Versículo 33:1
"Moshê, o homem de D’us".
"Moshê, o homem de D’us" – diz o Midrash: sua metade superior era Divina, a inferior, aquela de um homem.

Todo judeu possui uma centelha da alma de Moshê, possibilitando-lhe ser "um homem de D’us", aquele que integra a eterna e infinita perfeição do Divino, com as realidades da condição humana.
- Rabi Menachem Mendel Schneerson, o Rebe de Lubavitch


O Talmud relata a seguinte história:

Rabi Yehoshua ben Levi perguntou a Mashiach: "Quando chegará?"

Replicou Mashiach: "Hoje".

Mais tarde, Rabi Yehoshua encontrou o Profeta Eliyáhu e reclamou: "Ele disse-me que viria hoje; mesmo assim, não veio."

Respondeu o Profeta Eliyáhu: "Isso é o que ele queria dizer: ‘Hoje, se pelo menos ouvires Sua voz’ ".

Pergunta o Rebe de Lubavitch: "Qual o significado desta declaração aparentemente evasiva e tortuosa? Mashiach usa jogos de palavras repletos de diplomacia?"

"O que Mashiach está transmitindo " explica o Rebe, "é uma atitude. O judeu sabe que o mundo é bom na sua essência, que o estado verdadeiro e intrínseco da criação de D’us é o mundo perfeito de Mashiach. Sabe que a realidade atualmente defeituosa é imposta, e não natural. O fato de que as coisas têm sido desta maneira por milhares de anos não a torna mais genuína ou real. "Assim, apesar de séculos de experiência ao contrário, um judeu espera de forma total e realista que Mashiach venha instantaneamente."

Sua resposta à pergunta: "Quando Mashiach virá?", é um "hoje" dito sem hesitações. Apenas, D’us não o permita, um momento passa e de alguma forma Mashiach ainda não chegou, ele é compelido a explicar "…se pelo menos ouvires Sua voz". Isto é, D’us deseja que o mundo passe por um processo de refinamento e elevação, antes que sua realidade verdadeira, quintessencial venha à luz.

Alguém certa vez perguntou a Rabi Yossef Yitschac de Lubavitch: "Recebemos ordens de ficar prontos para receber Mashiach, confiantes que ele de fato viria imediatamente. Ao mesmo tempo, somos encarregados da missão de construir, fundar novas organizações, de plantar os alicerces para a obra futura. Que estado de mente devemos aceitar, aquele do crente que antecipa ou do que age com pragmatismo?"

De fato, o judeu deve ter um pé nos dois mundos, adotando simultaneamente dois estados de mente. Por um lado, deve trazer santidade a um mundo terreno, trabalhando para aperfeiçoar uma realidade imperfeita. Assim fazendo, lida com as condições como elas são. Planeja orçamentos, contratos para construção, e planeja projetos a longo prazo. Ao mesmo tempo, ainda assim espera a vinda imediata de Mashiach. Uma existência instantaneamente perfeita é não apenas possível como a coisa mais natural do mundo.