Por Yaacov Lieder
A criação dos filhos é algo que exige um grande investimento de nosso tempo. Quanto a isso, não temos escolha. Mas podemos escolher quando este tempo será usado.
Podemos optar por passar o tempo quando são pequenos, quando temos a chance de incutir em nossos filhos traços e atitudes positivos que lhes serão úteis na vida adulta. Ou podemos escolher passar o tempo mais tarde na vida deles – arrancando-os de problemas e confusões em que podem se meter quando ficarem mais velhos. Com toda a certeza teremos de investir tempo.
Porém, cabe a nós quando este tempo será gasto.
Um casal relatou-me que sua filha de nove anos voltou da escola em lágrimas certo dia. "Nunca mais quero ir para a escola. Minha professora me odeia. Ela me castigou por algo que não fiz – a lição de casa" – disse ela.
Como pais atarefados vivendo no século 21 e tendo mil exigências a cumprir com o nosso tempo, podemos escolher deixar o problema de lado. "Simplesmente comece a fazer sua lição a partir de agora." Ou então: "Não se preocupe, ano que vem você terá uma professora melhor."
Ou ainda: "Faça sua tarefa, senão…"
Alguns pais diriam qualquer coisa só para ficarem livres do problema, e poderem se concentrar naquilo que consideram mais importante.
O casal com quem eu estava conversando preferir parar tudo que estava fazendo para dar atenção à filha. Eles escolheram investir o tempo agora.
"Você parece muito contrariada" – disse o pai à filha. "Explique-me como se sente. Quando você diz que sua professora a odeia, o que quer dizer, exatamente, com isso? Acha que ela odeia você o tempo todo, ou apenas quando você não obedece as regras da escola? Pensa que a professora estava aborrecida com você como pessoa, ou por aquilo que você fez ou deixou de fazer?" Eles a levaram a separar a história, enxergar seu real significado e a interpretação que a menina dava a tudo aquilo.
Após uma hora de meia de conversa franca e sem julgamentos, a menina de nove anos chegou à sua própria conclusão. "É de minhas ações que ela não gosta, não de mim, e preciso assumir a responsabilidade por minhas ações." A criança tinha tomado uma firme decisão de fazer as tarefas a tempo.
Os pais ficaram comovidos na manhã seguinte quando encontraram uma carta de desculpas da filha endereçada à professora, dizendo que dali em diante ela faria as tarefas e obedeceria às regras da escola. A mãe continuou: "Tomei a meu encargo partilhar esta experiência com a professora de minha filha, e agradecer a ela por se interessar pela minha menina. Ela apreciou meu apoio e encorajamento, e ambas sentimos que jogamos no mesmo time."
Ao escolher passar o tempo de maneira ativa, em vez de optar por uma solução momentânea, estes pais fizeram progressos no sentido de implantar na filha cinco valores importantes:
1. Responsabilidade – "Se tenho de fazer, então é meu dever." Eles insistiram para que a filha assumisse responsabilidade por sua própria ação. Não culpe os outros, assuma o controle sobre sua vida.
2. Auto-estima positiva – Eles deram à filha o sentimento de que ela é suficientemente importante para ambos os pais pararem o que estavam fazendo para concentrar-se nela e realmente ouvi-la.
3. História/interpretação – Eles ensinaram a filha a entender a diferença entre a história real e a interpretação que ela tinha dado a tudo aquilo. Na maioria das vezes, é nossa interpretação que nos afeta, não os verdadeiros fatos.
4. Lidar com o problema – A criança aprendeu que é importante lidar com o problema enquanto ainda está pequeno, em vez de deixá-lo aumentar de proporções com o tempo, e fugir ao controle.
5. A criança aprendeu que quando faz algo de errado, pode confiar nos pais. Sentiu que não seria julgada, e que independentemente do que pudesse acontecer entre ela e a professora, o amor dos pais por ela é incondicional. Entendeu que não precisa ir a outro lugar em busca de apoio.
Tente – funciona!