Por Rabino David Azulay
Como é possível chegar a uma situação de fome? Aonde está a tecnologia que levou o homem à Lua enquanto no planeta Terra ele passa fome?

A meu ver, o problema não está em passar fome, mas sim em seus causadores; são eles que estão passando fome: fome moral, ética e espiritual. Se esperar até se sensibilizar, o faminto já morreu.

Em seu livro Oito Capítulos, Maimônides escreve uma frase que chama muito a atenção e tem muito conteúdo: "A Lei da Torá proíbe o que proíbe e ordena o que ordena, para que nos afastemos dos extremos como meio de disciplina."

Parece uma frase ditatorial por suas imposições, porém este grande sábio, filósofo e médico judeu com certeza quer nos passar uma mensagem valiosa e atual, apesar de ter sido escrita há mais de oitocentos anos.

Por natureza, o ser humano possui, em sua grande maioria, tendências egocêntricas. Desde criança, fala: "É meu" – minha chupeta, meu velocípede, minha bicicleta, meu fusca, minha BMW, etc… e se justifica dizendo: "Por que eu tenho que dar para o outro; afinal eu fiz, eu construí, eu trabalhei… eu mereço."

É necessário algo superior que ensine de maneira dosada que você tem certas obrigações morais que, no final, são para seu próprio benefício, para seu equilíbrio sentimental e espiritual.

Maimônides conclui sabiamente: "A maioria dos mandamentos da Torá nos instrui e disciplina os poderes da alma" como por exemplo a tsedacá (caridade). "Cumprindo os mandamentos ligados a tsedacá nos afastamos da mesquinharia, tendo como propósito estabelecer firmemente a bondade dentro de nós."

Bom apetite!