Por Yaacov Lieder
Na vida atarefada dos pais que trabalham, a quantidade de tempo que passamos com nossos filhos é bastante limitada. "Como posso fazer com que o tempo que passo com meu filho de 14 anos seja uma experiência agradável?"
perguntou um pai preocupado. "Quando ele tinha cinco anos, seu rosto costumava reluzir e ele abria um largo sorriso todas as vezes em que eu entrava em seu quarto. Agora, aos 14, seu rosto também brilha e ele sorri de orelha a orelha - não quando eu entro em seu quarto, mas quando eu saio. O que devo fazer?"
"De que maneira você passa este tempo limitado que dedica a ele?" perguntei. Sua resposta foi: "Faço disso uma experiência educacional. Digo a ele que estou aborrecido com a bagunça em seu quarto. Discuto também meu desprazer com seu corte de cabelo e suas maneiras, e se ainda sobrar algum tempo tento educá-lo, mostrando como seus amigos são errados e como desaprovo o fato de ele tê-los escolhido como amigos. Meu filho fica bastante chateado com estas discussões, mas sinto que, como pai, é meu dever educá-lo."
Expliquei ao pai preocupado que aquilo que ele está fazendo não é educação, mas sim crítica destrutiva, que cria uma distância entre ele e o filho. Alguns adolescentes saem do aposento ou da casa quando seus pais estão ali, para evitar críticas. Estabeleceu-se que falar com os pais é igual a crítica, o que significa maus sentimentos. E faz parte de nossos instintos naturais afastar-se daquilo que nos magoa.
Quando conhecemos determinadas pessoas ou vamos a certos locais onde tivemos experiências desagradáveis, entrar nesse lugar ou falar com essa pessoa muitas vezes desencadeia este fundamento negativo e cria sentimentos maus - mesmo que não haja nada de negativo acontecendo agora.
Como pais, queremos ter certeza de criarmos fundamentos positivos nas mentes de nossos filhos. Isso os fará desejar passar mais tempo em casa conosco, em vez de procurar outras pessoas e outros lugares para fazê-lo.
Se você passa bastante tempo positivo com seu filho, pode se dar ao luxo de passar parte desse tempo corrigindo seu comportamento. No entanto, em casos em que você tem apenas um tempo limitado, assegure-se de transformá-lo em uma experiência agradável, que cria uma base positiva.
O que fazer se uma base negativa infelizmente já foi criada?
Uma boa solução é entrar numa dieta purificadora de sete dias. Nesta semana, não temos permissão de dizer nem sequer uma palavra de crítica a nosso filho. De fato, não apenas não devemos dizê-la, como também não devemos senti-la, porque nossa linguagem corporal às vezes fala mais alto que as palavras. O principal é concentrar-se nos pontos positivos que este filho possui, e todo filho tem algo de positivo no qual podemos nos concentrar.
Se notamos nosso filho sentado no chão assistindo a um vídeo com os pés para cima, podemos sentar no chão junto dele, entrar em seu mundo, agradecer a D'us por ele ter olhos sadios que lhe permitem assistir ao filme, procurar algo de bom para elogiá-lo, falar sobre assuntos que o interessem, pedir sua opinião, mostrar-lhe como ele é importante.
Os sete dias devem ser consecutivos para a dieta funcionar. Se dentro de sete dias escorregarmos e quebrarmos a dieta, dizendo ou fazendo algo negativo, temos de começar a contar os sete dias novamente. Esperemos que assim seja possível substituir o fundamento negativo por um positivo, e que possamos voltar à maneira que era antes - que possamos ver nosso filho sorrindo e se alegrando quando entramos em seu quarto, ao invés de deixá-lo!
Tente; funciona!