Por Chana Weisberg
Certa manhã de domingo, ao raiar do dia, meu filho mais novo pulou em minha cama. Rindo, passou a mão sobre meus olhos semi-fechados e encheu meu rosto de beijos molhados, enquanto tentava fazer-me acordar e começar um novo dia repleto de aventuras.
A princípio, tentei ignorar sua presença, na esperança de que ele voltasse para sua própria cama. Porém, depois de vários minutos e diversos resmungos de minha parte, eu estava pronta a desistir de minha soneca matinal. Por fim, como de costume, seu comportamento entusiástico me contagiou, e fui vencida. Sucumbi a seus apelos e sentei-me na cama.

Animadamente, ele foi pulando até seu quarto, retornando segundos depois com um livro de histórias para que eu lesse em voz alta. Aninhando-nos embaixo das cobertas aconchegantes, começamos a folhear juntos o livro, examinando suas gravuras coloridas e imaginando como se desenrolaria a história.

Em pouco tempo, o sol se ergueu e começou a espreitar através das grandes janelas curvas na parede do lado sul de meu quarto. Logo, estava brilhando e, após alguns minutos, seu esplendor quase nos cegava, impedindo-nos de continuar.

Sem se deixar abater, meu filho levantou as mãozinhas e colocou os dedos rechonchudos na frente dos olhos, bloqueando os poderosos raios de sol.

"Olha só" - anunciou ele. "Minha mão tapa o sol."

"Sim" - concordei.

Pensativo, ele continuou: "É porque minha mão é muito maior que o sol."

Para provar sua teoria, ele aconchegou-se a mim e colocou as mãos na nossa frente, obscurecendo o fulgor do sol.

"Veja" - demonstrou. "Minha mão bloqueia a luz do sol porque é maior que ele."

Achei graça nos seus argumentos, e depois expliquei: "Não, querido. O sol é muito maior. Sua mão somente consegue tapar os raios do sol porque você está colocando as mãos bem na frente dos olhos, portanto seus olhos não podem mais ver o sol."

"Veja" - continuei - "as coisas que estão mais perto de você parecem maiores que aquelas que estão distantes."

Comparamos então o tamanho de diferentes objetos em meu quarto. Juntos olhamos para a penteadeira, que de longe parecia tão pequena, porém muito maior quando colocamos as mãos sobre ela. E, embora à distância, o abajur de cabeceira, o espelho da parede ou os quadros pareciam menores que a mão de meu filho; quando nos aproximávamos, porém, víamos como cada peça era na realidade muito maior.

Por alguns instantes, até que fosse tempo de me ocupar com as tarefas do dia, andamos pelo quarto, colocando as mãos sobre cada objeto, vendo seus tamanhos mudarem conforme o ponto de observação.

No decorrer do dia, com todo o tipo de pressão e os problemas diários a resolver, tentei aplicar a lição que ensinara a meu filho naquela manhã.

Quanto mais próximo um objeto ou assunto está de você, menos objetividade você tem para avaliar seu tamanho correto ou sua importância. Muitas vezes um problema se agiganta, mascarando seu verdadeiro tamanho ou bloqueando outros aspectos significativos.

Dê um passo atrás para analisar se pequeninas coisas em sua vida estão obscurecendo o quadro completo.

Afaste um pouco o problema para que suas verdadeiras dimensões - e freqüentemente, sua insignificância - aflore.

Talvez até tivesse valido a pena perder minha soneca da manhã de domingo para aprender aquela lição.