Por Esther Serebryanski

Um relato em comemoração a data de 11 de Nissan( do nascimento do Rebe )

Estávamos nos anos 50. Naquela época, eu era jovem, e bastante ressentida pela intrusão de minha irmã e meu cunhado em minha vida. Por sua própria iniciativa, eles tinham marcado uma entrevista para mim com o Lubavitcher Rebe. Senti que minha independência e autoconfianca estavam sendo desrespeitadas. Apesar disso, não sou avessa a uma yechidut, uma audiência privada com o Rebe. Minha curiosidade prevaleceu sobre meu orgulho ferido e decidi manter o compromisso.

Agora eu precisava pensar sobre uma razão plausível para tomar o tempo do Rebe. Isso não seria difícil, pois, sendo solteira, o casamento era um tópico natural. Quando entrei na sala do Rebe, meu pedido estava preparado. O Rebe fez-me algumas poucas perguntas, como que pesquisando, e a breve entrevista terminou. As questões eram cuidadosamente formuladas e não pareciam apenas estar em busca de informação, mas para estimular o rumo de minhas idéias e entendimento. Esta foi uma ocasião das mais importantes em minha vida.

Sem que minha irmã e meu cunhado soubessem, haviam perguntas pessoais que eu tinha em mente naquela época. Eu conhecia pessoas religiosas e outras que não o eram. Eu sabia que em cada grupo havia aqueles que eram bons e íntegros e outros que eram mais conhecidos por suas fraquezas. Qual era a diferença subjacente entre os dois?

Conhecer o Rebe naquele momento foi um fator decisivo que me ajudou a encontrar uma resposta. O Rebe era uma Torá viva. Um tipo de tsadic sobre quem eu tinha lido ou ouvido em casa e na escola.

Todas as nações têm suas eras douradas que encerram as qualidades de sua civilização. O Judaísmo, em sua incansável história de perambular de um país a outro e de cultura em cultura, constantemente produziu várias eras douradas. Em nossos mais de 3.000 anos de história temos produzido líderes cujo gênio intelectual criativo foi equilibrado com uma ativa santidade que elevou espiritualmente o mundano.

Isso me levou à percepção de que o Judaísmo tem qualidades excepcionais, que não são encontradas em nenhuma outra parte. En conseqüência de meu breve encontro com o Rebe, permaneci religiosa.

Alguns anos antes daquele encontro pessoal com o Rebe, durante um animado casamento, eu tive um tipo bastante diferente de "encontro" com o Rebe. Ele estava de pé a um canto do salão, sozinho. (Naquela época, seu sogro ainda era o Rebe). Ficou óbvio para mim que o Rebe estava mergulhado em profunda meditação e eu senti que tinha me intrometido em seus pensamentos. Embora seu corpo estivesse visivelmente presente, pude sentir que sua alma estava em outro lugar.

Não era um momento qualquer em minha vida. Eu tivera meu primeiro vislumbre da santidade. A percepção de que a alma tinha uma realidade num plano que eu não podia alcançar abriu para mim um mundo de uma dimensão diferente. Existia um mundo além dos limites estreitos da visão humana. Um mundo onde espaço, tempo e forma não estavam limitados pelas fronteiras terrenas.
O desconhecido e o impenetrável estavam além da capacidade de compreensão da minha mente.
Eu me retirei para o mundo da "realidade", cujos limites eu conhecia e entendia melhor.

Passou o tempo. Casei-me, tornei-me mãe, e as tarefas diárias da vida me ocupavam. Certo dia, quando dava um banho no meu filho de cinco meses, encontrei novamente as forças além da minha "realidade".

Eu acabara de colocar meu filho sobre a mesa para trocá-lo, seguro por uma fivela especial. Virei as costas e inclinei-me até o lado da banheira, onde a banheirinha de meu filho estava, pronta para ser enchida com água e ser usada. De repente, senti uma poderosa vontade de me virar. Não escutei nada físicamente. Nada senti fisicamente. Mas mesmo assim era como se alguém estivesse batendo no meu ombro e me dizendo para virar-me com urgência.. A sensação foi tão avassaladora que eu tive de me voltar. Meu filho tinha passado por baixo da correia e chegara à beira da mesa, com cerca de 1 metro de altura. Graças a D’us ele foi salvo no último instante.
Quem o salvou? Quem tinha insistido para que eu me virasse? Seria minha mãe, já falecida? Seria alguma outra mensagem dos reinos espirituais? Não sei. No entanto, sei que ao nosso redor existe um mundo que não podemos ver.

Minha educação ocidental e meu sistema de coordenadas faziam com que fosse difícil para mim absorver por completo estas experiências "do outro mundo". Com certeza a realidade é aquilo que conheço através dos meus cinco sentidos! Certamente a realidade é aquilo que meu intelecto pode compreender? E ainda assim, não posso negar a realidade de minhas experiências.

Sou apenas uma pessoa sobre a qual o Rebe tem causado impacto. Com seu grande amor, ele atraiu milhares e milhares de judeus para mais perto de sua centelha Divina interior. Hoje, também, as pessoas se conectam com o Rebe. Minha filha falou-me de uma conhecida dela que, depois de assistir a um vídeo do Rebe, ficou profundamente impressionada pela bondade sincera irradiando do sorriso e de sua atitude com todos e cada um. Após cuidadosa reflexão, isso a inspirou a estudar Torá e começar a cumprir mitsvot.

Meu filho, que lê com regularidade as cartas do Rebe, percebeu no verão passado que toda carta que lia parecia terminar com uma mensagem para conferir tefilin e mezuzot. Como o Rebe tinha freqüentemente instruído as pessoas a esse respeito, meu filho não prestou atenção à advertência. Em Elul, como é costume, ele conferiu seus próprios tefilin e mezuzot. Depois que as falhas encontradas foram corrigidas, ele ficou atônito pelo fato de que nenhuma das cartas que estava lendo agora continha uma palavra sequer sobre tefilin ou mezuzot.

O mundo espiritual é uma dimensão que existe dentro e ao redor de nós. Sua realidade é diferente da nossa realidade física. O Rebe está aqui hoje nos liderando e nos orientando. Como quando deixamos o primeiro exílio, assim deixaremos o último, quando "eles acreditarem em D’us e em Moshê, Seu servo."