A Raposa e o Peixe - Por Rabi Daniel Cohen

Um estudo demográfico das cidades de refúgio descritas na porção desta semana da Torá revela um elemento surpreendente na população. Podería-se presumir que as cidades compreendiam somente os levitas que lá tinham residência permanente e alguns indivíduos que mataram acidentalmente e buscavam proteção de seus perseguidores. Entretanto, há um outro grupo – os rabinos. O Talmud (Tratado Makot) explica que qualquer indivíduo que fugisse para a cidade de refúgio deveria levar consigo seu rabino (não seu advogado, contador, ou médico). Analisando esta lei, podemos fazer uma avaliação mais profunda da primazia da Torá na vida de uma pessoa.

Esta obrigação brota de um versículo: "Ele [o assassino acidental] deve fugir para uma das cidades e viver" (Devarim 19:4).

Somente o sustento físico não permite que o assassino "viva". Apenas quando é completado com sustento espiritual (i.e., seu rabino) pode viver realmente. Um comentário não característico do Rambam apoia esta noção. Embora o estilo do Rambam em sua obra legal magna seja elucidar a lei judaica, ele acrescenta um comentário revelador ao articular o requerimento de trazer o rabino da pessoa à cidade de refúgio. Ele escreve que indivíduos sábios carentes de estudo e conhecimento de Torá são considerados carentes de vida. A Torá infunde vida.

Uma história contada no Talmud sobre Rabi Akiva cristaliza a importância da Torá. Rabi Akiva viveu durante o período dos perseguidores romanos, que proibiam o estudo de Torá. Apesar da proibição, Rabi Akiva continuou seus estudos e foi capturado e sentenciado à morte pelos romanos. Quando inquirido por seus alunos por que assumira tal risco, contou-lhes a história da raposa e do peixe.

Uma astuta raposa fez uma maravilhosa proposta ao peixe: "Venha para a terra, e ficará a salvo da rede do pescador!" O precavido peixe respondeu: "Vivendo na água, existe uma possibilidade de que eu possa viver, evitando a rede do pescador. Entretanto, na terra certamente morrerei."
Sem as águas potentes da Torá, nós também não podemos sobreviver.

Quando a pessoa deixar este mundo, uma das perguntas que D'us lhe fará é se reservou tempo para o estudo da Torá todos os dias (Talmud Tratado Sanhedrin 7a e Shabat 31a). A Torá não é meramente um guia legal para a vida. Estudando a Torá, aprofundamos nosso conhecimento das mitsvot e revigoramos nosso relacionamento com D'us.

Ao aproximarmo-nos de Rosh Hashaná, façamos um compromisso de imergirmos no mar da Torá e que sejamos abençoados por suas águas vivas a cada dia.