D’us o chamou de dentro do arbusto, e disse: "Moshê! Moshê!… agora vai. Eu te envio ao faraó. Tira Meu povo, os Israelitas, para fora do Egito…"

Moshê disse a D’us: "Irei então aos israelitas e direi: 'O D’us de vossos pais mandou-me a vós.' Eles imediatamente me perguntarão: 'Qual é Seu nome? O que devo dizer-lhes?"
D’us respondeu a Moshê: "Eu sou quem Eu serei. Diz aos israelitas que 'Eu Serei ('EHeYeeH') mandou-me a vós.'"

Moshê suplicou a D’us. "Eu imploro, ó D’us, não sou um homem de palavras… Eu imploro, ó Senhor, por favor, manda alguém mais apropriado…"

Versículo 3:4- 4:13

    Uma História de Enganos

Em Simchat Torá toda a cidade de Lubavitch juntava-se ao Lubavitcher Rebe, Rabi Shmuel, para as hacafot, a jubilosa dança com os rolos de Torá. Após concluir as hacafot nas sinagogas locais, congregações inteiras dançavam pelo caminho até a sinagoga central do Rebe.

Certo ano, os versículos Atoh Horeisa estavam sendo recitados quando uma sinagoga inteira de chassidim chegou, alegres pela dança e pela vodca, com o gabai à sua frente. O animado grupo meio que levou, meio que empurrou o gabai por entre a multidão até o tablado, onde ele recebeu a honra de recitar o versículo: "Que nossas palavras sejam de boa vontade perante o Mestre de Todos."

Mas Rabi Shmuel insistia para que o gabai também explicasse o versículo que ia recitar. O gabai exclamou: "Explicar também? Então preciso primeiro de um l'chayim." O Rebe concordou que ele tinha todo o direito de insistir em um l'chayim.

Após virar seu primeiro l'chayim, o gabai afirmou que um simples copo não era suficiente para a tarefa que tinha em mãos. Seguiram-se mais l'chayims. Finalmente, o gabai admitiu: "Rebe, não consigo interpretar o versículo. Peço ao Rebe que explique seu significado…"

O Rebe explicou: "Que nossas palavras sejam" – que nosso discurso consista apenas naquilo que é – "satisfatório ao Mestre de Todos."

Depois que o Rebe terminou, houve muita comoção na sinagoga. Muitos clamavam que o gabai deveria ser levado a cumprir a tarefa – ele havia trapaceado para conseguir um imerecido l'chayim! Rabi Shmuel respondeu com a seguinte história:

Certo ano, a pessoa que normalmente tocava o shofar nos serviços dos Grandes Dias Festivos na sinagoga de Rabi Dovber de Mezeritch não estava disponível. Rabi Dovber, então, pediu ao seu aluno mais jovem, Rabi Schneur Zalman de Liadi para cumprir a tarefa.

Rabi Schneur Zalman concordou com a condição de que seu mestre o ensinasse as sublimes meditações (kavanot) associadas ao toque do shofar. Mas depois que o Maguid havia lhe ensinado todos aqueles elevados conceitos, Rabi Schneur Zalman admitiu que jamais tivera a capacidade de tocar o shofar.

"Por que me enganou?" perguntou o Maguid. "Transmiti a você ensinamentos que somente são ensinados a uns poucos eleitos." Rabi Schneur Zalman respondeu: "Apenas segui o exemplo de Moshê…"

Rabi Shmuel explicou:

"Quando o Todo Poderoso apareceu a Moshê e enviou-o em sua missão de libertar o povo judeu do exílio, Moshê disse: ‘Primeiro, preciso saber o segredo de Teu nome. Não posso ir ao povo judeu sem o entendimento de quem Tu és e como Te relacionas com nossa vida.’ Então, D’us revelou a Moshê o conceito subliminar de 'Eu serei quem Eu serei,' os nomes Divinos e as manifestações pelas quais a infinita e indefinível luz de D’us sustenta toda a criação. E então Moshê protestou: ‘Mas não estou qualificado. Por favor, mande outra pessoa…’"