Publicado em Hamodia, Seção “Seeking Solutions”, Procurando Soluções

Pergunta:

Creio que tenho muita emuná, fé. Acredito em Hashem, e que Ele é benevolente. Mas não posso entender por que Hashem permite que nasçam crianças com graves defeitos congênitos. É uma vida de severo estresse para os pais, e a criança nunca vai ser totalmente produtiva. Isso desafia minha fé na grande bondade de Hashem. Poderia explicar isto para mim?

Resposta:

Perguntas sobre por que Hashem permite determinadas coisas são frequentes. Por que há tornados, tsunamis, terremotos etc.? Você e eu não somos os primeiros a pensar nisso. Grandes sábios já fizeram todas essas perguntas. Muitos sábios eruditos tiveram experiência pessoal com esses problemas, mas nada disso alterou a sua fé. Sefer Iyiv trata desses assuntos. São oferecidas diversas explicações, mas todas são refutadas. Por fim, Hashem pergunta a Iyov: “Onde estavas quando criei o mundo?” Em outras palavras, Hashem tem um plano mestre no qual tudo se encaixa, mas está além da nossa capacidade de entendimento.

Sobre a sua pergunta específica: é interessante que pais de crianças gravemente deficientes com frequência aceitem a vontade de Hashem com grande serenidade. Admiro sua grande emuná e coragem. O que não posso aceitar é que pais a quem Hashem abençoou com crianças saudáveis aleijem emocionalmente essas crianças com o divórcio e falta de shalom bait, paz no lar. Muitas vezes, os casamentos falham porque um ou os dois parceiros deseja as coisas à sua maneira, e se recusa a acomodar as necessidades e desejos do outro. Quando o divórcio se deve ao comportamento sem consideração de um dos pais, isso está infligindo dano emocional sobre os filhos, e isso é imperdoável.

Não podemos saber por que Hashem permite que algumas crianças sejam prejudicadas, e devemos respeitar Sua Sabedoria superior. Não posso dizer o mesmo para aqueles pais cujo comportamento egoísta leva ao divórcio. Alguns filhos de pais divorciados se ajustam melhor que outros, mas nenhum sai incólume. Se você traz filhos ao mundo, tem a responsabilidade de viver de uma forma que lhes proporcione um lar realmente pacífico.

Não pretendo condenar aqueles para quem o divórcio é a única opção. Há exemplos trágicos em que o divórcio é a escolha certa e inevitável. A Torá deu essa opção e às vezes não pode ser evitada.