O mundo acaba de conhecer Reuven Morrison, um herói que se colocou na linha de fogo para salvar outras pessoas no massacre de Sydney. Mas para mim e para minhas amigas, ele era e sempre será o “Papai Morrison”.
Nascido na URSS, numa época em que ser judeu o tornava vítima de bullying e ódio por parte de seus colegas, Reuven fugiu para Sydney, na Austrália, quando jovem, onde se reconectou com o judaísmo e conheceu sua linda esposa, Leah.
Reuven e Leah foram abençoados com uma filha, minha querida amiga Sheina, que nasceu após muitos anos de orações e espera, pouco depois de Reuven e Leah receberem a bênção do Rebe de Lubavitch. Sheina era o centro do universo de Reuven, e ele estendeu esse amor aos muitas amigas próximas de Sheina, que o chamavam carinhosamente de “Papa Morrison”.
Reuven nos mimava, a nós amigas, assim como a Sheina, nos fazendo rir com suas palhaçadas hilárias e nos tratando como se fôssemos suas próprias filhas. Reuven e Leah sempre nos agradeciam por irmos lá com tanta frequência e enchermos a casa deles, o que nos fazia rir: quem não gostaria de passar um tempo na casa mais divertida do quarteirão, onde você é tratado como realeza?
Há inúmeras histórias que mostram o humor de Reuven, sua sagacidade e a maneira como ele infundia positividade em todas as situações. Uma que me vem à mente é quando Reuven e Leah levaram Sheina e algumas outras amigas para um passeio de barco para comemorar nossa formatura do ensino médio (outro exemplo de como ele mimava as amigas de Sheina como se fôssemos suas próprias filhas).
Enquanto nadava em um lago em Sydney, Sheina foi queimada por uma água-viva. Entramos em pânico. Sydney é conhecida por essas criaturas venenosas, e não sabíamos o que fazer. Reuven sabia que estávamos ansiosas e imediatamente transformou a situação em um show de comédia, dançando pelo convés do barco fingindo repreender as águas-vivas, prestando primeiros socorros a Sheina enquanto fazia vozes engraçadas, nos deixando às gargalhadas e transformando um incidente assustador em uma lembrança deliciosa e alegre.
Resumir Reuven em poucas palavras parece impossível. Mas uma palavra que me vem à mente é VIDA. Reuven era VIDA. Isso transparecia na maneira como sua casa estava sempre repleta de alegria e risos, e na maneira como ele dançava e cantava com suas amadas netas, a quem ele adorava infinitamente e que o adoravam reciprocamente.
Era notável a sua presença vibrante e forte que tinha nas comunidades judaicas de Melbourne e Sydney, que ele apoiava incansavelmente da maneira mais humilde e despretensiosa. E isso era também era destacado na maneira como ele defendia a vida diante do terror absoluto.
Quando o horrível tiroteio começou e Reuven viu que as pessoas ao seu redor estavam em perigo iminente, ele, nas palavras de sua filha Sheina, “entrou em ação… colocou os outros em primeiro lugar”. Reuven ficou diretamente na linha de fogo para distrair os terroristas e tentar desarmá-los. Esse era o Reuven.
Brincamos amargamente que ele devia ter gritado palavrões para os terroristas enquanto atirava tijolos neles, sem se importar que estava se colocando em perigo, apenas se importando em proteger as pessoas.
Quando alguém tão cheio de vida, tão cheio de vibração e energia, é arrancado de nós de uma maneira tão brutal, é inconcebível pensar que essa pessoa não estará mais aqui. Mas nos ensinam “Ve’hachai yiten el libo”, “os vivos devem guardar no coração”.
Coragem e heroísmo é estar na linha de fogo para proteger os outros. Coragem também é se orgulhar de ser judeu, sem se esconder, sem vergonha. Coragem é lutar para trazer luz e até alegria aos momentos mais sombrios. Lembrem-se de Reuven, nosso querido e amado “Papa Morrison”, por sua bravura, e honrem sua memória sendo judeus orgulhosos, firmes que vocês são.
Faça um Comentário