Por Yaacov Lieder
Quando eu era diretor de uma escola, de tempos em tempos uma professora entrava em meu escritório, bastante contrariada pelo comportamento de algum aluno na classe. A professora explicava o quanto determinado aluno tinha sido rude e quantas advertências tinha recebido sem nenhuma mudança aparente. "Não consigo mais lidar com ele. Por favor, tire-o de minha classe."
Eu costumava entender a frustração da professora por não ser capaz de cuidar do seu trabalho. Portanto, oferecia-me para conversar com a criança enquanto a professora se acalmava, na esperança de que pudesse se encontrar uma solução mais racional.
Não importa quão experiente e instruído seja um professor, não pode desempenhar o papel de testemunha, promotor e juiz ao mesmo tempo. Um juiz que esteja envolvido de alguma forma – seja por ter recebido um benefício por parte do réu ou se foi pessoalmente prejudicado por ele – obviamente não é a pessoa certa para julgar um caso.
O mesmo princípio se aplica em casa. Se um dos pais se aborreceu e ficou furioso com o filho por seu mau comportamento, seria mais adequado deixar que o outro genitor, que não está envolvido com a situação, cuide do problema e, se necessário, prescreva o castigo apropriado.
Um castigo deveria ser a conseqüência do comportamento negativo, com a meta de impedir que isso volte a ocorrer. Quando um dos pais está irado, a punição pode vir como uma expressão de sua fúria e frustração. O filho ainda se sentirá amado e respeitado quando o castigo é ministrado pelo genitor que não está irado, de maneira calma e confiante. Quando o castigo vem num acesso de raiva, com bastante emoção associada a ele, o filho se sente rejeitado e odiado.
Nas palavras de nossos Sábios: "A mão direita deve trazer para perto, enquanto a esquerda afasta."
Nosso objetivo mais importante é chegar a um ponto em que a criança se comporte adequadamente sem necessidade de recompensa ou castigo. Mas enquanto este ideal ainda não foi atingido e precisamos recorrer ao uso da "mão esquerda" para rejeitar o comportamento negativo e cuidar das conseqüências, devemos simultaneamente empregar nossa outra mão e intensificar nosso reforço positivo, com a "mão direita" – i.e., o movimento mais forte e mais ênfase na parte positiva.
Obviamente, esta idéia pode parecer muito boa quando a lemos durante as férias, mas menos realista e prática quando a criança está provocando o caos num dia quente, dentro de um carro sem ar condicionado após um dia duro de trabalho. Podemos apenas tentar atingir este ideal.
Porém, não devemos nos sentir mal naquelas ocasiões em que nosso instinto natural aflora. Pelo contrário, devemos nos sentir bem e nos congratular por aquelas raras ocasiões em que conseguimos implantar com sucesso o princípio de não castigar quando estamos emocionalmente envolvidos.
Isso se aplica a todas as áreas da criação de filhos e relacionamentos. Nossa meta é aumentar o número e a freqüência das vezes em que reagimos com lógica e não com emoção, até que um dia (esperamos que ocorra enquanto nossos filhos ainda estiverem em casa) isso se tornará uma segunda natureza.