Se você me perguntasse quando eu era mais jovem, crescendo em um lar não religioso, se eu algum dia cobriria completamente meu cabelo depois do casamento, especialmente com uma peruca, eu diria: "De jeito nenhum!" Não "provavelmente não". Não "talvez um dia". De jeito nenhum.
Mas hoje, não há mitsvá que represente minha jornada para aceitar voluntariamente a Torá mais do que cobrir meus cabelos.
Antes de me casar e me tornar mais religiosa, eu associava cobrir o cabelo a me tornar alguém que eu não era. Alguém excessivamente religiosa, até fanática. E menos moderna e menos elegante. A única parte da mitsvá que me atraía era a ideia de mulheres casadas usarem chapéus na sinagoga. Havia algo de elegante naqueles chapéus, que simbolizavam status e anunciavam: Sou casada.
Então, quando me casei, fui a uma loja de chapéus chique perto da casa dos meus pais em Englewood, New Jersey, e comprei uma coleção de lindos chapéus de grife. E por um tempo, eu os amei. Até que a realidade bateu à porta. Chapéus, especialmente aqueles grandes e extravagantes, são decididamente impraticáveis quando se tem filhos pequenos. Eu carregava bolsas de fraldas, corria atrás de crianças, suava nos grupos de jovens e tentava sobreviver ao Kidush. Por fim, passei a usar tiaras e adornos elegantes.
Mas, embora eu nunca tivesse realmente dedicado tempo para aprender adequadamente sobre a mitsvá, eu sabia que as faixas de cabelo e adornos eram mais simbólicos do que haláchicos.
Por essa época, minha família e eu começamos a frequentar o Chabad local em Potomac, Maryland, com mais regularidade. E todo sábado eu me sentava lá com meu chapéu desconfortável, olhando para a parte de trás das lindas “sheitels ” em iídiche , perucas.
Pensei: "E se eu comprasse uma só para Shabat?" (Só para experimentar.) Então agendei uma consulta em Baltimore.
A mulher que vendia perucas colocou uma na minha cabeça e eu surtei. Olhei no espelho e pensei: "De jeito nenhum. Absolutamente não."
Acabei optando por comprar uma prótese capilar que se prendia no topo do meu cabelo. Mas continuei me sentindo desconfortável com a minha escolha. Eu a tocava constantemente, ajustando-a, preocupada que as pessoas percebessem que parte do meu cabelo era meu e parte não.
Na época, eu trabalhava em uma organização judaica secular e estava convencida de que, se meus colegas soubessem que eu estava usando uma peruca, pensariam que eu havia me tornado uma fanática ultrarreligiosa.
Mas, para minha surpresa, acabei gostando. Me senti diferente quando coloquei uma; mais forte e mais confiante.
Decidi que era hora de parar de reagir emocionalmente à mitsvá e realmente aprender sobre ela seriamente. E, ao mesmo tempo, começou a pandemia de COVID. De repente, eu estava trabalhando remotamente e tinha a liberdade de experimentar sem me preocupar com o que os outros pensariam.
Quando aprendi pela primeira vez na Torá e as fontes talmúdicas relativas a cobrir os cabelos, elas não me pareceram relevantes. A base bíblica me pareceu antiga e desconectada da minha vida moderna. Então, recorri a ensaios escritos por mulheres contemporâneas que explicavam sua conexão pessoal com a mitsvá.
E isso mudou tudo. Uma mulher descreveu o ato de cobrir o cabelo não como um desaparecimento, mas como algo intencional. Como escolher quais partes de si mesma pertencem ao público e quais permanecem sagradas.
E Sara Bluming, minha rebetsin Chabad, com quem me aconselhei compartilhou comigo que o Rebe falou sobre cobrir o cabelo de uma maneira que eu nunca tinha ouvido antes. Não como vergonha ou repressão, mas como dignidade, beleza, confiança e força espiritual.
Isso era importante para mim, porque eu queria me sentir bonita. Queria me sentir elegante e profissional. Queria me sentir espiritual sem me sentir apagada.
Então, quando percebi que a mitsvá nunca teve a intenção de diminuir as mulheres, mas sim de elevá-las, decidi me dedicar completamente a ela.
Com o líder da maioria no Senado, John Thune (republicano da Dakota do Sul).
Duas mulheres da minha comunidade me levaram de volta a Baltimore, onde investi em perucas lindas. E eu as amei. Amei como elas ficavam, amei estilizar e amei como me sentia usando-as. Meu marido também adorou e me apoiou completamente (mesmo depois de descobrir o preço!). Mas, acima de tudo, eu amava o orgulho que minha filha sentia de mim. Amava saber que cobrir o cabelo nunca seria algo estranho ou incomum para ela. E amava saber que, se meu filho um dia se casasse com uma mulher que cobrisse o cabelo, isso também seria algo natural e respeitado por ele.
Cobrir o cabelo também mudou outras coisas. Me levou a me vestir de forma mais recatada, porque não me sentia bem cobrindo o cabelo e me vestindo de uma maneira que não condizia com os valores que minha peruca projetava.
Então, isso mudou a minha alimentação. Parei de ir a restaurantes não casher com colegas e de pedir salada fria ou sushi de legumes só para me encaixar. Eu não queria usar o uniforme da observância da Torá enquanto escolhia seletivamente quais mitsvot importavam, então comecei a seguir estritamente as leis de cashrut, comendo apenas em restaurantes casher.
Então, isso mudou a forma como eu falava. Percebi que não podia andar por aí de peruca fofocando ou falando palavrões, porque quando alguém demonstra ser religioso, seu comportamento passa a ter peso.
A mitsvá que assumi estava moldando quem eu estava me tornando.
Quando comecei a trabalhar em uma nova organização sem fins lucrativos, usei peruca desde o primeiro dia. Todos sabiam que eu era religiosa. Ninguém questionava quando eu saía mais cedo para o Shabat. Sempre providenciavam comida casher. De muitas maneiras, a vida realmente ficou mais fácil.
Com o tempo, comecei a ter conversas significativas com outras mulheres sobre o motivo de eu cobrir o cabelo. "Por que cobrir o cabelo se a peruca é ainda melhor do que o seu cabelo de verdade?", perguntou-me uma mulher. Então expliquei: "A mitsvá não é parecer feia. O judaísmo não acredita que santidade e beleza sejam opostos."
Agora que ocupo um cargo profissional mais sênior, também aprecio saber que outras mulheres que cobrem o cabelo podem se sentir mais confiantes ao verem que eu faço o mesmo, e reconhecerem que podem ser ambiciosas, profissionais, elegantes, bem-sucedidas — e visivelmente religiosas.
O povo judeu certa vez esteve no Monte Sinai e aceitou a Torá com as famosas palavras: "Naassê venishma" "Faremos e ouviremos".
Durante anos, lutei com essa frase, acreditando que primeiro deveríamos entender e depois decidir se colocaríamos em prática. Mas agora vejo que, às vezes, é o fazer que nos transforma, e o entendimento vem depois.
Cumprir a mitsvá de cobrir o cabelo abriu uma porta que minha mente não conseguia abrir. E, no fim das contas, a mitsvá à qual eu mais resistia, aquela que eu menos entendia, foi a que mais me transformou.
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