Todos os nossos exílios e redenções, conforme aprendemos, se originam no exílio e no êxodo egípcio, nosso primeiro como um povo. Isso inclui – talvez principalmente – o “exílio” místico da alma do céu à terra, onde, escravizada num corpo físico, ela clama por libertação espiritual.

Para um cabalista, então, um estudo da narrativa do Êxodo na Torá fornece uma inestimável percepção sobre a profunda necessidade espiritual da alma por liberdade e divina expressão.

Eis aqui uma ideia, por exemplo. O trabalho escravo no Egito era não apenas para massacrar fisicamente, mas também para desmoralizar. Os judeus eram forçados a fazer trabalhos totalmente sem nexo para alquebrar seus espíritos. Para a alma, a vida no mundo físico também parece repleta de buscas sem sentido – engarrafamentos no trânsito, idas ao supermercado, pagar as contas, levar as crianças a todo lugar, limpar o quintal e responder e-mails. Estas podem ser preocupações esmagadoras para a pobre alma.

Porém, os místicos conhecem um antigo truque para virar a mesa: em vez de deixar os trabalhos sem nexo quebrarem você, você quebra a falta de nexo. Em vez de ficar preocupado com o pagamento das dívidas, fique preocupado com um conceito em espiritualidade. Pegue um livro casher de Cabalá ou ouça um CD de um conceito de uma aula e tente aprendê-lo. Pense sobre ele quando estiver na fila do banco. Sonhe com ele quando estiver limpando o jardim. Converse sobre ele enquanto lava a louça (e sua mulher enxuga).

No exílio, algo tem de “quebrar”. Portanto, quebre a cabeça (essa é a expressão judaica para pensamento sério) sobre ideias místicas e liberte seu espírito das preocupações sem importância – é função do corpo esperar na fila, não da alma.