Por Steve Hyatt
No decorrer dos anos minha vida profissional como Diretor de Recursos Humanos tem me proporcionado a chance de visitar regularmente as culturalmente ricas cidades de Nova York e Los Angeles. Em mais de uma ocasião pude testemunhar jovens estudantes da Yeshivá Lubavitch de pé nas esquinas, perguntando amavelmente aos passantes se eram judeus.

Se a pessoa respondia afirmativamente, os garotos perguntavam educadamente se gostariam de colocar tefilin. Todas as vezes que assisti a isso fiquei impressionado com sua óbvia paixão pela mitsvá de tefilin. Fiquei admirado ao ver o quanto eles amam seus irmãos judeus, para continuarem a abordar pessoas, que muitas vezes demonstram claramente que não querem ser incomodadas. Por mais que eu tente, não consigo imaginar-me possuindo um décimo da coragem e entusiasmo que estes jovens admiráveis demonstram todas as sextas-feiras antes do Shabat.

Recentemente, eu estava mediando uma sessão de treinamento sobre diversidade na sede do meu jornal em Salem, Oregon. Sempre dou início a estas sessões pedindo aos participantes que se apresentem e nos digam algo interessante sobre o próprio nome. Comecei o exercício apresentando-me e dizendo à platéia que meu nome hebraico é Shlomo Yaacov ben Moishe Pincus. Como ocorre na maioria das aulas, isso serviu como catalisador para uma enérgica troca de informações entre eu e os participantes.

Ao final da sessão Jeff Gerson, um dos meus colegas, aproximou-se e disse: “Eu não sabia que você era judeu.” Contou-me que era judeu também, mas não sabia muito sobre o Judaísmo. Disse-me que tinha crescido em Los Angeles mas por diversos motivos nunca tivera um bar mitsvá, e sempre lamentava este fato. Conversamos durante um bom tempo sobre a minha educação judaica, minha experiência com Chabad, e como a minha associação com esta organização maravilhosa tinha me colocado num rumo de estudo e exploração que mudara minha vida para sempre. Eu disse a ele que se sentisse vontade de explorar mais a fundo o seu legado judaico, de boa vontade eu o apresentaria ao Rabino Wilhelm, o Rabino de Chabad em Portland.

Antes de Jeff e eu nos despedirmos, entreguei a ele uma cópia de vários ensaios que eu escrevera sobre minha própria experiência com Chabad, e minha jornada pessoal de descoberta. Na manhã seguinte, recebi um lindo e-mail de Jeff, agradecendo-me pelas histórias e expressando desapontamento sobre o quanto ele não sabia sobre seu povo e sua fé, e como ele gostaria de ser mais jovem para conseguir respostas às suas numerosas perguntas.

Assim que terminei de ler aquele e-mail comovente, cliquei no site Amazon.com e encomendei para Jeff o extraordinário livro de Herman Wouk, “Este é o meu D’us”. Wouk escreveu este livro há cerca de quarenta anos, e para mim é um dos mais notáveis e instrutivos guias ao Judaísmo jamais escritos.

Para minha surpresa, o livro chegou na manhã seguinte. Chamei Jeff imediatamente ao meu escritório e lhe entreguei o livro. Dois dias depois ele foi ver-me. Seus olhos estavam repletos de paixão e entusiasmo. Ele disse: “Steve, não posso acreditar que um homem instruído como o Sr. Wouk pudesse escrever um livro que explica os fundamentos do Judaísmo de maneira tão simples, clara e concisa. Como pode um homem com tamanho grau de erudição entender o que uma pessoa como eu, sem nenhum conhecimento, precisava encontrar num livro?” E acrescentou. “este é o livro que venho procurando a vida toda.”

Eu lhe disse que esta foi exatamente a minha reação quando Rabi Chuni Vogel, do Chabad de Delaware, presenteou-me com o livro cinco anos atrás. É, e continua a ser, um manual extraordinário para alguém que deseja aprender mas nunca teve a oportunidade de fazê-lo e não sabe por onde começar. Era óbvio que Jeff estava inspirado a aprender mais, portanto perguntei se ele gostaria de ir comigo à sinagoga Chabad em Portland e ter sua primeira aliyah, uma oportunidade de recitar uma bênção sobre a Torá. Com uma expressão desconfortável no rosto, ele me disse que adoraria, mas não achava isso possível, pois não sabia ler em hebraico. Eu disse para não se preocupar, que juntos aprenderíamos as palavras necessárias para completar sua aliyah.

Jeff ficou tão empolgado que mal podia se conter. Ele queria saber se sua esposa e filho poderiam acompanhá-lo. Com um grande sorriso, eu disse que ele poderia levar quem quisesse, e que até faríamos uma festa depois. Concordamos em começar a estudar, e se D’us quisesse, iríamos à sinagoga para sua primeira aliyah em janeiro.

Ao nos despedirmos, eu estava dominado pela necessidade de fazer-lhe uma pergunta. Com o coração disparado como um tambor, reuni toda minha coragem e disse: “Jeff, você gostaria de colocar tefilin?”

“O que é isso?” perguntou ele. Expliquei a ele o que era e sem perder tempo ele responder que gostaria, desde que eu o ajudasse. Antes de ele sair, marcamos um “encontro para o tefilin” na manhã seguinte em meu escritório.

Quando Jeff apareceu na manhã seguinte ele me disse que tinha telefonado para seus pais na noite anterior e contado a eles o que estava para fazer. Ambos ficaram contentes por ele. Na verdade, seu pai contou-lhe que como Jeff estava para dar este importante passo, ficaria feliz em recompensá-lo enviando-lhe o par de tefilin que o avô de Jeff usava diariamente há mais de cinqüenta anos!

Em seguida ajudei Jeff a colocar os tefilin que eu trouxera de casa. Primeiro ele colocou o talit e recitou a bênção apropriada. Então ajudei-o a colocar o primeiro tefilin sobre o braço, e ele recitou a primeira berachá. Colocamos então o segundo tefilin sobre a cabeça, ele recitou a segunda berachá e leu o Shemá. Quando eu lhe disse que estava pronto era impossível dizer quem tinha um sorrido maior no rosto, eu ou Jeff. Tiramos uma foto dele, deixamos de lado o talit e tefilin e depois passamos uma meia hora falando sobre a experiência.

Depois que Jeff voltou à sua sala, não pude deixar de pensar naquilo que acabara de acontecer. Aquele momento, breve mas maravilhoso, produzira tanta energia positiva e júbilo. Nós dois estávamos caminhando no ar. De repente ficou claro para mim porque aqueles jovens alunos da yeshivá passavam a tarde anterior ao Shabat tentando ajudar outros judeus. As palavras são inadequadas para expressar a alegria dessa mitsvá. Sim, às vezes é desconfortável abordar um estranho ou conhecido e perguntar se ele quer cumprir uma mitsvá. Porém as recompensas para todos os envolvidos superam muito a sensação inicial de desconforto. Esta mitsvá simples, mas importante, tem energizado Jeff e toda a sua família, esperamos que durante os anos e gerações vindouras também.

Enquanto você lê este artigo, Jeff e eu temos estudado ativamente as berachot para sua aliyah. Sempre que nos reunimos para estudar ele está tão empolgado que mal pode se conter. Quando ele finalmente subir à bimá, será um momento que nenhum de nós jamais esquecerá.