Existem três correntes principais de pensamento e abordagens ao serviço de D'us no Movimento Chassídico. O Báal Shem Tov foi o pai de todas estas correntes. Podemos associar as três com os três aspectos da terapia, baseados nas três traduções do verbo no versículo de Mishlê (Provérbios) sobre o qual nossa discussão da terapia concentrou-se.

Tsadic, Benoni e Rashá.

Suprimir a ansiedade através da submissão e da prece lembra a abordagem de Rabi Nachman de Breslov. O Chassidismo de Breslov concentra-se no isolamento meditativo no qual o chassid verbaliza suas ansiedades e problemas com D'us, a profusa recitação de salmos e preces peticionárias, e uma ênfase geral na simples humildade e submissão perante o Criador. Claramente, a trajetória de Rabi Nachman de Breslov é dirigida à pessoa que ainda se considera nas garras de sua má inclinação, um rashá. O conselho que ele oferece e o tipo de comportamento que desenvolveu visam principalmente impedir que a pessoa se desespere com sua situação. Seu caminho encoraja o indivíduo a lembrar-se que D'us está com ele o tempo todo, seja qual for a profundeza na qual tenha caído. Em qualquer circunstância, ele pode chamá-Lo e conectar-se com Ele através da prece.

Ignorar a ansiedade lembra o sistema ético do Tanya, a obra fundamental do Chassidismo Chabad, escrito por Rabi Shneur Zalman de Liadi. No Tanya, Rabi Shneur Zalman divide o povo judeu em três categorias, baseadas na relativa dominância de suas inclinações na direção do bem e do mal: o tsadic (pessoa justa) dominou sua ânsia de fazer o mal; o rashá (perverso) sucumbiu a ela; entre esses está o benoni (intermediário), que não dominou sua ânsia de fazer o mal mas consegue refreá-la e nunca sucumbe a ela. É praticamente impossível para alguém tornar-se um tsadic por si mesmo. O máximo a que a pessoa pode aspirar é ser um benoni, e se D'us deseja agraciar o benoni fazendo dele um tsadic, Ele o fará. Assim, a imagem do benoni é aquela que a maioria das pessoas esforça-se para ser. Na verdade, o Tanya tem o subtítulo de O Livro dos Intermediários.

O benoni exige e recebe uma diferente abordagem psicológica à vida em geral (e sua própria psique em particular) que aquela de um tsadic ou rashá. Por um lado, ele não ousa ignorar o mal que ainda está dentro dele e considera-se um tsadic, por outro lado, ele precisa não ter o medo do rashá de confrontá-lo. Ao contrário, o maior foco de sua vida espiritual está em lidar com sucesso com seu próprio mal interior, na forma de seu ego, que o impede de desenvolver seu relacionamento com D'us.

Rabi Shneur Zalman aconselha o benoni a ignorar suas ansiedades. Ele deve concentrar-se em encher seu vazio com a água da Torá. É assim que retifica, embora indiretamente, seu subconsciente.

Embora o benoni não tenha superado totalmente sua ânsia de fazer o mal e livrar-se de seu desejo de condescender com o proibido, ainda não está pronto para enfrentar abertamente seu lado mais obscuro. Ele pode jamais atingir este nível. Porém, ao ignorar suas ansiedades e engajando-se ativamente em preencher sua mente com pensamentos positivos e puros, ele terminará por neutralizar quaisquer aspectos deletérios do subconsciente.

A rara exceção a isso é o indivíduo que D'us destacou para ser um justo consumado desde o dia de seu nascimento. Tal pessoa não é tolhida por não ter jamais pecado. Ela pode vivenciar a ânsia pela redenção em virtude de ser uma entidade criada, presa pelas restrições do tempo e espaço. Porém, jamais viverá o sofrimento e o terror de saber o quanto ele mesmo pode agravar a situação da realidade não redimida.

Articular a ansiedade relembra o caminho no serviço de D'us promulgado principalmente por Rabi Elimelech de Lizhensk e seus discípulos. Rabi Elimelech, em seus ensinamentos, enfatiza o papel do tsadic, especialmente quando ele assume o manto da liderança como um rebe. Este foco na completa transformação do mal em bem nas mãos do praticante chassídico consumado é a expressão mais completa da visão messiânica do Báal Shem Tov. Através deste processo, o mundo de fato começa a vivenciar algo da metamorfose que ocorrerá quando Mashiach vier. Quando uma determinada massa crítica desta consciência é atingida, fará a revelação de Mashiach ocorrer de fato.

Nos ensinamentos deste ramo do Chassidismo, quanto mais o populacho em geral reconhece e valoriza a exaltada estatura espiritual do tsadic, mais será devotado a ele. Isso dispensa a necessidade para eles de confrontar seu mal interior por si mesmos, pois a santidade do tsadic os envolve e neutraliza seu lado obscuro, capacitando-os a estabelecer uma verdadeira e profunda conexão com D'us. Em contraste com o Tanya, podemos considerar a literatura produzida por estes líderes (especialmente a obra de Rabi Elimelech, Noam Elimelech) o livro dos justos, livros de orientação para rebes e aqueles que os seguem.