"Farão para Mim um Santuário, e habitarei no meio deles." Versículo 25:8
"D'us desejou uma morada no mundo inferior." Midrash Tanchuma
Sobre o Rio Neva
Durante seu aprisionamento pelo regime czarista, Rabi Schneur Zalman de Liadi ficou detido na Fortaleza de Pedro e Paulo, numa ilha no Rio Neva em S. Petersburgo. A investigação sobre seus '"crimes" estava sendo conduzida pela organização de inteligência do czar, que se localizava em um prédio em terra firme. Portanto, Rabi Schneur Zalman era freqüentemente levado de balsa para ser interrogado do outro lado do rio.
Certa noite, quando a pequena balsa cruzava o Rio Neva, o céu clareou e um quarto da lua iluminava os céus. Rabi Schneur Zalman, desejando a oportunidade de santificar a lua nova (Kidush Levaná), pediu ao oficial encarregado que parasse o barco, ao que este recusou.
De repente, a embarcação parou completamente. O barqueiro não conseguia fazê-lo avançar de forma alguma. O Rebe ficou de pé no barco e recitou os primeiros versículos do Salmo 148, que inicia a bênção da lua.
Mas Rabi Schneur Zalman recusou-se a cumprir a mitsvá tirando proveito de algo que não fossem os meios naturais. Por isso libertou o barco, permitindo que continuasse seu caminho. Uma vez mais, pediu ao oficial que parasse o barco. Somente após seu pedido ser atendido e o barco parado naturalmente, ele iniciou o cumprimento desta mitsvá, preceito.

Em uma primeira leitura, tive dificuldade de compreender a mensagem. Mas uma segunda leitura atenta, revelou-me a profundidade dessa história.
D'us deseja, sim, uma morada neste mundo. Mas ela deve ser construída de forma voluntária por cada uma das almas viventes aqui na Terra.
Essas almas, entretanto, não podem estar contrariada para cumprir o seu dever. Devem fazê-lo de forma voluntária e com (e por) amor a D'us.
Se essa não fosse a vontade de Hashem, Ele não seria o D'us amoroso para com seus filhos (D'us nos livre!), mas seria um faraó para com seus escravos (de novo, D'us nos livre!).
A santificação do Nome do Eterno e o cumprimento das mitsvot devem ser alegres, espontâneos, voluntários e com amor.
Muito bonita essa história. Muito mais profunda que parece.