A Porção desta semana começa com a familiar proclamação de D'us a Seu leal servo Moshê: "Ordenarás aos Filhos de Israel que eles lhe tragam azeite puro e prensado de oliva para iluminação, para abastecer continuamente a lamparina" (Shemot 27:20). D'us então prossegue a divulgar os métodos pelos quais Aharon e seus filhos acenderão a Menorá sagrada.

Logo após, Moshê finalmente recebe ordens para designar seu irmão e os filhos como Cohanim oficiais do Mishcan consagrado, e somente então a Torá se aprofunda nas inúmeras outras responsabilidades conferidas aos santos Cohanim. "Por que," poderia alguém perguntar em uma súbita antecipação, "a Menorá foi destacada como a única ordem sacerdotal a preceder o compromisso dos Cohanim?"

Rabi Moshê Feinstein explica que esta é uma tradição bem conhecida, que a Menorá representa nossa mais preciosa fonte de sabedoria e direcionamento, a Torá. Assim como a Menorá era uma constante e infalível fonte de luz nos mais recônditos santuários do palácio terreno de D'us, assim também a Torá deve servir como uma tocha corajosa a nos guiar através dos abismos de nossa existência. É por essa razão que a mitsvá do acendimento da Menorá foi separado dos outros comandos sacerdotais - para ensinar-nos que as lições que são inerentes e simbolizadas por ela dizem respeito a todo judeu. A Menorá nos ensina muitos métodos importantes de aprender a preciosa Torá de D'us, bem como divulgar sua sabedoria a outras pessoas.

Por exemplo, a Torá nos exorta que o azeite usado deve vir de azeitonas que foram "katit", explicado pelo Rashi que devem ser prensadas à mão, em vez de uma prensa mecânica. Este detalhe aparentemente menor nos ensina que para adquirir verdadeiramente o aprendizado da Torá, a pessoa deve utilizar todas suas energias e potencial, e empenhar-se realmente na firme busca do dom da sabedoria concedido por D'us ao povo judeu. Não há atalhos ou seminários relâmpago para atingir-se um verdadeiro entendimento da Torá. Também, assim como uma vela é acesa mantendo-se a chama no pavio por tempo suficiente para que o fogo pegue e queime por si mesmo, assim também um professor deve imbuir seus alunos com sabedoria até que eles sejam capazes de apreender a informação e desejar ainda mais conhecimento por sua própria iniciativa, o supremo objetivo do professor.

Finalmente, os Cohanim receberam ordens de encher os copos da Menorá todas as noites com cinco lug (uma medida) de azeite, independentemente da duração da noite. Esta lei simples também nos ensina um ponto vital em nossos métodos de instrução. Não importa quais sejam as capacidades intelectuais do aluno, o professor deve querer dedicar tempo igual à educação de cada estudante. O professor não deveria pensar que o aluno brilhante possa entender por si só, porque esta falta de atenção por parte do professor pode fazer com que o aluno volte sua atenção para outros assuntos. E o estudante com problemas de compreensão jamais deve ser dispensado como se lhe faltasse o potencial para tornar-se grande.

Resumindo, se a pessoa está procurando por uma introvisão da sabedoria e Torá, deve-se voltar para a Menorá. Como estipula o Talmud: "Aquele que deseja a sabedoria deve voltar-se para o sul (a localização da Menorá no Templo -Tratado Baba Batra 25b).

Neste estilo, o Ramban procura esclarecer a discrepância gramatical acima apresentada. A respeito de qualquer projeto ou empreendimento meritórios assumidos em nome do Judaísmo, a pessoa pode-se considerar um parceiro simplesmente por contribuir com dinheiro e outros recursos para ajudar outras pessoas a completarem o projeto. Por este motivo, a respeito de todos os outros utensílios do Mishcan, a Torá dirige sua ordem somente a Moshê, pois o povo judeu já fizera sua parte ao contribuir com a matéria prima para o fundo de construção. Agora Moshê deve continuar o trabalho realmente construindo os utensílios.

Entretanto, este não é o caso quando se trata do estudo de Torá. Portanto, a ordem de construir a Arca, que como já foi mencionado antes representa a Torá e seu estudo, é dirigida não apenas a Moshê, mas a todo o povo judeu. D'us deseja indicar que embora o povo tenha contribuído com prata e ouro, deve apesar disso participar da real construção da Arca Sagrada - e, por extensão, do estudo de Torá.

É claro que quem doou os recursos pelo mérito do estudo da Torá deve ser grandemente louvado e parabenizado. Entretanto, ao mesmo tempo, deve entender que não pode simplesmente sentar-se de lado e permitir que outros sozinhos estudem a Torá. Todos devemos participar neste empreendimento. Também não devemos pensar que a Torá é um livro fechado, reservado para eruditos e mentes brilhantes. A Torá pode ser estudada em muitos níveis diferentes e de vários ângulos, de forma que cada indivíduo pode abordá-la segundo seu próprio nível. Do amador ao grande erudito, a pessoa só tem a ganhar estudando-a.

A Torá é eterna e lá está para que a estudemos a qualquer tempo - e agora é o tempo de abri-la e vermos os tesouros que contém.