Uma das crenças judaicas básicas a respeito da Criação é que D'us criou o mundo ex nihlo (algo tirado do nada). Este conceito relaciona-se diretamente à habilidade do amor de traduzir e transformar o potencial em realidade.

Em um nível mais profundo, a Cabalá e Chassidut explicam que há na verdade um processo de Criação em três fases: algo, nada, algo. D'us é o verdadeiro "algo" precedendo o estágio de "nada", a que se refere como Tsimtsum (contração) e a formação do vácuo primitivo no qual a Criação, o "algo" definitivo, acontece.

Verdadeiro Algo Nada Algo
D'us Tsimtsum e Vácuo Criação


Em termos de processo criativo humano, o "algo" inicial é a verdadeira essência da alma, contendo a totalidade de potencial oculto, apenas disponível se contactado e realizado. Este ponto da alma repousa no "pico da coroa", um termo na Cabalá referindo-se a Keter (coroa), a mais elevada das sefirot, os canais Divinos através dos quais D'us cria e mantém a realidade finita.

A fim de tornar realidade esse potencial oculto, uma pessoa deve paradoxalmente penetrar num estado de "nada" ou auto-anulação, permitindo assim que a alma se torne um receptáculo apropriado para o verdadeiro potencial "algo" emergir livre no "algo" da realidade. A característica na personalidade humana identificada com o "pico da coroa", a morada do puro potencial, é a emuná (fé). Embora não se possa ver ou tocar este transcendente nível supraconsciente da alma, a fé cultiva a pura crença que todavia é real e acessível. A sefirá de chochmá (sabedoria), é o que nutre a qualidade de auto-anulação, transformando a fé naquele "algo" da realidade material. Chochmá tem a habilidade de "ver" - com um olho espiritual (ayin, em hebraico, começando com a letra ayin) - o "nada" (ayin, em hebraico começando com a letra alef). A emuná tem a sensibilidade de ver através mesmo do "nada" até o verdadeiro "algo" que reside no seu interior.

A centelha que inicia todo o processo criativo é aquele ponto do amor profundamente cunhado no potencial oculto do âmago da fé. O final do processo, no qual o verdadeiro "algo" oculto é extraído através do aparente canal da chochmá - abnegação - e então mostrado na forma mundana, é revelado através da sefirá de chesed (benevolência), o primeiro dos poderes emotivos da alma, cuja força motivadora interior é o amor.

Emuná Chochmá Chesed
Sabedoria Benevolência
Verdadeiro Algo Nada Algo
Potencial Oculto Auto-Anulação e Abnegação Revelação Mundana