Todo Cohen que servia no Templo usava quatro vestes especiais, incluindo uma camisa, calças, cinto e turbante, todos confeccionados de linho branco. O Cohen gadol vestia quatro roupas adicionais, incluindo o manto, o avental, o peitoral e o capacete. Presos à bainha do manto havia 72 ornamentos ocos no formato de romãs, alternando-se com 72 sinos de ouro. As campainhas tilintavam para anunciar a chegada do Cohen Gadol ao santuário. Há muitas lições que podemos extrair do tilintar dos sininhos.

O Chasam Sofer comenta que as campainhas nos lembram que os líderes de Israel, às vezes, precisavam fazer-se ouvir. Embora o silêncio certamente seja algo bem desejável na vida de um judeu, às vezes o líder precisa afirmar seus pontos de vista – ele tem de fazer barulho – especialmente se a santidade da Torá está em perigo. Ele deve falar em voz alta contra qualquer possível profanação do nome de D’us.

O manto e seus sininhos, como foi declarado pelos comentaristas, eram uma expiação pelo pecado de lashon hará, maledicência. Quando examinamos o objetivo e a natureza das campainhas, vemos como isso é possível. O som de sininhos anuncia a presença das pessoas antes que ela entre, e isso demonstra sensibilidade para com os outros. Se a pessoa é sensível e sente empatia pelos sentimentos do próximo, certamente se refreará de falar mal desta pessoa.
Os sinos também nos ensinam uma lição de derech erets, boas maneiras. O Midrash comenta sobre o tilintar dos sininhos antes da entrada do Cohen Gadol no Mishcan. Isto nos ensina que devemos avisar antecipadamente quando visitamos outras pessoas, e não entrar inesperadamente na casa dos outros. Isto aplica-se mesmo quanto a entrar em nossa própria casa.

Além disso, Rabi Chaim Shmulevitz acrescenta que mesmo se estivermos fazendo um ato louvável, seja no serviço sacerdotal no Templo ou coletando caridade (fora dele), devemos demonstrar sensibilidade para com os outros informando-os previamente sobre nossa chegada. O Cohen Gadol era vestido com roupas que demonstravam suas boas maneiras. Apenas entrava no Mishcan avisando com antecedência – pelo som dos sininhos na baínha de seu manto. Vemos aqui que nem mesmo uma causa valiosa supera a regra imperativa de se ter boas maneiras. A pessoa deveria perceber que os sinos do Cohen dobram com uma mensagem para todos nós.