No mundo de hoje, as pessoas voltam-se cada vez mais aos psicólogos e aos livros de autoajuda, buscando caminhos para lidar com suas preocupações e ansiedades. Chegou-se mesmo a um ponto no qual, em muitos países esclarecidos, uma pessoa que se respeite deve manter um contato regular com um psicólogo ou terapeuta, como parte integrante da vida normal. Longe de ser considerado um sinal de fraqueza ou anormalidade, ter um consultor ou confidente habitual é tido como sinal de status: indica que a vida da pessoa é suficientemente complexa para garantir análise regular por um profissional treinado, que a pessoa pode se dar ao luxo de pagar, e que está suficientemente preocupada com a qualidade de sua vida para tomar uma atitude a respeito.
Isso não é necessariamente algo negativo.

De fato, em muitas maneiras, todas as sociedades bem estabelecidas têm instituído o papel de mentores e consultores da vida, como parte de seu sistema psicossocial. Isso parece brotar de um entendimento humano básico de que as pessoas não podem e não deveriam tentar lidar com todas os problemas da vida por si mesmas, e que há uma eficácia terapêutica em buscar ajuda e conselho das pessoas indicadas.


No sistema sócio-religioso que se desenvolveu a partir dos ensinamentos da Chassidut, que por sua vez é baseada nos ensinamentos da Cabalá, o papel do terapeuta pode ser preenchido pelo líder do movimento chassídico (o Rebe), um chassid mais idoso, um amigo íntimo ou algum outro mentor.

Espera-se que todo chassid encontre para si tal mentor, que deve ajudá-lo a esclarecer seus problemas e ansiedades, discutindo-os regularmente com ele.

Apesar dessas semelhanças, entretanto, ainda restam diferenças fundamentais entre a abordagem chassídica e a secular de aconselhamento, assim como a psicologia chassídica e secular professam opiniões muito diferentes sobre o que é o bem-estar psicológico, e como consegui-lo. Para se entender essas diferenças, é vital que cada um entenda o papel do autoconhecimento na saúde mental.