À primeira vista, Shavuot é uma festa breve, com poucas práticas distintivas. Mas Shavuot é a festa que marca o nascimento da identidade judaica como povo. O judaísmo é, acima de tudo, uma religião da terra – toda a Torá, desde Avraham até a morte de Moshe, é uma jornada em direção a ela. Shavuot era a festa suprema da terra.
Havia elementos agrícolas em Pessach e Sucot também, mas Shavuot era a época da colheita dos grãos e de trazer os primeiros frutos ao Templo, declarando: “Meu pai era um arameu errante... E o Senhor nos tirou do Egito... Ele nos trouxe a este lugar e nos deu esta terra, uma terra que emana leite e mel.”
Shavuot é a festa que celebra a Outorg da Torá, vista como o ápice da jornada de sete semanas que começa com Pessach. Mas cada nação tinha leis e, durante grande parte da era bíblica, outras questões, políticas, militares e culturais, ocupavam o centro do palco. Os profetas argumentaram incansavelmente que, sem fidelidade a D’us, justiça e compaixão para com seus semelhantes, Israel acabaria sofrendo uma derrota monumental, mas poucos estavam ouvindo, e as reformas de reis como Chezekiá e Yoshiyahu provaram ser insuficientes e tardias.
A lei de Israel não era como a lei de todas as outras nações – o decreto dos reis ou o edito de uma assembleia legislativa. Ela vinha do próprio D’us, o Infinito Eterno. Portanto, jamais poderia ser perdida ou anulada.
Ela foi promulgada não no Har Tzion, em Jerusalém, mas no Har Sinai, no deserto. A Torá veio antes da terra. Portanto, embora tivessem perdido a terra, ainda tinham a Torá e a aliança.
Foi então que o significado pleno de Shavuot começou a se tornar claro. O verdadeiro milagre não era a terra, mas a lei que a precedeu. Esdras e Nehemias compreenderam isso após o exílio na Babilônia, assim como Raban Yochanan ben Zakai em meio à rebelião contra Roma. Sem eles, é altamente duvidoso que os judeus ou o judaísmo tivessem sobrevivido.
Durante a maior parte de dois mil anos, os judeus perderam suas terras e, mais uma vez – como aconteceu com o exílio na Babilônia – foi a Torá que sustentou o povo como povo, dando-lhes a garantia de que um dia retornariam. Pois, na verdade, esta sempre foi a nossa maior dádiva: a Torá, nossa constituição de liberdade sob a soberania Divina, nosso contrato de casamento com o próprio Céu, escrito em letras de fogo negro sobre fogo branco, unindo a infinitude de D’us e a finitude da humanidade em um laço inquebrável de lei e amor.
A Torá é o pergaminho que os judeus carregavam aonde quer que fossem, e que os carregava e os protegia. Esta é a Torá: a voz do céu como se ouve na terra, a palavra que ilumina o mundo.
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