separar 10%, e sua pergunta não era como se dá o maasser do sal. Ele perguntava: “Pai, היאך?! — Qual é a halachá?! —É preciso dar maasser do sal ou não?” Quando Yitzchak ouviu com que cuidado Esav observava as leis de maasser, pensou que seu filho era realmente muito justo.

“E os meninos cresceram.” (25:27)

Pergunta:

Eles completaram 13 anos, e Esav começou a adorar ídolos. Nesse dia, Avraham morreu aos 175 anos (Rashi).

Quando Yaacov e Esav nasceram, Yitschac tinha 60 anos (25:26). Como Avraham tinha 100 anos quando Yitschac nasceu, ele tinha 160 anos quando Yaacov e Esav nasceram. Avraham deveria viver 180 anos, mas morreu cinco anos antes para não ver seu neto Esav adorando ídolos (Rashi 25:30). Se Esav começou a adorar aos 13 anos, por que Avraham não morreu aos 173?

Resposta:

Quando Yaakov foi até Yitzchak para receber as bênçãos, Yitzchak sentiu um aroma do Gan Eden emanando dele (Rashi 27:27).

Como Yitzchak sabia qual era o cheiro do Gan Eden? Os comentários (א"ריב) dizem que, imediatamente após a Akedá, Avraham voltou para casa e Yitzchak subiu ao Gan Eden por mais de dois anos.

Os conceitos de tempo e espaço são relevantes apenas neste mundo, mas não no Gan Eden. Portanto, embora Avraham tenha vivido dois anos de "tempo real" neste mundo, esses dois anos não contaram na idade de Yitzchak. Consequentemente, embora Yitzchak tivesse 60 anos quando Yaakov e Esav nasceram, Avraham tinha na verdade 162 anos e morreu aos 175, quando seu neto Esav completou 13 anos.

"Yitzchak amava Esav porque este lhe fornecia alimento." (25:28)

Pergunta:

Yitzchak era um homem rico. Por que ele dependia de Esav para se alimentar?

Resposta:

O Talmud (Shabat 89b) afirma que, no futuro, Hashem reclamará aos Patriarcas que seus filhos (o povo judeu) pecaram. Avraham e Yaakov responderão: "Que sejam aniquilados por amor ao Teu Santo nome."

Yitzchak virá em defesa do povo judeu e intercederá por eles. Sua defesa será a seguinte: "Ó D’us Todo-Poderoso, embora tenham pecado, merecem o Teu amor, pois, afinal, Tu és o Pai deles e eles são os Teus filhos."

Yitzchak provará seu ponto de vista afirmando que ele também teve um filho que estava longe de ser um tzadik, e ainda assim o amava simplesmente por ser seu filho. Assim, Yitzchak amava Esav porque, por meio dele, tinha “argumentos” com os quais defender o povo judeu e garantir sua sobrevivência.

“Por favor, derrame em mim um pouco deste líquido vermelho.” (25:30)

Pergunta:

A palavra “na” significa “por favor”. Não é estranho que o mal-educado Esav fale com tanta polidez? Além disso, já que as lentilhas cozidas não são vermelhas, por que o versículo as descreve como vermelhas?

Resposta:

A palavra “na” também pode significar “cru”. A respeito do Korban [sacrifício de] Pessach, a Torá diz: “Não o comas enquanto estiver cru” (Shemot 12:9).

Esav era um baal taavá — um glutão — tinha maus modos à mesa e uma ânsia por comida. Antes de estarem completamente cozidas, as lentilhas são avermelhadas. Esav chegou em casa e viu que Yaacov tinha acabado de colocar lentilhas para cozinhar. De maneira rude, disse-lhe: “Joga essa coisa vermelha e crua em minha goela abaixo”.

“E Yaakov disse: ‘Venda-me hoje o seu direito de primogenitura.’” (25:31)

Pergunta:

A palavra “kayom” — “este dia” — parece supérflua. “Venda-me o seu direito de primogenitura” seria suficiente.

Resposta:

Yaakov negociou a compra do direito de primogenitura no dia da morte de Avraham. O mundo mergulhou em profundo luto e tristeza. Estadistas e dignitários choraram abertamente e exclamaram: “Ai do mundo que perdeu seu líder, ai do navio que perdeu seu capitão!” (Bava Batra 91b) Pessoas de todas as classes sociais se reuniram para prestar a última homenagem à figura mais importante e amada de sua geração. O único ausente no funeral foi Esav.

Após o funeral, Yaakov voltou para casa para preparar a refeição dos enlutados. De repente, Esav entrou correndo “vindo do campo”. Em vez de chorar e lamentar a grande perda, ele tinha ido caçar. Yaakov ficou chocado e envergonhado. Como um neto podia ser tão brutalmente insensível?!

Naquele momento, Yaakov resolveu adquirir o direito de primogenitura. Então, disse a Esav: “Venda-me seu direito de primogenitura, kayom — por causa do que aconteceu neste dia. Como primogênito, você está destinado a servir no Beit Hamikdash. Um caçador moralmente insensível como você é indigno de uma identidade espiritual tão elevada.”

“Yaakov deu a Esav pão e sopa de lentilhas.” (25:34)

Pergunta:

Esav pediu apenas a sopa de lentilhas. Por que Yaakov também lhe deu pão?

Resposta:

Quando Esav voltou do campo, estava com muita fome. Não seria correto da parte de Yaakov aproveitar-se da situação e dizer a Esav que, se ele não lhe vendesse a bechorá (primogenitura), o deixaria morrer de fome. Yaakov sabia que Esav alegaria estar sob coação no momento da venda e, portanto, esta seria nula e sem efeito.

Querendo garantir que Esav não se arrependesse da venda, Yaakov primeiro lhe deu pão suficiente para saciar sua fome. Quando Esav não estava mais com fome, Yaakov perguntou-lhe se ainda queria a sopa de lentilhas em troca da primogenitura. Esav então se sentiu mais à vontade e, por livre e espontânea vontade, vendeu sua primogenitura por uma panela de sopa de lentilhas.

“E ele cavou um terceiro poço e eles não brigaram por isso; ele chamou-o “‘Rechovot’, dizendo: ‘Agora D’us nos deu amplo espaço, e seremos fecundos na terra.’” (26:22)

Pergunta:

Qual é o significado dos três poços?

Resposta:

Os três poços representam os três Templos Sagrados. São os poços de “águas vivas” que trouxeram, e trarão, vida espiritual ao povo judeu.

Nos tempos do primeiro “poço”, os babilônios, liderados por Navuchadnetzar, lutaram contra os judeus, destruindo o Templo Sagrado. Depois, o segundo Templo Sagrado foi construído. Titus (César) e seus exércitos declararam guerra e, eventualmente, este Templo Sagrado também foi destruído.

Então Yitschac, depois de lutar pelo segundo poço, se mudou. Depois de algum tempo, ele cavou um terceiro poço. Desta vez, houve paz e tranquilidade.

Da mesma forma, desde a destruição do segundo Beit Hamikdash, fomos exilados de nossa Terra Santa — Eretz Yisrael — e um longo período de tempo se passou. Aguardamos ansiosamente a construção do Terceiro Templo Sagrado e, com sorte, em breve proclamaremos com alegria: “Agora D’us nos deu amplo espaço e prosperaremos na terra.”

“Nós vos enviamos em paz; agora sois os benditos de D’us.” (26:29)

Pergunta:

Como eles se convenceram de que Yitschac era abençoado?

Resposta:

De acordo com o Talmud (Berachot 64a), ao se despedir de um amigo, deve-se dizer “lech leshalom” — “Vá para a paz”. Não se deve usar a expressão “lech beshalom” — “Vá em paz” — porque isso poderia trazer-lhe o mal.

Avimelech e seu povo não estavam realmente interessados no bem-estar de Yitschac. Não querendo lhe desejar o bem, disseram-lhe “lech beshalom”, esperando que algo desagradável lhe acontecesse. Para sua surpresa, ele não só evitou o infortúnio, como, pelo contrário, foi abençoado com um enorme sucesso.

Quando Yitschac lhes perguntou: “Por que vocês vieram a mim de repente?”, eles responderam: “Nos despedimos de você com o desejo de ‘beshalom’, esperando que você encontrasse dificuldades. Vendo o seu sucesso, estamos convencidos de que você é abençoado por D'us e, portanto, nossas más intenções não o afetaram.”

“Rivka pegou as roupas de Esav, seu filho mais velho, e as colocou em Yaakov, seu filho mais novo.” (27:15)

Pergunta:

Por que a Torá precisa nos dizer que Esav era o mais velho e Yaacov o mais jovem?

Resposta:

Os termos “gadol” e “katan” — “mais velho” e “mais jovem” — não se referem apenas à idade de Esav e Yaacov, mas também ao tamanho físico muito maior de Esav em comparação om Yaacov.

Yaacov estava relutante em ir até seu pai para obter as bênçãos. Ele implorou à sua mãe: “Por favor, não me obrigue a ir, tenho medo de ser amaldiçoado”. Sua mãe respondeu: “Que a tua maldição caia sobre mim, meu filho!” (27:13).

Embora Rivca tenha feito uma declaração muito corajosa, ela ainda estava curiosa para descobrir por si mesma se estava fazendo a coisa certa. Ela decidiu que o teste pelo qual poderia provar isso seria através das roupas. Esav era fisicamente muito maior que Yaacov. Ela ficou admirada quando as roupas de Esav serviram perfeitamente em Yaacov. Isso provou que ela estava fazendo a coisa certa ao enviar Yaacov para receber as bênçãos.

“E ele veio a seu pai e disse: ‘Meu pai’, e ele disse: ‘Eis-me aqui; Quem és tu, meu filho?’” (27:18)

Pergunta:

Por que Yaacov disse apenas uma palavra, “avi” — “meu pai” — e não a declaração completa que ele fez mais tarde: “Senta-te e come da minha caça, para que a tua alma me abençoe” (27:19)?

Resposta:

Quando Yaacov entrou no quarto de Yitschac, tremia com medo de ser reconhecido. Por isso, teve receio de convidar o pai para comer. Assim, ao entrar, disse apenas uma palavra: “avi” — “meu pai”. Quando Yitschac perguntou: “Quem é você?”, Yaacov estava convencido de que Yitschac não reconhecera sua voz e que podia continuar falando sem problemas. Então, convidou o pai para comer a refeição que havia preparado e para abençoá-lo.

“Yitzchak apalpou Yaakov e disse: ‘A voz é a voz de Yaakov e as mãos são as mãos de Esav.’ Ele não o reconheceu porque suas mãos eram peludas como as de Esav, seu irmão, então o abençoou.” (27:22-23)

Pergunta:

Se a voz e as mãos pareciam ser de duas pessoas diferentes, então havia uma forte dúvida quanto à identidade da pessoa. Por que, então, Yitzchak lhe deu as bênçãos?

Resposta:

Yitzchak disse a Esav que gostaria de lhe dar a bênção, mas pediu que primeiro lhe trouxesse comida. Esav estava relutante em ir. Ele implorou ao pai que lhe abençoasse imediatamente e que depois lhe traria comida. Disse ao pai que Yaakov era muito astuto e que temia que, durante o tempo em que estivesse ausente, Yaakov entrasse sorrateiramente e roubasse a bênção.

Yitzchak disse a Esav: “De fato, você sabe muito bem que Yaakov tem um caráter refinado e fala com muita polidez. Por outro lado, você fala de forma grosseira e sem nenhum respeito. Se Yaakov tentar me enganar, imitará sua voz e falará de maneira muito rude. Portanto, aconselho-o a falar com muita gentileza quando trouxer a comida. Isso será o sinal de que você é realmente Esav.”

A Torá relata que Rivka ouviu a conversa entre Yitzchak e Esav e, “Rivka disse a Yaakov, seu filho, para dizer: ‘Eis que ouvi seu pai dizendo a seu irmão Esav para dizer’ “ (27:6).

A palavra “lemor”, geralmente significa dizer algo aos outros. O que Rivka quis dizer quando repetiu a palavra lemor no passuk da Torá duas vezes?

De acordo com a explicação acima, entende-se: Rivka estava aconselhando Yaacov sobre como obter as bênçãos. Assim, ela lhe disse “lemor” — para falar em seu tom de voz habitual quando comparecesse perante seu pai, porque “eu ouvi seu pai falando com Esav, seu irmão, lemor — para falar com ele em seu tom de voz”.

Yaacov compareceu perante Yitschac e falou com o nome de D’us em sua língua. Yitschac pensou consigo mesmo: “O primeiro sinal é verdadeiro, e Esav está seguindo as instruções. Deixe-me certificar-me de que ele é realmente Esav”. Ele o instruiu a se aproximar para que pudesse sentir se sua pele era peluda.

Após inspecioná-lo, Yitschac disse: “Agora que tenho dois sinais — a voz é de Yaacov e as mãos são de Esav — de fato, ele é meu filho Esav e eu o abençoarei”.

“Teu irmão veio com sabedoria e levou embora tua bênção.” (27:35)

Pergunta:

Qual era a sabedoria de Yaacov?

Resposta:

Este episódio ocorreu em Pessach, quando realizamos o Seder. Rivka preparou os cabritos para a refeição festiva e o anjo Michael enviou o vinho para os quatro cálices (Da’at Zekeinim MiBa’alei Hatosafot 27:25). A refeição termina com a ingestão do afikoman. Depois disso, é proibido comer qualquer outro alimento.

A palavra “bemirmá” (במרמה) tem o valor numérico de 287, que também é o valor numérico da palavra “afikoman” (אפיקומן). Yitzchak disse a Esav: "Seu irmão é realmente muito sábio. Antes de sua chegada ele já me deu o afikoman e, portanto, estou proibido de comer mais alimentos esta noite."

“Não foi em vão que o chamaram de Yaakov, pois ele já me enganou duas vezes.” (27:36)

Pergunta:

1) Quando Yaacov nasceu, ele saiu segurando o calcanhar de Esav. A Torá diz que foi por essa razão que ele recebeu o nome Yaacov. Por que Esav deu uma nova razão? 2) Enquanto Esav expressava sua amargura a seu pai Yitschac, ele não deveria ter dito: “Não é em vão que ‘karata’ — ‘Tu o chamaste’ — em vez de ‘kara’, que significa ‘ele chamou’?”

Resposta:

Quando Yaacov nasceu, D’us disse a eles: “Vocês deram um nome a [Esav], eu nomearei Meu primogênito.” Assim, D’us lhe deu o nome de Yaacov (Midrash Rabá 63:8).

Quando Esav chegou e descobriu que Yaacov o havia enganado, disse ao pai: “Sempre me intrigou o fato de D’us lhe ter dado o nome de Yaacov. Se a razão fosse simplesmente porque ele estava agarrado ao meu calcanhar, ele deveria ter sido chamado de ‘akev’, que significa ‘calcanhar’, e não ‘Yaacov’. Agora percebo que não foi em vão que Ele (D’us) o chamou de Yaacov; obviamente Ele sabia que ele me enganaria. E ele já foi bem sucedido duas vezes.” (Yud inicia muitos verbos no futuro.)

"Ele tomou meu direito de primogenitura e agora tirou minhas bênçãos." (27:36)

Pergunta:

Esav está agora chateado por ter perdido as brachot. Por que ele menciona a retirada da bechorá, primogenitura?

Resposta:

Quando Rivka sentiu dores incomuns durante a gravidez, ela foi buscar conselho no Beit Midrash de Shem e Eiver. Disseram-lhe que ela carregava dois filhos e que "O mais velho servirá ao mais novo" (25:23), ou seja, Yaacov governará sobre Esav. Yitschac, em sua bênção, disse a Yaacov: "Seja senhor sobre seus irmãos, e os filhos de sua mãe se prostrarão diante de você" (27:29).

Esav, portanto, argumentou: "Yaacov tomou minha primogenitura — assim, ele agora é o mais velho — e eu sou o mais novo — então por que ele foi abençoado a ponto de eu me curvar diante dele?

“E Yitschac, seu pai, respondeu e disse-lhe: ‘Eis que a tua habitação será nos lugares férteis da terra, e no orvalho do céu, lá de cima. E viverás pela tua espada, e servirás a teu irmão; e acontecerá que, quando te libertares, sacudirás o seu jugo de sobre o teu pescoço.’ E Esav odiou Yaacov por causa da bênção com que seu pai o abençoara.” (27:39-41)

Pergunta:

Quando Esav foi a Yitschac e descobriu que Yaacov o havia abençoado antes, chorou amargamente: “Pai, por favor, abençoe-me também!” Yitschac lhe disse: “Sinto muito, seu irmão pegou sua bênção.”

1. Como foi possível que Yitschac, de repente, tivesse uma bênção disponível para Esav?

2. Se Esav também foi abençoado, por que odiava Yaacov?

3. As palavras “Vayaan Yitzchak” — “e Yitschac respondeu” — e “hinei” — “eis que” — são supérfluas. Bastaria dizer “E ele lhe disse: ‘Das terras férteis da terra será a tua morada’”.

Resposta:

Quando Esav chegou à casa de seu pai, chorou amargamente e implorou: “Por favor, abençoe-me também!” Yitschac lhe disse que não podia fazer nada por ele porque “seu irmão tomou a sua bênção”. Esav insistiu: "Não reservaste uma bênção para mim?" (27:36)

"Vayaan Yitzchak" — (Yitzchak respondeu): "Eis que o constituí senhor sobre ti, e toda a sua família lhe dei como servos; com trigo e vinho o sustentei; o que mais posso fazer por ti, meu filho?"

Esav respondeu: "Pai, é esta apenas uma bênção? São duas bênçãos! (domínio e riqueza). Por que não a divides entre nós dois e me abençoas também com uma delas?"

"Vayaan Yitzchak" e Yitzchak respondeu: “Imagine se eu mishmanei Haaretz, lteria que lhe dar riquezas. Você acha que, “vet achicha taavod”, tu servirias ao teu irmão e permitiria que ele o dominasse?”

“Vehaya ka’asher tarid” — “E acontecerá que, quando quiseres libertar-te” — “ufarakta ulo mei’al tza’varecha” — “lançarás fora o jugo dele sobre o teu pescoço. Assim, estas duas bênçãos são inseparáveis, e não há nada que eu possa tirar dele e dar a ti.”

Como toda a bênção foi para Yaacov, e Esav não recebeu nada, odiou Yaacov por causa das bênçãos que seu pai lhe dera.

“Eis que nos lugares férteis da terra será a tua habitação.”.” (27:39)

Pergunta:

Rashi explica que isso se refere à “Itália da Grécia” (uma cidade no sul da Itália, especialmente Roma, que foi amplamente colonizada pelos gregos durante a época do Primeiro Templo). Já que Yitzchak disse a Esav que havia dado tudo a Yaacov, de onde ele tirou essa terra?

Resposta:

O Talmud (Shabat 56b) relata que, quando Shlomo HaMelech, o Rei Salomão, se casou com a filha do Faraó, o anjo Gavriel colocou uma vara no oceano. Ao redor dela, formou-se um banco de areia, que se tornou o país do sul da Itália. Originalmente, pertencia aos gregos, mas quando os romanos conquistaram os gregos, tornou-se seu território. Quando Yitzchak abençoou Yaacov com a abundância da terra, essa porção de terra não foi incluída, pois não existia naquela época.

“Esav disse em seu coração: ‘Que cheguem os dias de luto por meu pai, então matarei meu irmão Yaakov.’” (27:41)

Pergunta:

Por que Esav quis esperar até que Yitzchak morresse?

Resposta:

Yaakov aprendeu Torá dia e noite. Esav sabia muito bem que o mérito de aprender a Torá protegeria Yaakov e ele não seria capaz de prejudicá-lo. (Veja Guemará Shabat 30b.)

Quando um parente próximo falece, o enlutado é um Onê até o sepultamento e está proibido de estudar a Torá. O cálculo de Esav era que, na época da morte de Yitschac, Yaacov não estaria estudando a Torá e, portanto, não estaria protegido, de modo que seria fácil matá-lo naquele momento.

“E fique com ele alguns dias, até que a fúria de seu irmão passe; até que a ira de seu irmão se afaste de você, e ele se esqueça do que você fez a ele.” (27:44-45)

Pergunta:

Por que Rivka repetiu as palavras “até que o ódio de seu irmão se afaste de você”?

Resposta:

Yaacov também odiava Esav. Ele estava terrivelmente desconcertado com ele por ter angustiado seus pais com seu comportamento.

Rivka aconselhou Yaacov a fugir para Lavan e ficar lá até que a fúria de Esav cessasse. Yaacov perguntou à sua mãe: “Como saberei que a fúria de Esav diminuiu?” Sua mãe lhe disse: “Quando a ira que você carrega se afastar de você, então poderá ter certeza de que seu irmão Esav se esqueceu do que você lhe fez e não guarda mais rancor de você.”

Shlomo HaMelech, em sua sabedoria, diz: “Assim como a água reflete a imagem de um rosto, o coração do homem corresponde ao coração de seu próximo” (Mishlê 27:19).

“Yitzchak convocou Yaakov e o abençoou; ele o instruiu e disse-lhe: ‘Não tome esposa entre as mulheres cananéias.’” (28:1)

Pergunta:

Anteriormente na parashá aprendemos em detalhes sobre a bênção de Yitzchak a Yaakov. Por que ele agora o abençoou novamente?

Resposta:

Todos os pais desejam que seus filhos se casem com uma moça de boa família. Infelizmente, muitos tentam alcançar esse objetivo por meio de intimidação, ameaças e veementes desaprovação. Por exemplo, dizem: “Se você se casar com essa moça, nós o deserdaremos”, ou “não iremos ao casamento”, ou “você está envergonhando nossa família”. Na realidade, isso pouco adianta.

A maneira correta dos pais conquistarem o amor dos filhos é demonstrando que se importam com eles e, por respeito, eles, por sua vez, não farão nada que possa magoar seus pais.

Portanto, a primeira coisa que Yitschac fez foi “abençoá-lo”. Com isso, mostrou o quanto se importava com ele e que se preocupava com seu sucesso. Uma vez estabelecido um bom relacionamento, aproveitou a oportunidade para lhe pedir um favor: que não se casasse com uma moça das filhas de Canaã.

Com Yitschac podemos aprender a melhor maneira de nos comunicarmos com nossos filhos. Seu método é descrito pelo ditado popular: “Atrai-se mais moscas com mel do que com vinagre.”

“Que D’us Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique.” (28:3)

Pergunta:

Por que Yitzchak usou o Nome Sagrado de D’us ao abençoar Yaakov para que fosse fecundo e se multiplicasse?

Resposta:

D’us implantou no homem o potencial para procriar. A primeira mitsvá da Torá é “pru uruvu”, “sejam fecundos e multipliquem-se”. As palavras “pru uruvu” têm o valor numérico de 500.

Quando as letras do nome sagrado de D’us são soletradas, “shin” é soletrado como “ן-י-ש”, “daled” é soletrado como “ת-ל-ד” e “yud” é soletrado como “ד-ו-י”. A parte não revelada das letras, ou seja, os (60) “ן-י” de “shin”, os (430) “ת-ל” de “daled” e os (10) “ד-ו” de “yud”, totalizam 500. Assim, o Nome Sagrado “י-ד-ש” contém o potencial de pru uruvu (500), que é o poder de trazer a grande bênção de D’us de ter filhos. Por essa razão, quando Hashem abençoou Yaakov para que se multiplicasse, Ele o precedeu dizendo: “Ani Keil Sha-dai — Eu sou o D’us Todo-Poderoso — sejam fecundos e multipliquem-se” [35:11].

* * *

É costume uma moça acender uma vela em honra do Shabat. Quando se casa, ela acende duas. A razão para isso pode ser que um casal tem um total de 500 membros (o homem tem 248 e a mulher 252, veja Bechorot 45a) e a mitsvá de pru uruvu (500) torna-se aplicável. A palavra “neir” (נר) — “vela” — tem o valor numérico de 250. Assim, as duas velas somam 500.

Por essa razão, é costume que o noivo e a noiva sejam conduzidos à chupá com uma vela de cada lado.

“E ele foi para Paddan-Aram para Lavan, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rivka, mãe de Yaakov e Esav.” (28:5)

Pergunta:

Rashi comenta: “Não sei o que a adição das palavras ‘a mãe de Yaacov e Esav’ nos ensina.” Por que foi necessário adicionar as palavras “a mãe de Yaacov e Esav”?

Resposta:

Para proteger Yaacov de ser morto por Esav, seus pais decidiram enviá-lo para Lavan, em Padan-Aram, e Yitschac o aconselhou a “tomar uma esposa de lá”.

Yitschac e Rivka tiveram dois filhos, Esav e Yaacov. Lavan teve duas filhas, Lia e Rachel. A opinião popular era que Esav se casaria com Lia e Yaacov com Rachel (Bava Batra 123a).

Cientes do caráter inescrupuloso de Lavan, eles temiam que ele dissesse astutamente a Yaacov “Eu adoraria tê-lo como meu genro, mas é impróprio que o mais novo se case antes do mais velho. Portanto, chamarei Esav para vir aqui e se casar com Lia, e depois darei minha filha Rachel a você como esposa.” Sem dúvida, quando Esav encontrasse Yaacov no território de Lavan, o mataria imediatamente.

Consequentemente, Yitschac e Rivka aconselharam Yaacov a dizer a Lavan que sua irmã Rivka, “a mãe de Yaacov e Esav”, o havia enviado, e que ele, Yaacov, era seu filho mais velho. Assim, ele poderia se casar antes de Esav e não haveria necessidade de trazer Esav para Padan-Aram.