Essa série de oito mensagens é baseada nos ensinamentos de Rabi Sacks falecido em 7 de novembro de 2020/20 Marcheshvan 5781. O conteúdo educativo adicional foi provido pelo Dr. Daniel Rose em conjunto com o Escritório do Rabi Sacks.

Uma Mensagem Para a Quarta Noite de Chanucá

Uma das frases-chave do nosso tempo é “o conflito de civilizações”. E Chanucá é sobre um dos primeiros grandes conflitos de civilização, entre os gregos e os judeus da antiguidade, Atenas e Jerusalém. Os antigos gregos produziram uma das mais notáveis civilizações de todos os tempos: filósofos como Platão e Aristóteles, historiadores como Heródoto e Thucydides, dramaturgos como Sófocles e Aeschylus. Eles produziram arte e arquitetura de uma beleza que nunca foi superada.

Porém no Século 2 AEC eles foram derrotados pelo grupo de lutadores judeus conhecidos como os macabeus, e a partir dali a Grécia como um poder mundial caiu em rápido declínio, enquanto o minúsculo povo judeu sobreviveu a todo exílio em perseguição e ainda estão vivos e bem atualmente.

Qual é a principal diferença entre os dois grupos? Os gregos, que não acreditavam num único D'us amoroso, deram ao mundo o conceito de tragédia; lutamos, nos esforçamos, às vezes atingimos grandeza, mas a vida não tem um supremo objetivo. O universo não sabe nem se preocupa por que estamos aqui. Em total contraste, a Antiga Israel deu ao mundo a ideia de esperança. Estamos aqui porque D'us nos criou em amor, e através do amor descobrimos o significado e o propósito da vida.

Culturas trágicas por fim se desintegram e morrem. Ao perder qualquer senso de supremo significado, elas perdem as crenças e hábitos morais dos quais a continuidade depende. Elas sacrificam felicidade por praze. Vendem o futuro pelo presente.

Elas perdem a paixão e a energia que lhes trouxe grandeza em primeiro lugar. Isso é o que aconteceu com a Grécia Antiga. O Judaísmo e sua cultura de esperança sobreviveram, e as luzes de Chanucá são o supremo símbolo daquela sobrevivência, da recusa judaica em abandonar seus valores pelo glamour e prestígio de uma cultura secular, então ou agora. Uma vela de esperança pode parecer algo pequeno, mas a própria sobrevivência de uma civilização pode depender dela.

Pensamento de Rabi Sacks

A vitória de Chanucá teve vida curta. Dentro de um século Israel estava novamente sob domínio estrangeiro, dessa vez pelos romanos. Foi a vitória espiritual que sobreviveu. Percebendo que a verdadeira batalha não era contra um império mas uma cultura, os judeus começaram a construir o primeiro sistema de educação universal. O efeito foi surpreendente. Embora mais tarde eles fossem sofrer derrotas devastadoras pelas mãos dos romanos, eles tinham criado uma identidade tão forte que foi capaz de sobreviver a 2.000 anos de exílio e dispersão.

O que a história ensinou a eles foi que para defender um país você precisa de um exército, mas para defender uma civilização precisa de escolas. A curto prazo as batalhas são vencidas por armas, mas a longo prazo elas são vencidas por ideias e a maneira em que são transmitidas de geração a geração. Estranho mas apropriadamente, Chanucá vem do mesmo radical hebraico que a palavras “chinuch”, que significa “educação”.

Publicado em Credo, The Times (7 de Dezembro de 2007).

Contrastes de Valores

Os gregos acreditavam na estética – beleza e força física – mais do que em beleza moral e espiritual. Eles não acreditavam num único, amoroso D'us, mas sim no destino, e deram ao mundo o conceito de tragédia. Não importa o quanto lutamos e trabalhamos para atingir nossas próprias metas, o destino determina nosso fim. A vida não tem um propósito supremo. O universo nem sabe nem se importa sobre por que estamos aqui.

O judaísmo em total contraste acredita que estamos aqui porque D'us nos criou com amor, e Ele age na história para nosso benefício, e através deste amor descobrimos o significado e o propósito da vida. A verdadeira vitória que celebramos é sobre como os judeus se recusaram a aceitar a sedução da cultura grega, que era a antítese dos valores da Torá. Lutamos para manter esses valores, e passados milhares de anos, enquanto os antigos gregos há muito se foram, o povo judeu continua vivo e vibrante.

Esperança

As luzes de Chanucá são o símbolo da sobrevivência do povo judeu e da cultura judaica, representam esperança e fé, porque mesmo quando a situação parecia impossível, os Macabeus se recusaram a desistir e lutaram para triunfar sobre a escuridão.

O Judaísmo nos diz que o mundo pode e vai se tornar melhor do que é hoje (e nos dá a responsabilidade de trabalhar com D'us para tornar isso uma realidade). O conceito de Tikun Olam (redimir o mundo) e a antecipação de uma era messiânica que ainda não chegou fornece à humanidade esperança no futuro. O povo judeu e a civilização judaica têm sobrevivido através das gerações não construindo exércitos, mas cuidando da educação de cada geração.