Em Simchat Torá de 5679, Rabi Sholom Dovber de Lubavitch pronunciou o discurso Ein Hakodosh Boruch Hu Ba B'terunya ("D'us não faz exigências absurdas a Suas criaturas"), que discute as qualidades especiais do judeu simples. Ele citou a metáfora do calcanhar e da água quente. O calcanhar está muito abaixo da cabeça em matéria de capacidade intelectual; porém, quando uma pessoa precisa entrar numa banheira de água quente, o calcanhar se aventura, enquanto que a cabeça reluta em agir.

Judeus simples, explicou o Rebe, são abençoados com um grau mais alto de auto-sacrifício e total devoção ao Todo Poderoso, que seus irmãos mais instruídos.

Presente ao discurso do Rebe estava um indivíduo conhecido como Dovid Shlomo's Matti Yossi, um jovial ativista da comunidade, e membro da brigada de incêndio de Lubavitch. Foi o primeiro a responder às palavras do Rebe. Assim que o Rebe terminou de falar, levantou-se, bateu sobre seu próprio coração e anunciou:

"Rebe! Fundarei uma sociedade Po'alei Tsedek!"

Os membros da sociedade teriam de se levantar às 3 da madrugada para recitar o Livro dos Salmos na sinagoga conhecida como Reb Binyomim's Shtibl. Agendaram também aulas sobre Lei Judaica. Seriam vistos pelas ruas de Lubavitch, voltando para casa após as aulas e revisando as leis que tinham aprendido.

Rabi Shalom Dovber extraía grande prazer destas atividades e freqüentemente elogiava sua sinceridade e pureza. Em uma ocasião (no casamento de sua irmã, Rebetzin Chaya Mushka Horenstein) ele pediu para dançar com os membros do Po'alei Tsedek. Voltou a sua cadeira encharcado de suor e disse a dois de seus mais destacados chassidim: "Acabei de me banhar no mérito de Israel…"

Um dos eminentes chassidim de Rabi Sholom Dovber era o erudito mercador de diamantes Reb Monia Mosenson. Certa vez, Reb Monia expressou seu espanto pela veneração que o Rebe demonstrava com estas pessoas simples: "Por que o Rebe devota tanto de seu tempo inestimável a eles?" perguntou. Rabi Dovber começou a descrever a Reb Monia as qualidades especiais que os tornavam tão caros a ele. "Rebe, não vejo dessa forma", objetou Reb Monia.

"Tem algum de seus diamantes com você?" perguntou o Rebe. Reb Monia disse que tinha e, como um homem discutindo sua profissão é propenso a fazer, começou a descrever entusiasticamente suas mais recentes aquisições. "Desta vez, Rebe, consegui adquirir algumas verdadeiras belezas," exclamou ele, "mas não posso mostrá-las ao senhor neste momento – o sol está brilhando muito forte."

Mais tarde, o mercador de diamantes ficou suficientemente satisfeito com a luz para espalhar sua mercadoria sobre a mesa. "Olhe para esta aqui," mostrou ao Rebe, começando a louvar as virtudes específicas da pedra. Mas o Rebe não conseguiu captar a qualidade especial da gema. "Simplesmente não vejo nada," protestou ele. "Ah, Rebe, disse reb Monia, "quando se trata de diamantes, é preciso ser um especialista."

"Ah, Reb Monia," rebateu o Rebe, "quando se trata de um judeu, é preciso ser um especialista…"