1. O Jubileu ocorria a cada 50 anos

O ano do Jubileu (Yovel) ocorria a cada 50 anos. O ano sabático (Shemitá) ocorria a cada sete anos, e ao final de sete ciclos de sete (49), a nação celebrava o Jubileu.1

2. O Jubileu não é celebrado atualmente

Para que o Jubileu seja comemorado, toda a nação judaica precisa estar vivendo na terra de Israel. Portanto, desde que as tribos de Reuven, Gad e metade de Menashe foram exiladas — 18 anos antes do exílio das outras tribos do norte — o Jubileu foi cancelado. Isso ocorreu 130 anos antes da destruição do Primeiro Templo.2

3. O trabalho agrícola é proibido

Assim como no ano sabático, no ano do Jubileu a terra devia permanecer em repouso, e os agricultores dedicavam esse ano à oração e ao aprendizado. Como o Jubileu seguia um ano sabático (ano 49), isso significava dois anos consecutivos sem plantio. Abster-se de plantar por dois anos seguidos era um ato de suprema fé, pelo qual D’us prometeu uma recompensa especial no 48º ano.3

4. A libertação dos escravos

Nos tempos bíblicos, quando a escravidão ainda era praticada, o ano do Jubileu era o ano da liberdade, sem negociação. Independentemente de os escravos terem cumprido o período mínimo de seis anos ou terem optado por permanecer por mais tempo, todos eram libertados assim que chegava o Jubileu.

5. Todos os bens foram devolvidos à família original

A propriedade de bens móveis — objetos que não sejam imóveis ou pessoas — pode ser transferida permanentemente de uma pessoa para outra por meio de uma venda. Mas na Terra de Israel, onde a cada tribo foi atribuída a sua província e a cada família a sua propriedade, “a terra não pode ser vendida para sempre, porque a terra é Minha; pois vocês são estrangeiros e peregrinos comigo”. 4

Portanto, se uma pessoa ficasse na miséria e fosse forçada a vender sua propriedade, a “venda” era, na verdade, apenas um arrendamento de longo prazo até o próximo ano do Jubileu, quando então ela retornava ao proprietário.5

6. O Beth Din fazia a contagem

Assim como os 49 dias do Ômer, os 49 anos que antecediam o Yovel eram contados. No entanto, cada judeu era obrigado a contar o Ômer individualmente, enquanto o Grande Beth Din em Jerusalém contava os anos em nome de toda a nação. Por exemplo, no oitavo ano do ciclo, eles diziam: “Bendito seja o Senhor nosso D’us, Rei do Universo, que nos ordenou contar a Shemitá e o Yovel. Este ano tem oito anos, que perfazem uma Shemitá e um ano até o Yovel...”6

7. Era anunciado através de um toque de shofar

Segundo Rashi, a palavra yovel se traduz como “chifre de carneiro”. 7

Este ano especial foi anunciado pela primeira vez com o toque de um chifre de carneiro (shofar) durante o Yom Kipur daquele ano em toda a terra de Israel. O ano da liberdade havia começado! 8 A ordem das bênçãos e dos toques do shofar era a mesma que em Rosh Hashaná.9

8. Outras traduções para a palavra Yovel

  1. Ibn Ezra traduz yovel como “envio”, que se refere ao envio dos escravos. 10
  2. Nachmanides traduz como “liberdade”, que também se refere à libertação dos escravos. 11
  3. Rabenu Bechaya traduz como “riacho” (pequeno córrego de água), o que se refere à ideia de que, durante o Yovel, tudo retorna à sua fonte original.1213

9. Simbolismo dos 50 anos

Abarbanel oferece uma visão fascinante sobre a ideia de um ciclo de 50 anos. Ele afirma que a vida profissional média de um indivíduo é de 50 anos. Os primeiros e últimos anos de vida geralmente são dedicados a outras áreas, enquanto o foco principal dos 50 anos centrais é ganhar a vida. Ele relaciona a palavra yovel a bliya, que significa "ficar desgastado e exausto", e argumenta que, após 50 anos de trabalho, a energia de uma pessoa deveria "se dissipar" do aspecto físico e ser direcionada para o seu crescimento espiritual.14

10. O Jubileu era para todos

Diferentemente do ano de Shemitá, que não se aplicava aos leviim (que não possuíam propriedades) e aos escravos que permaneciam com seus senhores, o Yovel era celebrado por toda a nação. Assim, embora as leis do Yovel não se apliquem antes da vinda do Mashiach, seus ensinamentos são eternos e relevantes para todos nós.15