E D’us pegou o homem, e Ele o colocou no Jardim do Éden para trabalhar ali e guardá-lo. (Bereshit 2:15)

“O homem nasceu para labutar,” diz o versículo em Iyov (5:7). Portanto, já desde o início da existência do homem, D’us o colocou no Jardim do Éden e lhe deu uma tarefa: “trabalhar [no Jardim] e cuidar dele.”

Por que o trabalho é tão importante para a existência do homem? Por que a felicidade depende do trabalho pesado, e não é atingível sem esforço? Afinal, D’us é a suprema fonte de bondade; por que Ele exige que o homem passe pelo sofrimento e dificuldade do trabalho?

Sim, é da natureza do homem apreciar o trabalho das próprias mãos, mais do que aprecia aquilo que é dado a ele sem qualquer esforço de sua parte. Como diz o Talmud (Bava Metzia 38a), “Um homem prefere um kav [uma medida] própria a nove kav do seu vizinho.”

Mas mesmo assim, alguém pode perguntar: por que D’us fez o homem ter uma preferência natural pelos frutos do seu próprio trabalho, em vez de permitir-lhe apreciar aquilo que vem sem qualquer esforço ou desafio?

Na verdade, porém, a necessidade de trabalho exemplifica a bondade máxima que D’us concede à humanidade. Pois ao exigir que o homem trabalhe, D’us lhe dá a habilidade de atingir não apenas o cume do potencial humano, mas também sentir o que está realmente no âmbito do Criador.

O homem foi criado numa maneira que suas necessidades não são providas por si mesmas, para dar-lhe a oportunidade de imitar o Criador, sem o Qual nada existiria por si mesmo.

E por causa da capacidade do homem de imitar a D’us, de “contribuir” e ser um criador, ele fica inerentemente desconfortável em ser um “receptor”, um beneficiário do trabalho e criações dos outros.

Nas palavras do Talmud Yerushalmi (Orlah 1:3), “Aquele que come da comida de outro fica envergonhado de olhar para o rosto de seu benfeitor.” Pois o homem sente naturalmente que seu objetivo e totalidade é ser como D’us, fazer uma diferença através dos próprios esforços e não ser dependente dos outros.

(Likutei Sichot, vol. 15, págs. 94-95)