“Fala a Aaron e a seus filhos dizendo: Eis como deves abençoar os filhos de Israel…” Números 6:23

O termo hebraico para a Bênção Sacerdotal é Bircat Cohanim também conhecida como Nesi’at Kapayim, “erguer as mãos”, porque os sacerdotes levantavam as mãos, através das quais fluíam as bênçãos divinas.

No Templo Sagrado, os Cohanim subiam a uma plataforma (duchan – portanto a origem do termo hebraico para a Bênção Sacerdotal: “duchening”) após as oferendas dos sacrifícios matinais e abençoava as multidões reunidas. Com a destruição do Templo, a bênção é administrada no decorrer dos serviços de prece, durante a Repetição da Amidá pelo chazan, condutor das preces. É necessário que haja um minyan presente para os Cohanim pronunciarem Bircat Cohanim.

Em Jerusalém, o rito é realizado toda manhã. Nos dias em que Mussaf é recitado, o Bircat Cohanim é realizado tanto durante Shacharit quanto em Mussaf. Em todas as outras cidades israelenses além de Jerusalém, alguns (na maioria sefaradim) fazem Bircat Cohanim todo dia, enquanto outros (na maioria askenazim) somente no Shabat.

Bircat Cohanim é um retorno ao serviço sacerdotal do Templo. Um Cohen que tivesse bebido mesmo uma pequena quantidade de uma bebida alcoólica era proibido de realizar qualquer serviço no Templo até que os efeitos da bebida tivessem passado. A mesma regra se aplica a Bircat Cohanim nos dias de hoje, e consequentemente a bênção não é administrada durante o serviço de Minchá da tarde, por medo de que alguns Cohanim possam ter tomado um aperitivo junto com o almoço. Nos dias de jejum os Cohanim recitam a bênção também durante Minchá.

Na Diáspora

Uma bênção deve ser feita com um coração alegre, portanto vem daí o costume prevalecente na Diáspora de relegar o Bircat Cohanim aos feriados mais importantes. Além disso, a bênção é feita somente durante a prece Mussaf, quando a multidão está alegremente esperando para ir para casa e celebrar a refeição festiva com a família e amigos. Uma exceção a essa regra é Simchat Torá, quando o Bircat Cohanim é realizado durante os serviço de Shacharit (matinal) isso porque neste dia festivo muitos fazem kidush (sobre bebidas alcoólicas) antes de Mussaf.

Interessantemente, o Bircat Cohanim também é feito em Yom Kipur; quando estamos alegres por causa da expiação concedida por D'us nesse dia mais sagrado do calendário judaico.

Há costumes conflitantes se Bircat Cohanim é administrado num feriado que cai no Shabat. O costume Chabad é fazer a bênção como usual.

Preparando-se para a Bênção

Lavar as mãos do Cohen
O Cohen precisa lavar e santificar suas mãos antes de Bircat Cohanim. A bênção Al netilat yadayim não é recitada após essa lavagem das mãos. As mãos devem ser lavadas o mais próximo possível de Bircat Cohanim (tipicamente depois que a Kedushah é recitada na repetição da Amidá).

D'us concedeu à tribo sagrada de Levi o privilégio de ajudar e servir os Cohanim enquanto eles estão na “linha do dever”. Portanto a honra de lavar as mãos dos Cohanim pertence aos Levitas. Se nenhum levita estiver presente, um filho primogênito faz as honras. (embora o sacerdócio fosse removido do primogênito após o Bezerro de Ouro, eles ainda retêm uma medida maior de santidade.) Se não houver nenhum levita ou primogênito presente, o Cohen deve lavar suas próprias mãos.

Antes de lavar as mãos do Cohen, o levita (ou primogênito) deve lavar as próprias mãos. O costume Chabad é que o levita lave suas mãos três vezes intermitentemente – como é feito ao acordar pela manhã.

De modo contrário, as mãos do Cohen são lavadas como é de costume quando lava para comer o pão – a mão direita três vezes e depois a esquerda três vezes. O Cohen não deve falar entre a lavagem das mãos e o Bircat Cohanim.

Remoção dos Sapatos
O Cohen retira seus sapatos antes de Bircat Cohanim. O sapato retirado impede a congregação de zombar de um Cohen que, se por acaso tiver um cordão de sapato rasgado, permanece atrás para consertar o laço, e se abstém de juntar-se aos seus irmãos Cohen.

O Cohen deve retirar os sapatos antes de lavar as mãos, ou pelo menos afrouxar ou desamarrar os cordões para que não precise tocar os sapatos depois para removê-los, pois isso o obrigaria a lavar novamente as mãos.

Por respeito à congregação, os sapatos não deveriam ser deixados nos corredores da sinagoga. Em vez disso, deveriam ser colocados fora da vista, por baixo de uma cadeira ou mesa, enquanto durar a bênção.

Momentos antes da bênção
O chazan iniciando a bênção “Retsai...” é o sinal para os Cohanim levantarem-se e ir até a frente do Aron Hacodesh, onde se guardam os rolos de Torá (todas as mãos devem ser lavadas antes desse ponto). Os Cohanim devem começar a ir até a frente do Aron Hacodesh quando o chazan começa sua bênção. Se, por algum motivo, um Cohen não deixou seu lugar na hora em que o chazan termina a bênção de Retsai, ele não pode mais administrar a bênção sacerdotal, e em vez disso deveria deixar o santuário pela duração da bênção.1 Em muitas comunidades (embora não nas congregações Chabad), uma prece breve – recitada apenas quando os Cohanim administram a Bênção Sacerdotal – é recitada pelo chazan e pela congregação na metade da bênção Retsai, começando com as palavras Vite’arev lifanecha.
Os Cohanim ficam de pé na frente da congregação voltados para a Arca Sagrada. Nesse ínterim, após recitar “Rabanan Modim” com a congregação, o chazan silenciosamente recita uma prece breve (encontrada no livro de orações) implorando a D'us que a bênção a seguir seja “uma bênção perfeita, isenta de impedimento ou iniquidade…” O ideal é que o Cohen conclua essa bênção quando o chazan termina a bênção Modim – permitindo que a congregação responda “Amén” simultaneamente a ambas as preces.

O chazan então cobre a cabeça e a parte superior do corpo com seu talit e espera o início de Bircat Cohanim.

A Bênção

Chamado aos Cohanim
O chazan recita a prece que precede o Bircat Cohanim (“Nosso D'us e D'us dos nossos pais, abençoa-nos com a tripla Bênção [Sacerdotal]… até chegar à palavra “Cohanim” – que ele proclama em voz alta; oficialmente convocando os Cohanim para se isentarem do seu dever sacerdotal. O chazan então continua “Am kedoshecha ka’amur” (“Sua sagrada nação [sacerdotal], como está escrito…”).
A essa altura, os Cohanim – que estão de frente para a Arca – giram para encarar a congregação e fazer uma bênção, agradecendo a D'us por “nos santificar com a santidade de Aaron e nos ordenar a abençoar Sua nação Israel com amor.”

Mãos Erguidas
Logo após a bênção, os Cohanim levantam as mãos por baixo do talit que vestem – à altura do ombro, as palmas estendidas viradas para baixo. A mão direita deve ficar um pouco mais elevada que a esquerda. Os dedos ficam posicionados numa maneira que deixa cinco “janelas” através das quais as bênçãos de D'us fluem à congregação. A ideia em geral é separar cada mão em três “seções” – deixando espaços em cada mão entre o polegar e o indicador, e entre o dedo médio e o anelar. O quinto espaço é completado pela maneira que os dois polegares são configurados juntos. Há diferentes tradições sobre essa configuração – os Cohanim deveriam se consultar com seu pai ou rabino para determinar a tradição de sua família/comunidade a esse respeito.

Os sefaradim têm uma tradição totalmente diferente. Eles erguem as mãos acima da cabeça e separam todos os dedos.

Os Cohanim não deveriam olhar para suas mãos durante a recitaçnao da bênção completa do Bircat Cohanim.

O Chazan Lidera
O chazan então lidera os Cohanim. Ele recita em voz alta as quinze palavras da bênção:
“Que D'us te abençoe e guarde.
Que D'us brilhe Seu semblante sobre você e seja generoso com você.
Que D'us volte Seu semblante sobre você e lhe conceda paz.”
(Números 6:24-26)

As palavras em hebraico são:
Yivarechecha Ado-nai Viyishmirecha
Ya’er Ado-nai Panav
Elecha Veechuneka
Yeesa Ado-nai Panav
Elecha Viyasem Lecha Shalom

Os Cohanim repetem após o chazan palavra por palavra. Os Cohanim devem cantar as palavras de Bircat Cohanim em voz alta – mas não num grito. É tradicional em muitas comunidades que os Cohanim precedam cada palavra com uma breve melodia. Os Cohanim devem esperar o chazan completar dizendo uma palavra antes de repeti-la.

Após a conclusão de Bircat Cohanimos os  Cohanim permanecem de frente para a congregação até o chazan iniciar a bênção “Sim Shalom”. A essa altura eles se voltam – na direção dos ponteiros do relógio – e somente quando estão novamente de frente para a Arca eles abaixam as mãos estendidas. Enquanto o chazan recita o “Sim Shalom” os Cohanim recitam uma prece curta, “informando” a D'us que eles concordam com Sua ordem de administrar a bênção Sacerdotal, e agora Ele deve fazer conforme prometeu –“Olhe para baixo da Sua morada Celestial e abençoe Seu povo e a Terra que nos deu…”

Idealmente, o Cohen deveria concluir esta prece quando o chazan termina a bênção “Sim Shalom” – permitindo que a congregação responda “Amém” a ambas as preces simultaneamente. Os Cohanim permanecem na frente do Santuário até a conclusão do cadish que segue à Repetição da amidá de Mussaf. Então eles (colocam os sapatos) e voltam aos seus lugares.

O que faz a congregação durante a bênção?

É costume para a congregação ficar de pé durante o Bircat Cohanim por respeito à Divina Presença que honra a ocasião.

Somente aqueles de pé na frente dos Cohanim são incluídos na bênção. Nas sinagogas onde os assentos estão diretamente no lado do muro ocidental do santuário (isso é especialmente comum com o lugar do rabino ou chazan), seus ocupantes devem se mover vários passos para o Bircat Cohanim para que não fiquem de pé atrás dos Cohanim. (O chazan deve voltar antes de começar a Repetição da Amidá.)

A congregação deve ficar de frente para os Cohanim enquanto estão sendo abençoados – não é respeitoso virar as costas (ou ficar de lado) para uma bênção – mas não devem olhar para eles. Os homens costumeiramente cobrem a cabeça e a face com seu talit. Crianças pequenas juntam-se aos pais por baixo do talit, o que representa uma memorável experiência na infância.

A congregação ouve atentamente e responde “Amém” à bênção preliminar dos Cohanim, e na conclusão de cada um dos três versículos do Bircat Cohanim. A congregação deve esperar até os Cohanim terem enunciado totalmente a palavra final do versículo antes de responder Amém.

Segundo o costume Chabad, os membros da congregação movem a cabeça em sincronia com as palavras do Bircat Cohanim. Quando os Cohanim pronunciam a primeira palavra, “yivarechecha”, eles ficam de frente; a palavra seguinte, Hashem, eles voltam a cabeça para a direita; a próxima palavra, “viyishmerecha”, para a frente; a próxima palavra, “ya’er” cabeça para a esquerda, etc. (Para a frente, direita, para a frente, esquerda, para a frente, direita, para a frente, esquerda etc.).

Prece da Congregação
Enquanto os Cohanim cantam a melodia antes das três palavras finais do Bircat Cohanim a congregação recita uma prece pedindo a “cura” de todos os seus sonhos negativos.
Após o Bircat Cohanim com a face ainda coberta pelo talit, a congregação silenciosamente recita a breve prece “Adir bamarom”.

À medida que os Cohanim voltam aos seus lugares, é costume para a congregação reconhecer apreciativamente sua bênção com a tradicional saudação “Yasher koach!”

Várias leis pertinentes ao Cohen
O que o sacerdote pensa durante a bênção? Um filho do sacerdote se junta à bênção?

Um pré-requisito fundamental ao Bircat Cohanim é amor mútuo e respeito entre os Cohanim e a congregação. Na verdade, o texto da bênção recitada pelos Cohanim antes de recitar as bênçãos agradece a D'us por “nos santificar com a santidade de Aaron e nos ordenar a abençoar Seu povo Israel com amor!”

Se um Cohen desprezar qualquer membro da congregação ou vice versa, é considerado um risco para aquele Cohen participar do Bircat Cohanim. Preferivelmente, um Cohen não deveria ser o chazan para um serviço de prece no qual o Bircat Cohanim será realizado. Em caso de grande necessidade, um rabino irá instruir o Cohen que for também chazan em como realizar o Bircat Cohanim neste caso.

Um filho pré-Bar Mitsvá de Cohen pode participar na bênção junto com os Cohanim adultos. É costume os filhos se juntarem ao pai por baixo de seu talit.

Há costumes diferentes sobre um Cohen que está de luto tomar parte do Bircat Cohanim, como o costume chassídico de permitir a participação. Mesmo aqueles cuja tradição desencoraja um Cohen enlutado de participar da bênção deveria consultar um rabino antes de se abster, pois determinadas condições podem ordenar a participação, apesar disso.

O Cohen que por alguma razão não participa no Bircat Cohanim deve sair da sinagoga antes que o chazan comece a bênção “Retsav” da Repetição da Amidá.

Lembrando a bênção sacerdotal em nossas preces comunitárias diárias
Como foi mencionado acima, (nas comunidades askenazitas) fora de Israel, os Cohanim administram o Bircat Cohanim em feriados somente durante a prece de Mussaf. Em Israel, também somente em Jerusalém o Bircat Cohanim é realizado todos os dias. O restante do país tem uma bênção semanal administrada no Shabat.
(O Rebe declara que a Terra de Israel é o “coração” do globo; o conduíte pelo qual o mundo inteiro recebe seu fluxo Divino de energia. Similarmente, as bênçãos diárias feitas pelos Cohanim em Jerusalém se estendem ao mundo inteiro, mostrando as bênçãos de D'us sobre os judeus no resto da Terra e também na Diáspora.)

Durante aquelas preces que são essencialmente elegíveis para os Bircat Cohanim – i.e., Shacharit de todo dia, e Mussaf de Shabat, Chol Hamoed e Rosh Chodesh – enquanto Bircat Cohanim não é realizado, o chazan recita a seguinte prece, no lugar de Bircat Cohanim durante a Repetição da Amidá, logo depois da bênção “Sim Shalom”: “Nosso D'us e D'us de nossos pais, abençoa-nos com a bênção tripla escrita na Torá por Moshê Teu servo, e pronunciada por Aaron e seus filhos, os Cohanim… [e a prece se conclui com o texto da Bênção Sacerdotal].”

Nas congregações Chabad, quando o chazan conclui cada um dos três versos da bênção, a congregação responde com “Amén”. Nas outras comunidades, a congregação responde dizendo “kain yehi ratson” – na verdade, “que essa seja Tua vontade.”

Essa prece também é dita pelo chazan durante o feriado em Mussaf se nenhum Cohen estiver ali para realizar Bircat Cohanim. Como essa prece somente é recitada durante aquelas preces que são inerentemente elegíveis para Bircat Cohanim não é recitada durante os serviços de Minchá, quando Bircat Cohanim não é realizado por temer que alguns dos Cohanim possam não estar sóbrios. Nos dias públicos de jejum, quando não há preocupação de intoxicação, essa prece é recitada durante a prece de Minchá também.

No jejum de Tisha b’Av, essa prece não é recitada pelo chazan durante a prece Shacharit. Bênçãos devem ser feitas com um coração alegre, que está dolorosamente ausente nessa manhã. Durante a prece vespertina Minchá, quando o luto diminuiu um pouco, a prece é recitada.

A Dimensão Espiritual
Várias ideias sobre a dimensão interior da bênção dos sacerdotes
Em Rosh Hashaná somos julgados e em Yom Kipur o veredicto é selado. A Corte Celestial determina a quantidade de beneficência Divina a ser concedida a cada criatura durante o ano seguinte. Porém ainda rezamos todo dia, implorando a D'us que nos conceda todas as nossas necessidades diárias. Por quê? Porque somente a “quantidade” anual de bondade Divina foi predeterminada – não sua composição. A bondade de D'us pode se expressar de muitas maneiras – prosperidade, saúde, filhos etc. – rezamos pela benevolência de D'us se manifestar naquelas áreas em que atualmente estamos em necessidade.

Além disso, o atributo sobrenatural da bondade de D'us instintivamente prefere se expressar de maneira puramente espiritual – de acordco com sua própria natureza espiritual. Assim, a essência da alma da pessoa que habita nos reinos mais altos é o recipiente mais provável para a bondade destinada para uma pessoa. Todo dia do ano somos julgados novamente se nossos méritos são suficientes para “forçar” o fluxo Divino – que foi destinado para nós em Rosh Hashaná – em nossa direção. Rezamos para que a bondade de D'us nos atinja de maneira física, tangível e apreciável.

Bondade Forçada
A alma do Cohen brota do atributo Divino de rav chessed – “bondade abundante”. Nas obras místicas esse atributo é comparado a um rio poderoso cujas águas não podem ser detidas. Quaisquer obstáculos colocados no seu caminho são varridos pelas águas fortes. A beneficência Divina que emana desse nível Divino continua livre e rapidamente vai ao destino desejado: não cessa e para em algum âmbito espiritual.

Os Cohanim abençoam seus irmãos com o poder herdado de seu ancestral Aaron. O nome Aaron partilha as mesmas letras que a palavra nir’eh (visto). É uma alusão à qualidade especial de Bircat Cohanim – seus resultados positivos estão sempre visíveis e palpáveis.

Expresso da Prece
O Livro Números (17:16-24) discute uma “contestação” onde o líder de cada tribo leva um galho a ser colocado no Santo dos Santos para se certificarem que por descreto divino o eleito era Aaron HaCohen. Na manhã seguinte Moshê os tirou do Tabernáculo, e o cajado de Aaron havia sido o único que milagrosamente tinha sido abençoado tendo produzido amêndoas maduras. Essa foi uma indicação de que Aaron era realmente a escolha de D'us para o sacerdócio.

Em comparação com outros frutos, a amêndoa amadurece muito depressa. Não teria sido um milagre maior se D’us tivesse feito o cajado amadurecer tão rapidamente um fruto que normalmente leva muito tempo para se desenvolver? Por que diminuir o milagre produzindo um fruto “rápido”?

Porém a amêndoa é o símbolo mais adequado para o sacerdócio. Representa as bênçãos dos Cohanim que vão sem impedimentos para seus recipientes.