Esta é uma das histórias mais bonitas que já ouvi: certa vez, o Baal Shem Tov, o sábio fundador do movimento chassídico, chegou a uma pequena cidade. Era o mês de Elul.

“Quem é o chazan que conduzirá aqui as orações de Rosh Hashaná e Yom Kipur?”, perguntou o Baal Shem Tov. “Como ele reza?” Os moradores da cidade o levaram até o chazan local e, no caminho, contaram: “Há uma coisa um pouco estranha: o chazan recita as confissões de Yom Kipur com melodias alegres. ‘Ashamnu, bagadnu’, ‘Al chet shechatanu’ — ele canta tudo isso com alegria.”

O Baal Shem Tov encontrou o chazan e pediu que explicasse. Por que não rezar com tristeza, até mesmo chorando?

E o chazan respondeu: “Um servo que limpa a sujeira do pátio do palácio do rei fica muito feliz enquanto executa a sua tarefa. Ele ama o rei e sabe que, com seu trabalho, está deixando o rei feliz. Por isso, enquanto limpa o palácio, ele canta.”

“Você respondeu muito bem”, disse o Baal Shem Tov. “Ficarei feliz em permanecer aqui e rezar com vocês.”

Qual é a mensagem para nós?

O rei da história é D'us. O palácio é o nosso mundo, a nossa vida. E cada um de nós recebe, uma vez por ano, um convite especial do Rei para limpar o palácio. O mês de Elul, Rosh Hashaná, os Dez Dias de Teshuvá e Yom Kipur — não são dias de depressão ou amargura. São dias de grande alegria pela própria oportunidade que nos foi dada de corrigir nossos atos.

Pensem em um mundo em que não fosse possível se arrepender e começar de novo, em que cada erro ficasse registrado para sempre, sem possibilidade de correção ou melhoria.

É verdade que nem sempre é agradável “limpar a sujeira”. Mas precisamos lembrar que a possibilidade de recomeçar é um privilégio.

Então, como não ficar felizes?