No primeiro dia (Rosh Chôdesh) do mês de Sivan, o povo judeu chegou ao deserto de Chorev, que também tinha outro nome, Sinai.

- O snê, a sarça ardente, na qual D'us revelou-Se a Moshê localiza-se neste deserto e deu nome a ambos (snê - Sinai). A letra "yud" (cujo valor numérico é dez) foi acrescentada a snê, transformando-o em Sinai, por causa dos Dez Mandamentos que ali seriam dados.

- Além disso, o nome Sinai dá a entender que desde a Outorga da Torá, as nações nutrem ódio (sin'á, em hebraico) contra os judeus, que foram diferenciados como o Povo Eleito de D'us, como resultado daquele imponente evento.

A Torá foi dada aos judeus no deserto, num lugar amplo e aberto, que não pertence a nenhuma nação, de modo que qualquer um que desejasse aceitar a Torá e suas mitsvot poderia ir ao deserto e fazê-lo livremente.

Por que a Torá não foi dada imediatamente após a saída do Egito

Por que D'us não presenteou a Torá a Seu povo assim que saíram do Egito? Por que Ele esperou sete semanas entre o Êxodo do Egito e a Outorga da Torá?

No meio do ano letivo, um jovem ficou doente e foi obrigado a ficar em casa. Teve que ficar de cama por muitas semanas. Quando finalmente pôde se levantar, sentia-se fraco, e estava pálido

Um dia depois, o telefone tocou na casa do garoto. Era o diretor da escola dizendo ao pai: "Ouvi que teu filho não está mais doente. Já é hora de ele voltar à escola!"

"Impossível!" - protestou o pai. "O menino ainda não está realmente pronto para isto. Deixe que fique em casa por dois ou três meses, para que convalesça e recupere as forças através de uma dieta nutritiva. Então será capaz de freqüentar a escola!" Similarmente, D'us não considerava o povo judeu apto a receber a Torá imediatamente após ter deixado o Egito. Disse: "Eles ainda estão sofrendo os efeitos posteriores ao trabalho escravo egípcio. Deixe que fiquem no deserto por alguns meses, comam a maná e as codornizes, e bebam a água do poço. Quando estiverem recuperados, Eu lhes darei a Torá."

Uma razão adicional é ilustrada por esta parábola:

Um príncipe que estava procurando por uma esposa ouviu falar sobre uma moça de família nobre que possuía todas as qualidades desejáveis para se tornar rainha. A fim de conquistá-la para o matrimônio, resolveu apresentar-se dando-lhe muitos presentes. Só depois procuraria o consentimento dos pais dela para o casamento.

Quando ouviu que ela estava saindo para a padaria, mandou que lhe dessem um grande bolo recheado de creme, em seu nome. Quando foi a uma loja de departamentos, entregaram-lhe um elegante traje pago pelo príncipe. No restaurante, recebeu dele um ganso recheado; na loja de bebidas, um vinho de seleta safra; na bombonière, uma caixa de finos bombons embrulhada para presente. Depois, quando o príncipe pediu sua mão, não levantou objeções.

Assim D'us, antes de entregar a Torá ao povo judeu, tornou-Se conhecido deles manifestando Sua grande bondade - Ele conduziu-os pelo Mar Vermelho em terra seca; salvou-os de Amalec, deu-lhes o maná, que continha os mais refinados e deliciosos sabores do mundo; o Poço de Miriam, cujo líquido tinha o sabor das melhores bebidas; e as codornizes. Só depois Ele perguntou-lhes se desejavam aceitar Sua Torá, e não recusaram.

Ademais, quando o povo judeu deixou o Egito, havia muita rivalidade e contenda entre o povo. Deixaram a cidade de Sucot ainda com discussões, e quando acamparam em seu próximo destino, Etam, a discórdia ainda prevalecia. D'us não podia outorgar Sua Torá a um povo que não estava em paz entre si.

Finalmente, ao chegarem ao deserto de Sinai, colocaram fim a todas as rixas e uniram-se. Disse D'us: "A Torá de Paz pode agora lhes ser dada, pois aprenderam a viver em harmonia uns com os outros!"

No dia de sua chegada ao sopé da montanha, que foi no segundo dia da semana, D'us não Se dirigiu ao povo diretamente, pois ainda estavam fracos da viagem. Descansaram aos pés da montanha.