Após a intensiva contemplação das próprias faltas, descrita no capítulo anterior, a pessoa volta-se para D'us em prece, gritando das profundezas de seu coração. Ela implora a D'us que a apóie e, em Sua infinita misericórdia, feche a lacuna abismal que a separa d'Ele. Cada faceta da consciência da pessoa sobre sua distância de D'us torna-se a causa e sujeito de outra prece, outro grito dirigido a D'us.

Este grito não é de depressão, mas sim por frustração e amargura. Como dissemos acima, alguém que esteja agudamente cônscio de sua própria inferioridade é feliz. Mas não é feliz sobre si mesmo; é amargo sobre si mesmo. Esta amargura fá-lo rezar.

Quando alguém é assolado por um problema e certamente com uma ansiedade de qualquer tipo, deveria implorar a D'us para ajudá-lo a resolver. A crença na onipotência e misericórdia de D'us implicam que somente Ele pode e irá fornecer a solução mais certa para qualquer problema. Seja através das palavras inspiradoras da liturgia ou do Livro dos Salmos, ou através da verbalização informal e espontânea dos desejos do coração, uma pessoa deve sempre valer-se do interesse benevolente de D'us em sua vida.

A pessoa não deve cair na cilada de pensar que, como D'us é compassivo por natureza, não há necessidade de rezar, ou que se D'us o está fazendo sofrer apesar de Sua compaixão, isso deve significar que é para seu próprio bem. Embora tudo isso certamente seja verdade, é apenas uma parte do quadro geral. D'us deseja que reconheçamos nossa impotência perante Ele, e que estejamos cônscios de que podemos e devemos voltar-nos para Ele para tudo. Portanto, mesmo se o sofrimento da pessoa for uma expiação por seus pecados, ou a retificação de uma encarnação anterior, a sentença sempre pode ser comutada através da prece.

Aprendemos, por exemplo, que a razão pela qual D'us manteve os patriarcas estéreis por tanto tempo foi para inspirá-los a rezar por filhos. Da mesma forma, conta-se sobre o Báal Shem Tov que ele e sua comitiva certa vez visitaram um judeu pobre e solicitaram comida até que o pobre homem nada mais tinha para oferecer e a despensa ficou completamente vazia. Quando a esposa do pobre homem viu aquilo, ficou desolada. Ele gritou a D'us uma prece pedindo ajuda e salvação. Logo após, ele descobriu uma caixa de moedas de ouro no quintal. Ao relatar o fato ao Báal Shem Tov, este replicou que havia previsto que o pobre homem estava destinado a herdar uma fortuna, mas não tinha rezado por isso devido a considerar-se indigno e também devido a sua timidez. Portanto, o Báal Shem Tov tinha de fazer algo drástico para forçá-lo a rezar por seu sustento, e a única maneira de fazer isso era levá-lo a uma pobreza tão abjeta que não tinha outra escolha.

O ato de rezar serve para diminuir o ego, pois ao invocar a misericórdia de D'us a pessoa está admitindo que certas coisas na vida são grandes demais para ela, e que não tem as chaves de sua própria salvação. Como foi dito acima, assim que o ego é desinflado, suas ansiedades são desinfladas também. Estando esvaziadas, não mais representam a terrível ameaça que eram antes.

Sumário:

Identificamos, portanto, os três sub-processos distintos dentro do processo global de submissão. A supressão geral do ego é a submissão dentro da submissão. A examinação cuidadosa das faltas e ansiedades é um ato de separação. A prece humilde e sincera a D'us, a conversa em particular entre o homem e seu Criador, é similar ao estágio de suavização de confiar em um mentor de confiança. Isso pode, assim, ser claramente identificado aqui com o estágio de suavização dentro da submissão.