D’us ordenou a Moshê: "Anote o nome de cada lugar onde Benê Yisrael acampou durante os 40 anos em que caminhou pelo deserto."

O primeiro nome que Moshê escreveu foi "Ramsés." Nesta cidade egípcia, Benê Yisrael havia se reunido para começar a jornada pelo deserto. De Ramsés, tinham seguido a um local no deserto chamado Sucot. Por que era chamado de Sucot? Está relacionado à palavra Lechassot, cobrir, porque em Sucot, D’us cobriu Benê Yisrael com as nuvens da glória.

Moshê continuou a anotar o nome de cada lugar onde Benê Yisrael tinha acampado. A lista completa abrangia 42 locais, terminando com "as planícies de Moav."

Por que D’us desejava estes nomes registrados na Torá

Por que D’us pediu a Moshê que listasse todas as paradas feitas por Benê Yisrael? Que interesse poderiam ter para as futuras gerações?

Eis aqui algumas respostas:

1. Após o pecado dos espiões, D’us puniu a geração de Moshê com quarenta anos vagando pelo deserto. Poderíamos pensar que D’us forçou os judeus a vagar constantemente. Por isso D’us disse a Moshê que registrasse todos os locais em que acamparam, para nos mostrar que Benê Yisrael freqüentemente acampava e descansava. Repousaram em 14 locais antes que pecassem com os espiões. Desconte estes da lista total de 42 locais. Teremos então que, após o decreto de D’us e permanecer no deserto por 40 anos, eles passaram por apenas 28 lugares. Destes 28, subtraímos outros 8 lugares pelos quais Benê Yisrael viajaram no quadragésimo ano, após a morte de Aharon. (Estes oito não faziam parte de suas caminhadas; pelo contrário, foram erros de Benê Yisrael). Após a morte de Aharon, estavam tão temerosos dos ataques inimigos que retrocederam oito paradas.)

Assim, restam 20 lugares, nos quais acamparam durante um período de 38 anos. (O pecado dos espiões ocorreu no segundo ano.) Em outras palavras, os judeus puderam parar e descansar, em média, dois anos em cada local.

Desta forma percebemos que quando D’us decreta uma punição, Ele o faz com misericórdia. Ao lermos na Torá esta lista de locais entendemos melhor isso. Sabemos também que os judeus de nada sentiam falta, enquanto viajavam pelo deserto. D’us lhes fornecia o maná, água do Poço de Miriam, além de rodeá-los com nuvens de glória.

Os tsadikim entre Benê Yisrael nunca tiveram que "vagar." Como viajavam?

As nuvens de glória que se espalhavam sob Benê Yisrael os carregavam. Eram transportados por estas nuvens, sem nenhum esforço de sua parte.

2. Quando gerações posteriores de Benê Yisrael estivessem morando em Erets Yisrael, leriam a lista de locais de acampamento na Torá. Cada local foi assim denominado devido a algum evento que lá acontecera.

Por exemplo, um pai leria o nome do local: Dafca. Diria então aos filhos:

"Ouçam, crianças! Em Dafca, D’us fez cair o maná do céu para nossos antepassados! Eles estavam num deserto árido onde nada crescia, e ficaram preocupados. Onde conseguiriam alimento? Mas D’us lhes forneceu. Este local foi chamado Dafca porque os corações do Povo de Israel batem ansiosamente devido à falta de alimento." (A tradução da palavra dofec é bater.)

E quando o pai pronunciasse o nome Ritma, diria aos filhos: "Este local foi chamado Ritma porque foi lá que os espiões falaram lashon hará sobre Erets Yisrael."

Lashon hará é comparado à madeira da piaçava (Ritma). Por que?

O Midrash explica:

A assombrosa qualidade da madeira da piaçava

Dois viajantes no deserto descansavam sob uma moita de piaçavas. Cortaram alguns dos galhos, e prepararam um fogo para cozinhar sua comida.

Um ano depois, passaram pelo mesmo local novamente. "Olhe, este é o local onde paramos no ano passado!" um mostrou ao outro. "Vamos descansar aqui outra vez!"

Pisaram sobre as cinzas de sua antiga fogueira com os pés descalços, pois não tinham sapatos. De repente, sentiram os pés chamuscados! Os carvões da piaçava ainda estavam quentes por dentro, embora não se pudesse imaginar isso apenas os olhando.

"Como é fantástica esta madeira de piaçava! Ainda está incandescente após um ano inteiro!" observou um deles.

Agora podemos entender por que nossos sábios comparavam lashon hará à madeira da piaçava. Se alguém dá ouvidos ao lashon hará sobre outra pessoa, pode aparentemente esquecer. Mas enraizado em sua mente, o lashon hará ainda "continua incandescente"; seu efeito perverso perdura por muito tempo.

Como os espiões haviam falado lashon hará, e Benê Yisrael o tinham aceitado, este local foi chamado "Ritma", lembrando-nos da madeira da piaçava.

Destes exemplos, vemos que o nome de cada local de acampamento é importante. Toda vez que um judeu o ler, lembrará das maravilhas que D’us ali realizou, ou algum incidente ocorrido com Benê Yisrael.

3. O Midrash oferece uma outra razão:
Estes locais merecem uma menção honrosa porque acomodaram os judeus durante suas caminhadas. Foram honrados, embora lugares não tenham vontade própria.

Isto nos ensina a grande recompensa da hospitalidade. Se um judeu, por livre escolha, abre sua casa a alguém que precisa de alimento e um local para dormir, muito mais D’us o honrará!